Vestido e nádegas queimados


Sempre tive muito medo de ser abandonada pelas pessoas que amei na minha vida. Hoje tenho um pavor ainda maior, já que perdi contato com a maioria delas. Me apaixonei por muitas, principalmente aquelas que me dominavam sexualmente. Pelas constantes idealizações, nunca tive um amor muito equilibrado, até porque constituíamos uma relação entre dominadora e submissa. O carinho que sentia por elas me forçava a realizar todas as suas vontades, sem muitos questionamentos.

A minha primeira domme gostava bastante de explorar minha boa vontade. A começar me fazendo de empregadinha. Ficava mais tempo ocupada com os afazeres domésticos do que fazendo sexo. Mas eu até gostava, por se tratar de uma realidade completamente diferente da que estava acostumada. Claro que também tinha um quê de sexual, devido a minha completa nudez na hora de trabalhar.

Toda aprendizagem está bastante sujeita a erros. E por conta do meu jeito distraído e desajeitado, não foram poucas as vezes que tive que ser castigada por estragar alguma coisa. Foram copos e pratos quebrados, roupas queimadas e manchadas. Minha dona achava que eu fazia de propósito, mas esses acidentes aconteciam com frequência, porque sempre ficava tensa na hora de servi-la. Primeiro apanhava, depois tinha que pagar pelo prejuízo – cheguei a comprar umas quatro roupas para ela.

De todas as minhas falhas como doméstica, a pior foi quando queimei com o ferro o vestido longo da minha dona. Ai, na hora eu fiquei tão desesperada e com tanto medo, que acabei tomando a pior decisão possível: esconder o vestido. Sei lá o que pensei. Acho que no meu inocente otimismo, achei que encontraria numa loja outro vestido igualzinho. Durante uma semana (a mais aterrorizante da minha vida) procurei em várias lojas, mas nada. Quer dizer então que ela demorou mais de uma semana para descobrir? Antes fosse isso, viu. Ela tinha descoberto faz tempo, mas estava esperando que eu revelasse. Como minha educação não foi muito boa, escolhi outra péssima opção: fiquei calada.

Um dia ela estava toda agradável comigo. Me deixou amarrada com o bumbum para cima e ficou esfregando a mão na minha xana até me fazer gozar. O raciocínio dela foi muito simples: passado o momento de prazer, a dor fica muito mais intensa. Ela pegou o vestido e, antes mesmo de dizer qualquer coisa, comecei a chorar e tentei fugir de alguma forma, mas estava muito bem amarrada.

– Por que está chorando?

– Porque eu queimei o seu vestido. Me perdoa, por favor, me perdoa!

– Quando foi isso?

– Faz uma semana… por favor, me desculpa eu não ter contado antes! Eu iria comprar um novo, eu juro!

Depois de obter todas as revelações, seguiu com um tapa no meu rosto e me mandou calar a boca. Não conseguia conter o ruído do meu choro, por isso fui amordaçada. E assim teve início uma fatídica sessão de “spanking”. Ela pegou um objeto que parecia uma pequena raquete de madeira com um furo no meio. Não tenho a menor noção de quantas pancadas maltrataram o meu bumbum; a única parte do meu corpo castigada. No começo, os meus gritos saíam abafados e me contorcia com força para tentar me soltar. Mas logo perdi as forças e me entreguei. Tiveram momentos em que fiquei desacordada por alguns segundos e acho até que cheguei a desmaiar pelas insuportáveis dores. Também aconteceu um incidente meio desagradável: não consegui segurar e fiz xixi lá mesmo.

Demorei para notar que ela havia se dado por satisfeita de me torturar. Fui desamarrada, mas nem consegui me levantar. Minhas nádegas estavam em chamas e coberta por dois grandes hematomas roxos. Mesmo assim, sua vontade de me machucar não havia sido saciada, porém, como eu não aguentava mais nada, ela ordenou que voltasse no dia seguinte para a gente continuar. Mandou também que eu limpasse a urina que havia feito no chão e que fosse embora logo de sua casa. Foram alguns minutos até conseguir me vestir e deixar sua casa.

No dia seguinte, não saí do quarto até dar a hora de me encontrar com a minha dona. Minha empregada ficou reclamando por não ter ido ao colégio, nem ter comido nada. Estava com muita dor de cabeça e só queria ficar deitadinha na minha cama. Tomei uns remédios, mas parecia que nada fazia efeito.

Naquele estado de completa morbidez, fui me encontrar com minha algoz. Esta ficou apreciando a intensa coloração toldada que tomava as formas das minhas nádegas. Estava me sentindo tão apavorada pela possibilidade de ser torturada mais uma vez, que não consegui ficar calada:

– Senhora, eu já aprendi a minha lição. Não acha que já fui castigada demais?

– Não se preocupe cadela, dessa vez vai ser bem rapidinho. Ontem não deu para fazer tudo o que eu queria – então ligou o ferro e ficou queimando de leve várias vezes o meu bumbum.

Fiquei alguns dias escondendo as marcas e as dores atrás de mim. Inconscientemente, minha namorada contribuiu muito para ampliar minha agonia, por causa de sua maldita mania de dar um tapa na minha bunda quando me via de costas. Nessas horas eu só olhava para trás com um sorriso forçado nos lábios e os olhos cheios de lágrimas. Pelo menos, ocultar certas partes do corpo é mais simples (mesmo que bem mais dolorido) do que esconder um vestido…

(Sobre a autora, clique aqui)

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10 comentários sobre “Vestido e nádegas queimados

  1. não entendo… também como entender o próximo se nem eu me entendo…

    Mas estou o dia inteiro lendo seu blog, a tão esperada bofetada dos seus pais foram transferidas para suas “Donas”, não me parece justo…

    Mas sigo lendo .. do fim para o começo…

    :D

    • Então, acho que meus pais ficaram meio alienados com esse papo dos educadores desaconselharem o emprego de castigos corporais. Será que com essa nova lei haverá jovens buscando fora do ambiente familiar algumas palmadinhas educativas, assim como eu fiz?
      Beijinhos!

  2. Não entendo muito como funciona essa idéia de propriedade de alguém mas a princípio acho uma verdadeira loucura. Talvez o meu orgulho não permita submissões tão extremas como a da experiência que você retratou. Mesmo assim não estou aqui pra julgar.

    PS.: Não consigo parar de ler o seu Blog! Adoraria te conhecer pessoalmente!

  3. Isto é um absurdo sua domme não respeitou seus limites e nem seus direitos como submissa. Existe uma palavra(q vs cria) que voce tem todo direito de possuir e usar no BDSM quando a pratica ultrapassa seus limites e deixa de ser consensual.Esta palavra ao ser pronunciada, e anteriormente reconhecida pela domme, deve parar a sessão imediatamente.

  4. Que vaca!
    E eu fico me perguntando como se sente prazer através de uma dor tão intensa.
    BDSM hardcore nem é a minha praia, mas sempre tive uma safeword pra quando a coisa esquentasse.
    Olha só, espero que você tenha aprendido a lição e encontre uma domme que te respeite de verdade.
    Sorte e saúde pra todos – menos pra essa vaca!

    • Oi, Anne!
      Então, eu não senti prazer algum apanhando daquele jeito. Eu não sou muito masoquista, mas acho bonito quando ficam marcas no meu corpo.
      Atualmente eu estou com uma domme que me dá muito prazer, mas ainda não é a ideal. Enfim…
      Beijinhos!

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