Socialização limitada pela prostituição


No início de 2008, deixei a casa de meus pais e fui ter uma nova vida relativamente normal. Morava sozinha, fazia cursinho de manhã, trabalhava à tarde e vez ou outra me prostituía à noite. Nesse meu primeiro ano de cursinho, fiz bons amigos durante um período que durou até quase o final do ano – antes de conhecerem meu lado mais sexual.

Desde o primeiro dia de aula, o Mateus conversava comigo, sempre com segundas intenções. Era bastante persistente, tentou de todas as formas me conquistar. O que mais me encantava nele era que insistia de uma forma que não se tornava inconveniente, muito pelo contrário, era até bem divertido. Ele fazia parte do grupo dos populares do cursinho, que era o pessoal que estava lá há mais tempo. Por causa disso, eu também fiquei visada lá na sala.

Minhas amizades iam muito bem, até que um dia, fiquei com o Mateus em uma festa. Naquela mesma noite, fomos para debaixo dos lençóis onde ele me penetrou de todas as formas. No dia seguinte, permiti que repetíssemos aquela noite de prazer. Nisso ele sempre reforçava a constatação de que não esperava que eu fosse assim tão vadia. De certa forma, tais palavras umedeciam minha regiões íntimas.

Logo a sala toda estava bem informada das poucas noites que dormimos juntos. Mas isso nem me abalou tanto e continuei a me socializar como de costume. Como nada na minha vida tende a terminar bem, comecei a ser um pouco destratada, quando fechei de vez minhas pernas para o Mateus. Para piorar, pouco depois dessa minha decisão, descobriram que eu andava me prostituindo. A revelação partiu de um colega de sala que viu minha foto num catálogo e me reconheceu pela tatuagem.

O Mateus se sentiu como se eu tivesse lhe traído com dezenas de homens. Passou a me tratar muito mal mesmo. Ainda conseguiu inverter a situação, dizendo que ele é que não queria mais transar comigo por eu ser prostituta. Por algumas semanas tive que conviver com provocações, ofensas e dezenas de assédios. Quando eu protestava, diziam que eu havia sido “mal comida”. Evitando mais desses constrangimentos, me calei.

Certas características destacam-se mais no caráter de uma pessoa. É a partir dessas que o indivíduo é rotulado. Durante quase um ano, fui julgada como uma pessoa agradável. Entretanto, no final de tudo, essa característica simplesmente se dissolveu, e a última imagem que me impuseram foi somente a de uma prostituta.

(Sobre a autora, clique aqui)

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4 comentários sobre “Socialização limitada pela prostituição

  1. O problema creio que nem era voce ser prostituta, era ser fora do padrão. Implicância desse tipo ocorre por vários motivos diferentes. Pessoas em grupos, ainda mais jovens, costumam ser bem cruéis.

    Alguma vez tentou usar o fato de ser gp como uma qualidade, algo de valor? Porque, na sociedade que vivemos hoje, feito direito poderia até dar certo.

    • Não sei se é bem isso, porque aparentemente, sou uma garota “normal”, além disso já que fazer sexo é bem comum nessa minha idade, não é nada que foge dos padrões. O problema é que eu faço sexo como prostituta.
      Então, a prostituição tem sim as suas qualidades, tanto que eu continuo nela (Hmmm… talvez um tema para um próximo post). Se a mulher souber administrar o dinheiro, consegue ascender socialmente até bem rápido. Ok, tem seu lado bom, mas não saberia afirmar se compensa pelas situações que a garota passa.
      Muito obrigada por comentar e volte sempre!

  2. concordo com o “Bondagista” na primeira parte…. fazer sexo nessa idade 18/20 anos é comum e banal para mulecada do cursinho, que depois se gabam em comentar e comemorar o troféu, mas na verdade o sexo é limitado, chato, burocrático e no final só resta somar ….quantidades…

    agora o ser fora do padrão, prefiro pensar na intensidade e não no fato de ser gp as vezes….

    Intensidade aí uma palavra que não tem no vocabulário dos jovens qdo falamos em sexo…

    :D

  3. Ah, bicho, cê vai me desculpar, mas é o seguinte: além de linda, glamourosa, boa cozinheira, taróloga, astróloga, terapeuta de pit bulls eu também sou excelente em diagnosticar pessoas. ó o diagnóstico pr’ocê: dedo podre. cê tem um dedinho podre pra relacionamentos, coisa triste!
    Sorte e saúde pra todos!
    – menos pro babaca do Mateus e o bandinho de babaca do cursinho!

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