A impossibilidade de me amar


Queria ficar no meu cantinho. Nesse lugar onde não pudesse incomodar mais ninguém. Às vezes, a solidão não me parece um castigo; é apenas uma forma de prevenir possíveis ressentimentos com as pessoas que me relaciono. Problemas de uma pessoa incompreensível, até por si mesma. Ai, se eu soubesse controlar os impulsos, limitar as expectativas e medir as consequências. Grande incapacidade. Como é que consigo produzir tantos erros, sempre os mesmos erros? Insisto em buscar alguém que me complete. Demonstra minha vontade de ter contato com uma pessoa, em vez de conhecer apenas genitais. O sexo já não mais me completa, mas ainda serve para conter algumas aflições. Infelizmente, minha carência não está incluída entre elas. E logo vem o erro de tentar aliviá-la me submetendo a qualquer um na cama. Ora, eu trabalho com pessoas, tenho um contato íntimo com elas. Se fosse um casal de namorados, fazer amor contribuiria para a consolidação do relacionamento. Então, me confronto com um problema: não sei separar amor de sexo. Mas as pessoas com as quais me relaciono estão muito confortáveis a respeito dessa dualidade, a ponto de me impor duas alternativas: se quero amor, não poderei ter sexo; se quero sexo, não poderei ter amor. Inconscientemente, escolhi esta última opção. Mas eu queria mesmo era criar uma terceira alternativa que implicaria em sentir amor por uma prostituta. Escrevo isso consciente de que se fosse comigo, um relacionamento assim estaria predestinado ao sofrimento. Como sempre, meus vícios só trariam arrependimentos e mágoas. Por isso, melhor mesmo é ficar no meu cantinho…

(Sobre a autora, clique aqui)

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Um comentário sobre “A impossibilidade de me amar

  1. Apesar de sua situação ser especialmente difícil, sua solidão não difere muito das pessoas “normais”. No fundo estamos todos mais ou menos sozinhos e inventamos todos os dias formas de conviver com esta constatação. Trabalho, religião, vícios, fugas, tudo no fim se equipara. O que difere é a forma como cada um encara o fato. Os mais adaptados são aqueles que o ignoram e o fazem naturalmente. Mas esta alternativa não mais faz parte das suas possibilidades. Você terá que conviver com a sua lucidez não importa pra onde você vá.

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