Insistência em disciplinar pela agressão


Na minha adolescência, em contraste com toda minha rebeldia contra meus pais, fui disciplinada dentro de alguns “valores” do BDSM. Não bastava apenas conversar comigo, era bastante necessário me agredir verbalmente e fisicamente. Foram esses métodos tão condenáveis atualmente que me permitiram explorar minha essência como submissa. Só que eu não queria ser submetida apenas em momentos sexuais. Esperei vários anos pela vez em que meu pai perderia o controle e daria o primeiro tapa em meu rosto. Motivos não faltaram, mas isso nunca aconteceu. Cabia a mim mesma adotar os princípios educativos à moda antiga. Algumas vezes, pegava o cinto do meu pai e ficava batendo em minhas costas. Só parava quando alguns hematomas se espalhavam pelo meu corpo. Essas marcas só me faziam recordar os meus erros, sem tentar corrigi-los.

Como a autoflagelação criava apenas uma falsa imagem de que eu estaria sendo castigada pelas minhas irresponsabilidades, fui buscar no sadomasoquismo alguém que pudesse me punir. Estava consciente de que este não seria o melhor jeito de me educar, porque estava bem vinculado ao prazer. Para contê-lo, minha dona utilizava-se de certa violência até me machucar mesmo. Era bom porque eu me sentia mais aliviada, acreditando que a justiça – baseada no meu código penal particular (sou contra qualquer tipo de punição que se faça pela violência, a menos que esta seja infringida em mim) – havia sido feita. Ainda assim, reincidia nos meus crimes várias vezes, de modo que as penas eram intensificadas. Foi assim até atingir um nível de dor que me parecia insuportável, além do risco de gerar alguma grave lesão no meu corpo. Insensível como uma pedra, essa minha dominadora não sabia diferenciar bem uma sessão de spanking de um ato de brutalidade (talvez na época nem eu soubesse). Mas ao invés de eu parar de fazer besteiras, simplesmente deixei de comunicá-las. Preferi ficar apenas com a dor da culpa.

(Sobre a autora, clique aqui)

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2 comentários sobre “Insistência em disciplinar pela agressão

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