Por não haver amor em miniatura


Hoje é o terceiro dia dos namorados que eu passo sozinha, depois de ter terminado com a minha ex. Pior. Estou solteira não só nesta data, faz quase dois anos e meio que não namoro ninguém. E nesse tempo todo, conheci muita gente e também flertei com outras tantas. Mas nunca me bateu aquele interesse em namorar, e a explicação que ando aceitando é relativamente simples: ando vendo intenções libidinosas em qualquer pessoa.

Vamos a alguns esclarecimentos. Nas horas em que não estou trabalhando, sempre quando dou em cima de um homem (até mesmo em situações inconvenientes) priorizo minha sensualidade, expressa basicamente por movimentos do meu corpo e uma ou outra palavrinha para provocar. Ou seja, minha própria forma de abordar alguém é bastante erotizada, chegando até picos de pornografia. Esse meu jeito oferecido desloca-se quase sempre no âmbito das possibilidades, porque na hora de colocar em prática todas as minhas sugestões, fujo com o rabinho entre as patas. Com razão, os homens ficam revoltadíssimos e proferem todo tipo de injúrias contra mim.

Agora, para o homem se aproveitar um pouquinho de mim (passar a mão, agarrar e quem sabe beijar) não é necessário muito esforço; basta certas obscenidades, o que é natural qualquer macho dizer, e prontinho, deixo me pegar por alguns minutos. As piores maneiras de se abordar uma mulher funcionam muito bem comigo. Simples e rápido. Sem preconceitos de sexo, etnia, classe social, idade, nacionalidade etc. O único padrão que regula toda essa libertinagem é o meu humor. Funciona assim: quando estou feliz, não quero ninguém insistindo em fazer safadeza comigo; nos momentos de tristeza, caio nos braços de qualquer um, para me sentir desejada e não muito vazia.

Nessa pouca vergonha toda, o amor não passa de um fugaz ponto fora da curva. Triste, muito triste. E aí vai uma mensagem de sabedoria da minha filosofia de bordel: “O amor é tão necessário na vida de uma garota de programa, quanto o sexo na vida de um casal”. Infelizmente isso anda fazendo muito sentido para mim e o reflexo disso é a carência. Já perceberam como as mulheres exageram no diminutivo quando estão carentes? Pois então, eu sou praticamente um diminutivo ambulante – em vários sentidos, do ínfimo ao gracioso. Em comparação, o amor sempre toma a forma superlativa, sempre é intensificado (mesmo quando não é tudo isso). Por isso o amor engrandece as pessoas…

E por isso eu sou assim tão pequenininha…

(Sobre a autora, clique aqui)

Também no blog:

A impossibilidade de me amar

A problemática dualidade namorada/vadia

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Um comentário sobre “Por não haver amor em miniatura

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