Sexo para pais desprezíveis


Uma vez ou outra, sou contratada por certos vadios. Acho absurdo um pai – que mal tem dinheiro para oferecer o básico para a sobrevivência de sua família – gastar o pouco dos recursos que lhe restam por uma noite de prazer comigo, considerando ainda que o valor do meu serviço deixa um rombo significativo no orçamento familiar. É justamente o dinheiro que deixou de ir para os pratos dos filhos. Infelizmente, não posso interferir na liberdade de consumo das pessoas. O que pude fazer foi comunicar à minha cafetina de que não faço mais programas com esse tipo de gente. Mas no final das contas, essa minha negativa não surte efeito algum: o dinheiro continua sendo desviado para bebidas, drogas e outras mulheres.

Não bastasse esse absurdo, vivenciei uma proporção muito pior dessa situação no mês passado – eu até iria escrever sobre isso no dia, mas não consegui. Quase nunca sei que tipo de pessoa vou ter que encarar quando saio para o serviço. Naquele dia, já esperava pelo pior, assim que veio uma avelhantada Belina vermelha me buscar. Atrás da direção, nada menos que um jovem gambá bêbado. Mesmo assim, fui toda afável com esse pobre diabo desde o momento em que entrei no carro. Conversou comigo o tempo todo: me chamava toda hora de “guria deliciosa” enquanto esfregava a mão na minha coxa e deixava de passar a marcha.

Chegamos num barraco imundo, o qual lhe servia como abrigo. Tudo bem que sou desorganizada, mas nunca deixei acumular lixo dentro de minha casa. Deduzi que provavelmente ele morava sozinho, mas não era bem assim. Verteu duas doses de pinga, sendo que lhe acompanhei em uma delas. Cambaleando, aproximou-se de mim, passou a língua pelo meu pescoço e baforou um hálito bêbado seguido de obscenidades no meu ouvido. Com uma vontade de terminar tudo rapidamente, prostei-o no sofá e comecei o sexo oral, ao mesmo tempo em que me desfazia de minhas roupas.

No meio do programa ouvi um barulho e me pareceu que alguém tinha acendido uma luz. Perguntei que barulho era aquele, mas ele me mandou calar a boca. Foi até a porta e conferiu se estava mesmo trancada. Ao ser questionado mais uma vez, respondeu que não havia ninguém em casa e ordenou que ficasse quieta de novo. Voltou a me penetrar, mas fiquei me atentando apenas àquela porta; em quem estaria no cômodo ao lado.

– Tem alguém atrás da porta! – avisei em voz alta antes de me levantar para pegar minhas roupas e ir embora. Foi então que se revelou ali perto o ruído de alguém correndo.

– E daí? Você está com vergonha?

– Vergonha!? Provavelmente aquela pessoa não deveria estar vendo ou ouvindo essas coisas!

Fui embora daquela casa sem olhar para trás para não presenciar nada que pudesse me impressionar. Porém, ao passar pelo quintal, notei que havia algumas roupas de criança penduradas no varal.

(Sobre a autora, clique aqui)

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