Um diário de perversões sexuais


Desde pequena tive o hábito de escrever em diários. Era quase um compromisso escrever pelo menos algumas linhas todo dia (assim como estou tentando fazer nesse “diário virtual”). As primeiras páginas eram apenas mensagens floridas, coisas de qualquer menina sonhadora. Não acho que teria paciência de reler tudo que escrevi nessa minha fase. Ler aquelas primeiras bobagens serviriam apenas como um referencial se eu quisesse acompanhar toda minha mudança de personalidade. É essa possibilidade que me encanta nos diários.

Mesmo se quisesse fazer essa retrospectiva, não seria possível, porque quase toda essa minha produção literária particular ficou na casa do meu pai. Não me agradaria se ele a lesse, mas também nem me preocupo muito. Imagino que ele nunca a encontraria, já que raramente entrava no meu quarto. Melhor, assim não terá decepções por ler as centenas de páginas rancorosas destinadas à família. Em algumas dessas, escrevi uma carta em que me despedia de todos, só não dava para entender se eu iria fugir de casa, ou terminar de vez com a minha vida. Quando a escrevi, essa dúvida realmente pairava sobre mim. Foi uma maldita fase depressiva, viu!

Através de uma cena de um desenho animado, mudei temporariamente a natureza daquilo que escrevia. Se antes fazia apenas referências ao passado e ao presente, passei a verbalizar o que esperava do futuro. Como aquelas linhas eram o meu cantinho de liberdade, traduzi todas as minhas vontades em palavras. O resultado foi um tanto grotesco e no final mais parecia um amontoado de fetiches repulsivos de um adolescente com alta concentração hormonal.

Escrevi coisas bastante perturbadoras para uma menina, e foi a partir disso que passei a ter uma dimensão mais exata do que se passava comigo. Quem vê essa minha forma mais sutil de escrever, não imagina as grosserias presentes naquelas páginas. Para se ter uma ideia, pensem naqueles contos eróticos compostos basicamente por palavrões. Pois bem, descrevia desde a forma como gostaria que um homem me abordasse, até o que faria quando ejaculasse em mim.

Logo parei de escrever aqueles textos asquerosos. O motivo era muito simples: aquelas palavras provavam que havia uma espécie de “monstro” que se manifestava dentro de mim. As perversões sexuais continuam a se revelar na minha mente. Inclusive muitas delas estão presentes no meu cotidiano, compondo algumas fontes de prazer. Porém, ainda me causa um tremendo mal-estar ter que exprimir em palavras cada detalhe das minhas experiências. Bom, mas para não deixar de expô-las aqui, vou abusar ao máximo dos eufemismos. Isso garante àqueles que insistam em saborear este blog, que não lhes caia uma indigestão.

(Sobre a autora, clique aqui)

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2 comentários sobre “Um diário de perversões sexuais

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