A problemática dualidade namorada/vadia


(Com minhas desculpas pela extensão do texto)

Provavelmente, a maior dúvida que tive na minha vida foi a respeito da minha orientação sexual. Não sei precisar ao certo quando esses questionamentos começaram a me incomodar, mas acho que foi desde pequenininha, quando eu queria muito beijar, não importando o sexo da outra pessoa.

Na quarta série (se não me engano), enquanto minhas amigas já direcionavam gracejos para alguns de nossos coleguinhas, eu fui mais direta. Puxei um menino qualquer e levei-o para uma salinha de vídeo que estava vazia. Eu me lembro que tinha um Sonho de Valsa no meu bolso, então ofereci o chocolate em troca de um beijo na boca. Mas ele só aceitou quando eu o apressei para fazer logo antes que alguém encontrasse a gente. Eu fechei os olhos e ficamos com os lábios colados por poucos segundos. Eu até tentei enfiar minha língua em sua boca, mas ele a deixou fechada. Assustada, saí correndo e deixei-o sozinho.

Após perceber o quanto um beijo poderia ser sem graça, descobri, depois de alguns anos, a masturbação. Foi esse pequeno hábito que lançou os primeiros passos para a minha vida basicamente sexual. Ainda que sentisse um pouco de culpa por me tocar, sem dúvidas, era a forma mais conveniente de se obter prazer, uma vez que a menina tímida não precisaria de ninguém para atingir um orgasmo.

A partir dos 15 anos, minhas amigas já ficavam com vários meninos em festas, e algumas até namoravam. Eu não ficava com ninguém por ser a mais acanhada de todas. Mas não sentia vergonha de beijar meninos, mas sim de fazer isso na frente delas. Até porque, eu já havia passado por bem mais experiências que qualquer uma, já que saía sozinha para baladas de jovens mais velhos. Eu tinha noção que fazia muitas coisas condenáveis, por isso tentei ao máximo fazer papel de boa moça para o pessoal do colégio.

Consegui ser bastante discreta para evitar que meus colegas me julgassem como devassa. Fui tão reservada, que as pessoas começaram a suspeitar da minha orientação sexual (precisava de algum detalhe para falarem mal de mim), porque, pelo menos até uns 17 anos, não havia ficado com ninguém do meu círculo de conhecidos. O mais irônico disso tudo é que eles me achavam assexual. Depois de um tempo, o povo da minha sala chegou a um consenso: “Ela (ou seja, eu) é lésbica!”

Toda essa discussão sobre o que eu era, ou deixava de ser, me contaminou tanto, que realmente eu não tinha noção das minhas preferências sexuais. Mas a conclusão a que chegaram é coerente, porque na época eu namorava, às escondidas, a minha melhor amiga, que também estudava comigo. Eles só descobriram isso bem depois do começo do nosso romance, porque um dia, em que me sentia quase no cio, agarrei a minha amada nos fundos do colégio e, lamentavelmente, fui descoberta.

Fiquei um pouco mal falada no colégio, mas poderia ser muito pior. Isso porque o namoro não impedia algumas “puladas de cerca” para a agitação noturna. E não era apenas isso. Eu ainda mantinha um relacionamento BDSM com uma mulher um pouco mais velha. Tantas situações, tantos personagens, tantas formas de agir, tantas mentiras… por conseguinte, surtei. Conversava com minhas amigas de manhã, me declarava para minha namorada à tarde e implorava pelas desculpas da minha dona à noite.

Era um estilo de vida insustentável. Isso se provou num fatídico acontecimento com a minha namorada. Era o dia de seu aniversário. Passei a tarde toda cozinhando e arrumando uma decoração bem romântica. Nós jantamos à luz de velas (admito que sou uma excelente cozinheira), e no final entreguei-lhe flores e uma carta com várias declarações de amor.

Tudo muito emocionante. Estava muito excitadinha, por esperar que fosse nossa primeira noite de amor. Fomos para cama já nos agarrando e logo comecei a tirar sua roupa. Mas foi só ela tirar a minha blusinha… bem, eu tinha muitas marcas de chupão nos meus seios. Tentei escondê-las, mas já era tarde. Ai, como eu fui estúpida, estúpida, estúpida! O meu corpo estava todo zuado. Menos mal que ela não tenha visto o resto. Consequências da dominação da minha dona no dia anterior.

Ela não quis me ouvir… tudo bem, eu também nem tinha o que explicar. Ficamos algumas semanas sem conversar, até o dia em que contei cada vírgula de tudo que já havia feito. Voltamos a namorar, mas continuei tendo relacionamentos sexuais “extra-conjugais”. A gente só terminou, pouco depois de ela se mudar de cidade por ter passado no vestibular. Eu já estava perdida mesmo. Sei que fiz ela sofrer bastante… por favor, Larissa, me desculpa!

(Sobre a autora, clique aqui)

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