“Sim, senhor(a)!” – primeira fase como submissa

Com 15 anos de idade, já estava completamente deslumbrada pelo universo BDSM. Todos os dias, entrava em sites de sexo para ver fotos de submissas indefesas sendo impiedosamente açoitadas. Tinha até um grande acervo particular dessas fotos no meu computador – lembrando que sou da época da internet discada; mas graças aos avanços tecnológicos, hoje vivo entupindo o meu HD com vídeos ainda com a temática sadomasoquista – o qual consultava quase todos os dias, coincidentemente, bem naqueles momentos íntimos em que explorava a sensibilidade do meu corpo. Saudades dessa fase quando bastavam algumas imagens para atingir o orgasmo…

Naquela época, eu tinha uma vida sexual relativamente movimentada e, por incrível que pareça, já dava sinais de que estava desgastada do sexo convencional. Logo me despeço de minha fase de putinha mirim, agora eu queria ser uma escrava sexual. Essa decisão mudou completamente minha forma de agir diante das relações sexuais; a partir de então entre quatro paredes eu estava completamente disponível para ser abusada, acatando atenciosamente a cada desejo perverso daqueles quase dominadores. Será que alguém consegue adivinhar o que eles mais queriam? Coitadinho! Nem dá para imaginar como o meu cu sofreu nessa época.

Não adianta! Se você, minha pequena submissa, deseja ser dominada de verdade, é bom se relacionar com alguém que conheça BDSM. Comecei a procurar por dominadores nas salas de bate-papo de sadomasoquismo. É necessária muita paciência, porque boa parte dos internautas entra no chat com fins onanísticos, achando que basta enviar mensagens com as palavras “cadela”, “vadia” e “puta” para levarem as submissas ao MSN, onde elas obedecerão a todos os seus desejos e ainda por cima exibindo-se pela webcam. Submissas não são, necessariamente, mulheres fáceis, viu? Bom, mas eu também não poderia ficar me fazendo de difícil, porque tinha um detalhe que desestimulava alguns dominadores e incitava alguns tarados a me conhecer: eu era menor de idade.

A Paula foi a minha primeira dominadora via internet. Mesmo estando distante, ela exercia bastante controle sobre a minha vida. Ela tinha a senha do meu MSN, conhecia toda a minha rotina durante a semana e sabia até quais tipos de roupas eu tinha no meu armário. Quase sempre eu lhe mandava algum e-mail para contar sobre como havia sido o meu dia e também para pedir sua autorização para sair à noite, por exemplo. Com o tempo, deixei de usar calcinha, apanhava de chinelo no seio e no bumbum toda semana e, sempre que conversávamos, eu tinha que deixar um prendedor de roupa em cada mamilo e algumas vezes na ponta da língua, para ficar babando.

Tenho uma habilidade muito singular de me envolver com pessoas bem esquisitas, e essa domme não era nenhuma exceção. Com meus quinze anos, eu era uma pré-adolescente muito idiota, consequentemente, atendia a qualquer pedido, por mais bizarro que fosse, sem fazer um questionamento sequer. Achei muito lindo quando ela me mandou uma ilustração de uma mulher completamente nua envolvida pelos caules de várias rosas, cujos espinhos perfuravam seu corpo. Essa imagem, que atualmente me parece bastante perturbadora, era o fundo da janelinha do MSN por onde eu fazia minhas declarações de amor à minha dominadora.

A segunda imagem que ela me enviou era de um demônio com formas femininas bem sensuais, sentado num altar com as pernas abertas. Minha mente deveria se apropriar dessa imagem como uma representação da minha dominadora, para tanto, eu fui obrigada a me masturbar todos os dias observando apenas esse desenho. Nunca acreditei em céu e inferno, então não me preocupava em gozar diante da figura feminina do diabo. O que realmente me deixou perturbada, foi numa noite em que conversávamos, e ela ordenou que eu ficasse apenas de biquíni. Em seguida, mandou-me buscar o lixo da cozinha e esfregá-lo no meu corpo. Enfim, sem mais detalhes, só digo que a obedeci.

Um dia, fui conversar com ela no MSN e, para a minha surpresa, era a filha dela que estava no computador. Se não estou enganada, ela tinha 14 anos. Em nenhum momento, a nossa conversa aludiu a quaisquer conteúdos sexuais; estava apenas trocando ideias do cotidiano com uma menina da minha idade. Numa completa ingenuidade, comentei com a minha senhora sobre esse evento, e ela ficou bastante furiosa. Ficamos algumas semanas sem nos falar, até o dia que ela entrou no MSN apenas para me castigar. A minha punição seria bater com um chinelo no meu nariz até sair sangue. Não me lembro exatamente de suas mensagens, mas sei que me deixaram muito assustada. Ora, nunca obedeceria a esse último pedido! E assim, também jamais voltamos a nos encontrar.

(Sobre a autora, clique aqui)

9 Comentários (+add yours?)

  1. Soraia
    mai 22, 2011 @ 15:52:12

    Oi princesinha,

    Eu gosto que me dominem, mas não dessa forma… Eu gosto mesmo é do contacto entre dominador e submisso, que me façam ceder ao sexo e ao prazer, mesmo não querendo. Mas isso é muito difícil, porque eu sempre quero! Quero que abusem do meu corpo, quero que me obriguem a chupar ou a me pôr em determinada posição, quero que me façam gozar quando devia implorar para me soltar! Quero ter medo e raiva no início e acabar por ceder aos prazeres “carnais” no final! O problema é que só consigo fingir que me quero soltar, que não quero aquilo, não consigo realmente sentir… Que maçada…

    Esse tipo de submissão online que não envolva contacto físico com dominador me deixa desconsolada… Não aprecio mesmo. Apesar de não deixar de atingir o orgasmo, me satisfaz muito mais o contacto físico, sinto prazer só de sentir mãos alheias a tocar no meu corpo. Ser eu mesma me deixa frustrada.

    Há muito que não a via falar de BDSM. Como você mesma disse, esse tema se tornou muito frequente na sua vida desde sua infância. Deve ser difícil com seu trabalho arranjar alguém que lhe satisfaça esse seu carácter submisso. Normalmente, é mais fácil encontrar submissos que dominadores. Essa dona me deixou meia assustada. Com uma filha da sua idade e fazendo isso consigo… Não consigo deixar de pensar como me sentiria se fosse sua filha ou se descobrisse que minha mãe andava fazendo isso… Uma mãe tem de ter responsabilidades. Seria muito fácil para a menina encontrar algo no pc da sua progenitora que a traumatizasse para o resto da sua vida!

    Beijinhos para você e boa sorte a satisfazer suas fantasias. (:

    Soraia

    Responder

    • Ínfima princesinha
      jun 09, 2011 @ 07:16:10

      Oi, Soraia!
      Dominação virtual é bem diferente daquela em que há contato físico, sendo que eu também considero esta mais excitante. Por outro lado, dominação virtual é mais prática e, no meu caso, eu nem precisava me expor muito. Eu gosto muito quando outras pessoas abusam do meu corpo, mas também consigo me proporcionar muito prazer quando faço isso sozinha. Às vezes, sou excessivamente sádica comigo mesma.
      Como é um pouco arriscado, eu não digo para os meus clientes que eu gosto de BDSM. Mas dependendo do perfil do cliente, eu peço para me dar uns tapinhas e quase sempre peço para meterem mais forte. Quando o sexo é muito delicado, dificilmente consigo gozar.
      Querida, muito obrigada pela sua presença aqui no blog!
      Beijinhos muito especiais!

      Responder

  2. Kelly
    mai 22, 2011 @ 16:35:42

    Menina… que gosto hein…. como dizem, não se discute…Só digo que temos que fazer o que nos dá prazer.

    Mas o fato de ter começado tão cedo não é legal, pois infelizmente quando somos menores de idade não temos muita noção do que fazemos, e isso pode nos afetar emocionalmente mais tarde. Então busque fazer coisas que gosta, mas faça o máximo para que isso não afete seu emocional, e nem deixe isso se tornar mais forte do que a busca por sua felicidade.

    Gostei muito do seu blog, me adicione no msn para trocarmos figurinha. saiadessavida@hotmail.com.

    Beijos

    Responder

    • Ínfima princesinha
      jun 09, 2011 @ 07:24:04

      Oi, Kelly!
      Eu tenho fantasias sexuais muito exóticas mesmo ^^
      Bom, eu já passei da minha fase de completa imaturidade e realmente, por eu ter começado muito cedo, acabei cometendo muitos erros, sendo que alguns ainda me afetam emocionalmente. Tento afastá-los, pensando nas experiências mais excitantes.
      Muito obrigada pelo comentário!
      Beijinhos e até mais!
      PS: Atualize o seu blog mais vezes! ^^

      Responder

  3. leo.seximaginarium
    mai 22, 2011 @ 20:47:05

    Um tapinha nao doi! uma mordidinha…
    Boa semana pra vc!
    Leia no Blog dicas de dois GPs
    BJJJSSS
    Leo.SeximaginariuM

    Responder

  4. ACM
    mai 24, 2011 @ 14:25:16

    Muito bom seu artigo.
    Revela um linha. Ainda que imaginária num começo já distante ela produz reflexos quando há questionamento pelo prazer.
    O importante é perceber que o fetiche vem do berço, está grudado na alma e vai ficar lá pra sempre. O que excita através da palavras soltas num chat vai traduzir os mesmos efeitos quando exercitado face to face.
    As diferenças serão claras, há o contato carnal, mas o assunto jamais será desconhecido.
    O que vale no fundo é se sentir bem realizando as fantasias. E se aos olhos alheiros elas forem taxadas de pervertidas e inadequadas, problema de quem acha, prazer de quem as realiza.

    Bom te ler de novo
    Grande Beijo
    ACM :)

    Responder

    • Ínfima princesinha
      jun 09, 2011 @ 07:39:44

      Oi, ACM!
      Bom, não sei dizer exatamente com que idade comecei a ter pensamentos fetichistas, mas eu me lembro que na minha infância eu já era um pouco masoquista, embora não soubesse o significado disso. E como você disse, todos esses fetiches vão me acompanhar durante toda minha vida, então quando eu procuro um relacionamento, sempre levo em conta se a pessoa tem uma afinidade com as minhas práticas sexuais.
      O bom de ser uma menina muito pervertida é que posso ir atrás das minhas fantasias, sem me sentir culpada. E ainda tem muita coisa que eu quero conhecer…
      Foi muito bom receber mais um comentário seu. Espero que não fique mais tanto tempo sem me visitar! ^^
      Beijinhos, beijinhos e até breve!

      Responder

  5. Ítalo
    mai 27, 2011 @ 01:42:45

    A sua escrita é muito boa, adiciona uma complexidade aos personagens e à linearidade dos fatos que torna impossível questionar a história.
    Acho que é chato comentar sobre “a escrita”, já que o texto tem tanto mais a oferecer, mas realmente não tenho mais nada pra falar.

    Abraço,
    até mais.

    Responder

    • Ínfima princesinha
      jun 09, 2011 @ 07:46:09

      Oi, Ítalo!
      Eu acho que os personagens em si já são muito complexos. Eu mesma não consigo me entender e muito menos entender aquela minha dominadora. Para tanto, escrever é a minha maneira de tentar compreendê-los, até porque eu não quero passar uma imagem muito confusa para os leitores. Às vezes não é possível…
      Espero que também tenha gostado da maneira como escrevi os outros posts, embora eu não mude muito o meu estilo de escrever… enfim… adorei receber o seu comentário!
      Beijos, beijos, beijos!

      Responder

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