Passado e presente de uma infantilista


Havia comprado lencinhos umedecidos, talco infantil, uma mamadeira, uma chupeta em forma de joaninha e fraldas da Turma da Mônica. Até gostaria de ter filhos, principalmente para provar a mim mesma que posso ser uma mãe bem melhor do que a minha já fora. Não há como desconsiderar que, devido à sua ausência, eu tenha me tornado uma garota bastante carente. Acho que foi por isso que, na minha adolescência, busquei vivenciar as experiências pelas quais não passei durante minha infância. Assim, minha personalidade não se desprendeu muito da de uma criança.

Levei todas as compras para o meu quarto. Tirei minhas roupas e fiquei observando meu corpo diante do espelho. Eu tinha quase 17 anos e não estava muito satisfeita com as minhas medidas. A puberdade já havia passado, e eu ficaria com uma aparência infantilizada. Mesmo assim, nessa época, comecei a aceitar minha imagem de ninfeta, abandonando de vez meu desejo pelas próteses de silicone. O que me incomodava ao ver meu reflexo era perceber a fragilidade de uma criança, porque naquele momento tinha vontade de chorar pelas recordações de um passado recente.

No dia anterior, havia me encontrado com a mulher que me dominava e mantinha relações sexuais comigo. Em nossas sessões de sadomasoquismo, ela sempre começava me batendo e ainda no início meus olhos já começavam a lacrimejar. Bastava ela constatar que eu estava segurando as lágrimas para começar a me chamar de bebê ou criança. Desconhecendo a relação amargurada que tenho com minha família, a todo o momento me obrigava a pedir pela ajuda da minha mãe. Idiota.

Realmente, eu me sentia uma criança. Então, naquele último dia, eu disse a ela sobre meu fetiche de ser tratada como bebê, usar fraldas e tudo mais. Só que a questão era a seguinte: como dominadora, só ela poderia ter suas fantasias realizadas, de modo que não levou a sério nada do que eu disse. Para completar, desdenhou desse meu pedido e colocou na minha cabeça que seria ridículo fazer aquilo. Mas mesmo que fosse, achei que tivéssemos intimidade suficiente para ela me oferecer aquele tipo de prazer.

Agora estava sozinha, na privacidade do meu quarto, completamente despida, apenas com dois laçinhos no cabelo. Fazia poucos dias que havia depilado o meu sexo. Passei o lencinho nele e no meu ânus. Depois, bastante talco para deixar um cheiro de bebê. Coloquei a fralda (muito bonitinha por sinal), que ficou bem justa no meu quadril, e fui me olhar no espelho já com a chupeta na boca. Tentei abstrair todos os meus preconceitos para aproveitar o prazer de sentir essa infantilidade mais intensamente. Achei que surgiriam alguns conflitos, mas no final restou somente uma imagem graciosa de mim mesma.

Deitei sob os cobertores e fiquei bebendo leite quente na minha mamadeira. Tudo parecia muito confortável; exceto por um detalhe que me incomodava: eu estava sozinha. Então me agarrei nas cobertas como se elas pudessem me proteger. Só depois de algumas horas consegui dormir como um bebê. Mas o tempo passou muito rápido e logo acordei já com os meus 16 anos. Não me interessava mais em reviver a minha infância, contudo, se possível, teria refeito esse passado distante de uma forma que, posteriormente, não precisasse tentar consertá-lo de um jeito artificial.

(Sobre a autora, clique aqui)

Também no blog:

Em busca de outro público-alvo

Falar da mãe

Anúncios

21 comentários sobre “Passado e presente de uma infantilista

    • Oi, Fernando! ^^
      No post eu contei como foi minha primeira experiência infantilista. Mas já repeti essa fantasia outras vezes. Sou uma moça de 20 anos que se excita ao usar fraldas, mas isso não acontece com muita frequência.
      Obrigada pelo seu comentário e volte outras vezes!

      • Ahh, então vc eh uma nenem linda e fofinha .. ao menos de vez em qdo .. rs
        Fico aguardando novos posts sobre o assunto.
        E se quiser conversar, estamos ai .. rs

        Bjos

  1. Posso ser sincera? Eu e minha amigas, nao gostamos nada do que vc escreve. Devia escrever romances, culinaria, entende? Coisas que jovens que esta prestes a se casar gostam, entendeu?

  2. Ligia Nagila é um fake invejoso(A) desocupado, que esta sentindo-se ameaçado pela sua intensidade de emoçoes,modo adoravelmente detalhista de se expressar,sua inteligencia, uma vida genuina sem estereotipos limitados, onde vs ama e sofre na mesma profundidade, com plena certeza das consequencias, inveja de sua experiencia de vida. Inveja por que voce esta viva querida.E nao apenas sabendo que esta vivendo. Mais vivendo,seguindo em frente,errando e acertando mais em busca de si mesma, da vida, do amor. Do prazer do Absolutismo em si. No final ao contrario desta(E) e de muitos acomodados,influenciados e manipulado por aew voce olhara para traz, com toda sua experiencia, e sentira no mais profundo de si mesma que tudo pelo que passou,esta passando e vai passar valeu a pena.

  3. Belo post me endentifiquei Tambem tenho esse vamos dizer a sim “fetche” mais num tive corage de contar a algem e espero achar algem iguam a min algum dia :'( n consigo dormir direito quamdo fico sem pepeta tenho 14 anos tenho esse fetche deis dos 12 ou menos n lembro mais numca consegui ficar muito tempo sem praticar o “infantilismo”

Compartilhe também sua opinião

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s