A vontade de ser de todo mundo


Não sei se isso acontece com a maioria das garotas de programa, mas é uma percepção que foi acentuada após me inserir na indústria do sexo. Sempre fui uma mulher extremamente infiel, característica profundamente condenável numa sociedade que prega a monogamia. Então chega um momento da minha vida que decido me aproveitar dessa minha cobiça por vários parceiros para me reconhecer de vez como uma garota de programa. Seria insistir em cometer os mesmo erros, mas agora de forma remunerada.

Essa profissão me fez tratar qualquer relacionamento sob a perspectiva de uma vadia, que se difere da visão de uma prostituta por não haver necessariamente interesse financeiro. Isso significa que não conseguiria manter um relacionamento – tanto no sentido amoroso, como sexual – com apenas uma pessoa. Acho que me é conveniente trabalhar na prostituição pela oportunidade de me relacionar, mesmo de forma limitada ao sexo, com vários perfis de homens. Talvez ninguém possa me completar, porque sempre haverá em mim a ânsia pela quantidade; uma vontade de me tornar quase um serviço público, disposto a proporcionar prazer a quem estivesse carente.

(Sobre a autora, clique aqui)

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5 comentários sobre “A vontade de ser de todo mundo

  1. Você é bem corajosa ao assumir sua intimidade… Eu confesso que não tenho jeito pra ser prostituta, porque não é sempre que quero fazer sexo e quando não quero eu me torno insuportável… E aguentar homens que não estou a fim também não é legal… Posso até estar enganada, mas creio que nem sempre é a prostituta tem a opção da escolha do parceiro…

    Beijocas

    • Oi, dama de cinzas! =)
      Fico muito contente que tenha voltado ao meu blog. Eu sempre dou uma passadinha lá no seu.
      Então, um dos problemas da prostituição é que a mulher acaba ficando muito presa ao sexo, que deixa de ser apenas um momento de prazer. No meu caso, independe da minha vontade de fazer sexo, porque não sou eu que negocia com o cliente. Mas têm garotas que já se estabilizaram e podem se dar ao luxo de selecionar clientes (confesso que para mim isso é meio fora da realidade).
      Beijos, beijos! =*

    • Bem, é estranho pensar em pagar um homem, quando são os homens que me pagam. Mas, sim, eu pagaria para alguém realizar meus desejos sexuais (os mais sórdidos), pelo simples motivo de não ter que estabelecer nenhum vínculo com essa pessoa. É bom ter um anônimo como confidente. =)

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