Triste constatação de uma gp imperfeita


Antes de entrar para a prostituição, eu me sentia uma autoridade na arte de fazer sexo, o que me garantiria uma carreira de sucesso. Ora, entrava para esse serviço com um currículo que, quantitativamente, não ficava atrás do de uma profissional do sexo. Na categoria diversidade de práticas sexuais, sem dúvidas, seria uma das mais experientes, visto que minha curiosidade me fez experimentar uma grande variedade de fantasias (foi nesse momento que me toquei de como a mente humana é pervertidamente criativa). Pode acrescentar também nessa ficha que sou especializada em atrair a atenção dos homens para depois facilmente seduzi-los. Não coloquei que sou linda, porque alguns dizem que existem mulheres mais bonitas do que eu (me falaram de uma tal de Angelina), então deixei só a qualidade de ser lindinha. Logo no final desse documento, depois da assinatura do meu nome, segue um humilde aposto: “a profissional do sexo perfeita” (já que a Angelina não é prostituta).

Agora é hora de esvaziar um pouco esse meu ego, para permitir que o leitor respire melhor. Essa pequena amostra do meu currículo deveria ser queimada! Ai, ai, me apresento como uma patricinha prepotente querendo pagar de prostituta. “Patética…”, muitos pensariam. “Muitíssimo patética!”, eu reforçaria. Na realidade, não pensava exatamente daquela forma, quando decidi me prostituir oficialmente, mas de fato eu me achava mais interessante que a média, até que levei o primeiro baque que me derrubou desse salto.

Foi o primeiro programa que eu fazia junto com outra colega de profissão. Lá estava eu, confiante nas minhas habilidades, quando espiei um pouco de ladinho e vi a outra moça fazendo sexo feito um animal no cio. Parei de observar para não ficar com inveja, mas o gemido do casal ao lado era tão intenso que toda hora eu virava para dar aquela última olhadinha. Isso me deixou inquieta, pois o cliente que me penetrava estava quase de luto. “Cliente ruim esse que fui arrumar”, lamentei. Então fizemos a troca de casais e não é que aquele cliente filho da mãe começou a gemer mais alto, ao fazer sexo com a outra. Revoltada, primeiro senti ciúmes. Mas não tinha como negar: “Ayana, infelizmente, você é uma péssima prostituta!”, sentenciou minha consciência sempre tão cruel comigo.

Admiti minha ingênua ignorância e, observando as outras profissionais, fui aprendendo a fazer sexo como uma prostituta e não mais como uma patricinha metida. Só para esclarecer, não pensem que os meus primeiros clientes saíram no prejuízo por eu não saber fazer direito, se considerarmos que naquela época o meu serviço era bem baratinho. Agora está mais caro, não porque eu me profissionalizei, mas sim porque têm outras pessoas sendo favorecidas em cima desse meu trabalho especializado…

(Sobre a autora, clique aqui)

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