O que leva às orgias da vida


Eram doze rapazes para duas moças. Virtualmente, dizemos que eram seis clientes para cada uma, mas no final das contas, nós acabamos fazendo com todos o que seria equivalente a fazer sozinha com apenas metade. Não é uma regra, afinal uma sempre acaba se fodendo mais do que a outra. Infelizmente, quando possível, tenho a mania de ficar reparando em quem trabalha mais durante uma orgia e várias vezes constatei que fui eu. Só não me incomodo muito, porque não acredito na validade desses meus critérios de observação.

Ajoelhada no chão, já sem minhas roupas, fui cercada por uns cinco homens apontando seus instrumentos para o meu rosto. Atrás de mim, a Nádia, minha colega de trabalho, estava no sofá entretendo outros quatro homens. Como tinham muitos caras me cercando, essa foi a última imagem que tive dela.

Já havia se passado umas duas horas desde que comecei meu serviço, quando comecei a notar que mais homens se agrupavam perto de mim. Parados, me observavam aguardando o momento de serem apreciados pelos meus orifícios. Então comecei a ficar encanada com isso: “por que eles não vão lá se divertir com a Nádia?”, pensei. Quando eles estavam me levando a um quarto, perguntei onde estaria a outra prostituta.

– Sua amiguinha já foi embora.

– Como assim?

– Ela disse que tinha que resolver um problema.

E me deixava com outro. Que ótimo… quer dizer então que ela vai embora sem me avisar e ainda me deixa sozinha com doze clientes? E o meu trabalho prosseguiu, bem mais cansativo do que o esperado. Enquanto abusavam de meu corpo, a todo momento me questionava por que aquela maldita prostituta havia fugido. Terminado o programa, mal conseguia fechar minhas pernas. Na hora do pagamento, recebi algumas dezenas de reais que de forma nenhuma compensariam o esforço pelo qual passei (a falta de generosidade da minha cafetina é imensurável).

Não me encontrei com a Nádia por uns quatro dias, até ser informada pela minha cafetina de que ela estava cuidando da filha que estava muito doente. Senti que fui um pouco precipitada no julgamento da minha colega. Deveria ter considerado que ela tem que encarar preocupações bem diferentes da minha realidade. Pensei em lhe fazer uma visita, mas talvez pudesse parecer inconveniente.

Já no dia seguinte, fomos trabalhar juntas. Ela nem precisava ter me dito que sua filha ainda não estava bem; dava para notar isso em cada traço de expressão de seu rosto. Sentadas no banco de trás carro, passei meu braço pelas suas costas e fiquei acariciando seu ombro. Sempre fomos frias e distantes uma da outra, ainda que minha boca tenha explorado cada parte de seu corpo. Aqueles poucos minutos no carro foram o primeiro momento em que pude demonstrar um gesto de carinho, um toque bem diferente – e até um pouco incômodo – daquelas carícias que trocávamos durante o sexo.

Pela sua postura, imaginei que a Nádia não conseguiria satisfazer os clientes. E era exatamente isso que estava acontecendo. Suas reações eram sutis e dessincronizadas com os movimentos daqueles homens. Estava completamente distante, desumanizada. Na outra ponta, estava me valendo de todos recursos enfáticos que conheço para compensar a falta de ânimo da minha companheira. No auge da minha simulação de orgasmos múltiplos, vi minha colega levando tapas em seu rosto de um sujeito descontente com o sexo oral. Ele puxava o cabelo dela para baixo e proferia uma dezena de palavrões. Ali estava identificado o cliente-problema.

Livrei-me dos falos introduzidos em meu corpo, deixando-os bastante enraivecidos, e fui tratar intimamente com o animal que agredia a minha amiga. Comecei passando minha língua pelo seu saco para em seguida retirar o pênis da boca da outra e passar para a minha. Pedi para a Nádia ficar lambendo minha xana, enquanto eu desafiava aquele sórdido indivíduo. Segurei seu pênis, fiquei batendo-o no meu rosto e provoquei:

– Bate em mim, vai!

Recebi três tapas fortes na minha cara. Em seguida, engoli todo o pau dele e sorvi com bastante força. Tirei-o da minha boca, apertei-o com as duas mãos e desafiei aquele covarde mais uma vez:

– Agora bate que nem homem!

Dessa vez ele não conteve sua virilidade e me bateu para valer. Ficou tão excitado com tudo aquilo que durante o resto programa não deixou de ser violento comigo. Puxava meus cabelos, mordia minhas costas, espremia os meus seios, apertava o meu pescoço… era como se eu tivesse despertado o Sr. Hyde que havia em seu interior. O pior é que esse estado de barbárie parece ser contagioso, assim outros se permitiram me violentar.

Agora tinha tanto homem em cima de mim, que não conseguia ver o que estava acontecendo com a Nádia. Imagino que eles não foram nada bonzinhos com ela por minha culpa, ou seja, não bastasse minha estratégia ter dado errado, contribuiu ainda para piorar a situação.

No final, fiquei satisfeita ao me comparar com minha amiga e constatar que, aparentemente, eles abusaram bem mais de mim dessa vez. Tanto que me recompensaram com vinte reais (isso é muito se considerarmos que quase ninguém deixa gorjeta). Troquei esses vinte reais por duas notas de dez que tinha na minha carteira e coloquei-as na bolsa da Nádia. Não sei, mas penso que se ela veio até aqui ao invés de ficar lá cuidando da filha doente é porque precisa desse dinheiro para investir naquilo que mais ama.

(Sobre a autora, clique aqui)

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9 comentários sobre “O que leva às orgias da vida

  1. to lendo seu blog td fora d ordem e nem faz tanta diferenca. to qze terminando e eh o primeiro comentario. d t-u-d-o q li (ja sabia por experiencia q a peversao humana vai longe) esse eh o primeiro post q sua atitud me impressionou. vc a ajudou d um modo q ela compreenderia msm q vcs aparentemente nao tivessem contato alem do sexual. qria poder te conhecer mas, nao eh viavel p ambas. alem d td moro em sampa.

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