Os julgamentos redundantes


Num contexto sexual é muito comum a utilização de palavras obscenas. Principalmente aquelas para mulher objeto. Quando é para me “ofender”, geralmente os clientes utilizam puta, vadia e vagabunda.

Mas também têm aqueles que se encantam e disparam alguns elogios. Lindinha, gostosinha e até uma gracinha são os mais comuns. O abuso das formas no diminutivo é decorrente da minha aparência bem infantilizada, complementada pela minha baixa estatura.

O engraçado disso tudo é que eu prefiro ser chamada por essas palavras mais chulas. Sei lá, eu fico sem graça com elogios. Tem um até detalhe que eu acho meio curioso. Quando é para me depreciar, quase sempre eles ofendem o meu caráter. Já quando é para falar bem, a minha única qualidade perceptível passa a ser a minha aparência.

No começo, ser chamada de vadia, ou de gostosa tinha o mesmo efeito: a indiferença. Mas chega uma hora que você se cansa de ouvir de tantas pessoas diferentes os mesmos adjetivos. E, naquele momento, quando o sol está para nascer e você, cansada, pode enfim se deitar sozinha – sem o contato com um homem – há um período de reflexão. E em vez de dormir, os pensamentos fazem com que eu me entregue ao óbvio. “Tudo bem, tudo bem… vai, no fundo eu concordo: sou mesmo uma vadia”.

(Sobre a autora, clique aqui)

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7 comentários sobre “Os julgamentos redundantes

    • Oi, Damaris!
      Bom, eu já estou bem à vontade com a qualidade de ser uma vadia. Não é um julgamento que me incomoda mais, embora seja aberto a muitas interpretações.
      Espero que tenha gostado dos outros posts também!
      Beijinhos, “saúde” e até mais!

  1. Você Ayana, uma vadia?? Nunca!! Além de escrever bem você tem cultura ; é uma mulher inteligente e que sabe valorizar-se fazendo o que você faz. Fico aqui com uma excelente imagem dessa garota que conta pra mim também; suas confissões mais íntimas. Bjss

    • Oi, Ari!
      Bom, se o fato de eu ter escolhido seguir uma vida sexual bem agitada me torna uma vadia, pois bem, eu sou uma vadia. Sério, eu já ouvi isso tantas vezes, que não me sinto mais ofendida. Eu fico até com vontade de assumir esse estereótipo, justamente para mostrar que eu posso usar o meu corpo da forma que eu quiser, sem que isso me desvalorize como pessoa. Afinal, é essencialmente sexo… tanta gente faz…
      Beijos!

  2. Ayana, lendo seu argumento, vejo que faz sentido sim. O fato de poder usar seu próprio corpo à sua maneira te torna mais gente, mais livre. Quanto ao estereótipo; fica para os preconceituosos. Mas há de se lamentar pelas “coitadas” que se submetem aos tabus impostos por vários segmentos sociais e acabam se reprimindo e se anulando como ser humano.Beijos!

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