Experiências sexuais em números


Após anos em contato com o íntimo masculino, percebi que suas mentes compreendem melhor a realidade a partir de dados estatísticos (daí o predomínio de homens na área de exatas). Não querendo desdenhar desse método de informação – ainda mais numa época em que ando acompanhando as pesquisas eleitorais – apenas acho que é inapropriado empregá-lo em qualquer amostra de estudo, como por exemplo, para quantificar a “quilometragem” de uma garota de programa. Tudo bem que essa metodologia poderia revelar detalhes interessantes de uma garota, mas o problema maior passa pela dificuldade do levantamento de dados.

Parece ser de interesse de meus clientes saber com quantos homens eu já saí, a quantidade de pênis que já passaram pela minha boca, o número de vezes que me penetraram por atrás. Na real, a resposta é muito simples: “e eu lá vou ficar registrando as vezes que meteram o pinto em mim?”. É comum ver esses jovenzinhos quantificando sua vida sexual para depois serem reconhecidos entre si como os machos reprodutores. Mas em geral as moças não têm essa preocupação, ainda que, no início da minha adolescência, eu costumava anotar no meu diário como haviam sido todas as minhas aventuras sexuais. Consultando-o, daria para ter uma noção exata da abundância de relações que tive no período em que ainda não me embriagava tanto.

Pode até ser importante para um jogador de futebol contar o número de gols marcados durante a sua carreira, mas para uma prostituta não é muito conveniente registrar a quantidade de programas (a menos que estes sejam com jogadores de futebol). Quando esses recenseadores começam a me questionar, geralmente declaro uma jornada de trabalho bem menor do que minha média diária. Dessa forma, eu busco deixar implícita a ideia de que sou uma profissional mais seletiva, quase exclusiva. Não ficaria muito surpresa se muitos homens acreditassem nessa minha balela, principalmente aqueles que só me procuraram uma vez (já nos encontros subsequentes começo a ficar um pouquinho mais sincera).

- Quantos programas você já fez nessa semana?

- Por enquanto foram treze e meio.

- Como assim meio programa?

- Foi porque o cliente passou metade do programa perguntando sobre minha vida como prostituta, daí o tempo acabou e o sexo ficou pela metade.

Olhei para o relógio e depois para o cliente. Abri um sorriso e fui retirando minha blusinha lentamente. Ele entendeu o meu recado e foi logo me agarrando. Naquela mesma hora, sua curiosidade numérica foi reduzida a zero; todos os questionamentos foram anulados. O tempo sempre interfere no cálculo das ciências exatas.

(Sobre a autora, clique aqui)

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6 comentários sobre “Experiências sexuais em números

  1. Como sempre dando uma aula para todos nós marmanjos.

    Sou o tipo de cara que não estou interessado em saber se minha mulher/namorada/caso/seja-lá-o-que teve mais ou menos experiência sexual que eu. O que me importa é que ela me satisfaça e, acima de tudo, que eu consiga sempre ir além do que simplesmente satisfazê-la.

    Afinal, em que me ajuda ter números na minha vida? Já não bastam minhas dívidas?

    A propósito, já estou viciados nos seus posts. Não vejo a hora de te ver no twitter (Se é que já não está por lá).

    Um beijo grande,

    • Oi, Roberto!
      Eu acho que certos homens sentem-se incomodados quando sabem que a mulher tem mais experiência sexual que eles. Por isso, sentem necessidade de ter uma dimensão do desnível de quantidade de relações sexuais. O padrão é acreditar que os homens tenham uma vida sexual mais ativa (graças às gps). Então, uma relação “harmoniosa” na mente masculina, seria aquela em que o homem fez sexo mais vezes do que a mulher. Acho que para eles não importa tanto quantas vezes a mulher fez, contanto que sua frequência seja menor do que a dele.
      Mudando de assunto, estou começando a dialogar com o twitter e logo menos vou adotá-lo. Pelo menos eu espero!
      Um beijo bem grandão! =)

  2. Oi Flor,

    Adorei seu blog, que leitura maravilhosa você nos proporciona… Sempre me senti fascinada pelo mundo das garotas de programa, tenho certeza que deve ser algo excitante. Muitas das pessoas que criticam, na minha opinião gostariam de experimentar fazer sexo em troca de dinheiro :lol:

    Vou estar sempre por aqui, e irei linkar seu blog no meu porque como eu disse anteriormente este é um espaço que me interessa :)

    Beijos molhadinhos

    • Querida Elisa,
      Adorei muito (muito mesmo!) a visita que fez ao meu blog. Espero que a gente continue interagindo por aqui e lá no seu cantinho também (eu sempre dou uma passadinha por lá), até porque eu acho que a gente tem muitas afinidades em comum. =)
      Beijos, beijos, beijos! =*

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