Uma prostituta mais um chaveirinho


Se a minha cafetina criasse aquelas plaquinhas de “funcionário do mês”, certamente essa homenagem (um pouco constrangedora) iria apenas para a Rafaela, a modelo queridinha de profissional do sexo. Já no extremo oposto, sempre com o rendimento abaixo do esperado, lá estaria eu, com minha forma displicente de trabalhar.

Não há como negar, a Rafaela tem muitos atrativos mesmo. Suas formas casariam bem com as principais páginas de qualquer revista masculina. É facilmente definida como gostosa, tendo em vista as medidas generosas do busto e do quadril. Faz sempre um jeito provocante típico daquelas atrizes de filme pornô. Com certeza se daria muito bem seguindo essa carreira, ou então se fosse negociada como prostituta de luxo. Já recebeu propostas (eu também, viu) para viver todo o glamour da profissão, mas acho que prefere ficar como a peça mais valiosa do mercado popular.

Mas entre as quinquilharias, admito que sou uma das mais requisitadas. De certo porque o programa dela é mais caro e talvez compensasse me escolher pelo custo-benefício. Independentemente dos vários motivos, essa realidade criou nela um forte sentimento de competição. De minha parte, nem queria entrar nesse joguinho – já me daria por vencida – mas fui obrigada a participar por uma “brilhante” estratégia de vendas da minha cafetina/publicitária. O consumidor que pagasse um pouco mais pelo sexo com a minha colega de profissão seria presenteado com outra garota. E quem era o brinde? Acertaram aqueles que pensaram em mim. Ai, como eu fiquei irritada com isso!

E vejam só que ironia: se um cliente fechasse comigo e depois quisesse fazer com nós duas, teria que pagar um valor x. Mas aqueles que pedissem a “promoção”, ou seja, fechassem com a Rafaela primeiro, pagariam x – y (tal que y equivale ao valor do meu strip) pelo mesmo produto.

Assim como muita gente pede o McLanche Feliz por causa da surpresinha, aconteceu que alguns consumidores gostaram mais de fazer comigo do que com ela. Então para não criar desafetos entre nós, minha cafetina optou por desfazer aquela oferta absurda (ficou apenas um descontinho). Por outro lado, fiquei um pouco sentida, porque era muito bom fazer sexo com a prostituta mais valorizada da região. Agora, vez ou outra a gente trabalha juntas porque ela está cheia de clientes fixos. Temo que ela não fique mais muito tempo aqui com a gente.

(Sobre a autora, clique aqui)

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