Depravação fragmentada


Durante muito tempo da minha vida, passei por uma fase de adolescente rebelde querendo chamar a atenção dos pais (para ser sincera, não sei se já abandonei completamente isso). Foi logo no comecinho desse meu período perturbado que aconteceu minha primeira grande demonstração de promiscuidade.

Eu tinha 14 anos, mas meu RG falsificado – que na verdade era o de outra pessoa – mostrava que eu já era maior de idade (ainda hoje, muita gente acha que eu tenho uns 15 anos). Era muito evidente que estava mentindo quanto a minha idade, mas mesmo assim, consegui entrar em muitas festas, sempre sozinha. Eu até me esforçava para parecer mais velha, carregando no salto, no enchimento e na maquiagem.

Já um pouco alcoolizada, fui flertar um garoto que estava numa rodinha com outros quatro amigos. Nem bem troquei umas três frases com ele, por ser interrompida por um de seus amigos que me disse:  “Se você quiser ficar com ele, vai ter que ficar com todo mundo aqui”.

Beijei todos os cinco. Eles passavam a mão onde bem queriam em mim. Excitada, segurava o pênis deles por dentro da calça. Alguns pediram para eu chupá-los, mas me recusei. Estavam ansiosos para sair da festa e me levar para outro lugar. Foram várias respostas negativas até que cedi e aceitei acompanhá-los.

No carro, fui sentada no colo de um deles, já sentindo o volume da sua calça esfregando no meu bumbum. Aproveitando-se da minha total passividade, a todo momento um me agarrava e me beijava. Só reclamava quando apertavam os meus seios, mas nada do que eu dissesse seria levado a sério.

Chegando numa casa, lembro-me de beber várias doses e fumar alguns cigarros; de cair no chão, machucar o joelho e quebrar o salto; de ficar semi-nua e fazer sexo oral; de deitar na cama e abrirem minhas pernas; e por fim, de vomitar. Acordei só pela manhã, ainda passando mal. Estava de banho tomado e usando roupas que não eram minhas. Havia marcas de vômito na minha blusa e cheiro de urina na minha calça. Pelas dores no meu corpo, sei que fizeram sexo comigo, mas não sei dizer como foi, nem quantos foram.

Quando cheguei na minha casa, não havia ninguém para me repreender. Meu quarto ainda estava trancado e ninguém havia notado a minha ausência. Na falta de alguém que fizesse, fiquei em frente ao espelho e me dei um sermão. Segui com tapas no meu próprio rosto como forma de me castigar. Chorei um pouco e logo consegui dormir.

Às duas horas, acordei com a minha empregada me chamando para almoçar. Quando desci, meu pai já estava almoçando. Tomei um copo de suco e comi umas duas folhas de alface com uma rodela de tomate. Quando me levantei, meu pai perguntou:

– Não vai comer mais?

– Não gosto desse tipo de carne.

– Então vai lá cozinhar o que você gosta.

Sem respostas… só consegui ir para o meu quarto sem chorar na frente dele.

(Sobre a autora, clique aqui)

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7 comentários sobre “Depravação fragmentada

    • Oi, Tabata!
      Espero que tenha gostado dos outros textos também! =)
      Não sei se teria paciência para escrever um livro e também acho que pela internet mais pessoas vão poder me ler (com a vantagem de poder interagir com elas).
      Fiquei feliz com o seu comentário! Obrigada!
      Beijinhos!

  1. Seu post é muito bonito; talvez por ser verdadeiro, saindo de suas entranhas. Gostei! Quanto a rebeldia nunca a perca, ela é necessária e uma autocrítica como a que você fez diante do espelho é bom que façamos, vez em quando.Diria carinhosamente, que você não escreveu esse post mas o pariu!!!Beijos Ayana.

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