Medo aceso pelas luzes apagadas


Fico bastante apreensiva ao andar pelas calçadas durante a madrugada. Isso não acontece com frequência, porque geralmente os clientes me deixam em casa. Bom, prefiro arriscar uma carona com um desconhecido do que ser abordada por outro na rua. Já não caminho mais desacompanhada numa hora dessas. A única coisa que enfrento sozinha é um vento bem gelado que maltrata meu corpo quase todo descoberto.

Tenho questões mal resolvidas com algumas garotas que trabalham na rua. Apanhei por motivos tão bobos (leia-se clientes) e também sem motivo aparente; sei lá, me bateram, porque queriam me bater. Não tenho muitas coisas valiosas, então superei rapidamente os prejuízos dos assaltos. Ficou apenas o medo, que atingiu toda sua intensidade naqueles abusos que cometeram contra mim. Por esses motivos, geralmente, ando com a companhia de alguma das minhas colegas. E logo apresso o passo, evito passar por certas avenidas e não olho diretamente para as outras pessoas.

Onde moro não tem muita iluminação. As pessoas de fora que passam por aqui numa hora dessas podem pensar que pelo menos as sombras cobrem a miséria. Não sei, mas eu já penso diferente. A escuridão, que esconde o lixo das ruas e as fachadas das casas mal conservadas, é a mesma que evidencia um grande problema das áreas além do limite do progresso: a insegurança. Bem aqui eu descobri que ainda tenho medo do escuro…

(Sobre a autora, clique aqui)

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