A triste sina de Virgínia


“Ai, o que o meu namorado vai pensar se eu deixá-lo finalizar na minha boca?”, questionou-se Virgínia.

Com toda essa insegurança, Virgínia jamais deixou o sexo convencional: beijos na boca, papai e mamãe, oral de vez em quando, enfim, tudo muito sem graça. Recorreu ao chocolate que lhe proporcionava bem mais prazer, exceto nos raros momentos em que se masturbava, sendo que logo após o orgasmo, vinha-lhe a culpa por fantasiar certas perversões sexuais. Limitada em seu mundinho puritano, ainda pôde estabelecer várias metas para sua vida: ser boa esposa, boa mãe, boa empregada, boa vizinha, boa amiga e assim por diante.

“Ah, ela é uma piranha!”, observou um cliente qualquer, ao se referir a mim.

Satisfeita com esse meu rótulo, ainda fico pensando: “o que seria pior do que logo de cara ser chamada de piranha?”. Mesmo se exista ofensas piores, certamente elas estão fora do pífio vocabulário de meus clientes (e do meu também). Mas claro que há vários outros adjetivos equivalentes (vagabunda, por exemplo). Nesse texto, usarei a palavra “piranha” como representação de todos os julgamentos negativos dirigidos a uma garota de programa (o leitor pode trocar a palavra em questão por alguma que lhe é mais familiar).

Voltando ao raciocínio, o fato de ser chamada de piranha permite que eu aja como tal. O que não é o caso da nossa personagem Virgínia, que nada mais é do que um arquétipo de muitas mulheres mais conservadoras. Pois bem, como garota de programa, a expectativa do meu contratante é que eu seja uma completa vadia na cama. Nesse caso existe uma inversão de valores: é legal ser piranha! Isso até demonstra certo profissionalismo na área, além de um astronômico diferencial entre a prostituta e as Virgínias da vida.

O grande benefício de trabalhar como puta é poder agir, oficialmente, que nem uma puta (no sentido pejorativo mesmo). Está aí manifestado um grande prazer que tenho pela prostituição, que seria viver quase que constantemente numa fantasia, onde poucas moças estariam preparadas para assumir essa minha personagem. Observemos uma jovenzinha mais fundamentalista segurando, apenas com os polegares opositores, o órgão genital masculino – já devidamente encapado pelo preservativo – para depois abocanhar apenas a sua glande. Podem chamar isso de nojinho.

Agora se fosse eu – uma profissional do sexo, vulgarmente denominada de piranha no início desse texto – teria a possibilidade de fazer um oral um pouquinho mais intenso. A receita para isso passa por alguma dessas práticas menos ortodoxas: lamber o saco, esfregar e bater o pênis no rosto, abocanhá-lo inteiro, fazer espanhola e cuspir entre os seios (técnica personalizada), receber o esperma na boca, brincar com ele lá dentro (existem várias formas) e, em raras exceções, engoli-lo. Pronto, confessei algumas especificidades da minha chupetinha, até porque não preciso ter vergonha por fazer parte do meu trabalho. Só fico acanhada mesmo quando, ainda com o falo na boca, olho nos olhos dos meus clientes. Só pelos seus olhares, consigo ver a piranha que se manifesta em mim.

(Sobre a autora, clique aqui)

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4 comentários sobre “A triste sina de Virgínia

  1. Texto interessante, e mais uma vez muito bem escrito. Legal o assunto que abordou, a questão desse puritanismo entre algumas mulheres. Conheço muito homem casado e bem casado que acaba procurando o serviço de profissonais do sexo como voce para a realização de algo mais diferente na cama. Há até aqueles que digam que mulher pra casar não pode ser uma “piranha” na cama (me utilizando da sua palavra abordada no texto). Há um certo preconceito contra mulheres que sabem oque fazer na cama. Na minha opinião percorre na mente dos homens é que alguem que se interesse por inovar e que curta o sexo é alguem experiente, e consequentemente dormiu com vários outros, e que seria de pouca confiança pra um relacionamento sério. Mas a grande maioria ver como duas coisas diferentes a mulher pra um relacionamento e a mulher pra vivenciar fantasias.

    Acho que escrevi demais dessa vez.

    • Nessa sociedade machista, o peso da culpa de fazer sexo casual sempre vai recair na mulher, que é condicionada a se resguardar a apenas um parceiro (pior ainda quando impõem que seja feito apenas com fins reprodutivos). Felizmente, depois de queimar sutiãs, a mentalidade, pelo menos feminina, andou modificando bastante. Agora eu só não entendo por que os homens cultuam tanto a virgindade de uma moça. Se eu fosse um homenzinho, ficaria tenso de ser o primeiro, já que vai ser uma experiência um pouco dolorida para a mocinha. Ora, eu imagino que as mais experientes devam dar mais prazer.
      Beijinhos e escreva mais da próxima vez! =)

  2. Muito bom o texto… mas café bom é o caseiro, por isso prefiro tratar a dona da pensão como piranha… e ela adora…

    engraçado que muitas vezes com as GP’s fico mais timido sei lá, ainda mais se conheço a guria só no coito, na hora e tudo está ali para ser consumido sem palavras nú e crú….

    , tipo aquele café do bar que vc está louco para saborear pensando no que vc passa fresco em casa mas quando dá o gole está gelado…

    beijos,
    Mr.Parti

  3. Belo post, Baby, dá pena ver mulheres “tipo Virgínia”! Acabam sendo infelizes por não exercitarem a própria sexualidade e o prazer em toda plenitude. Salve as garotas que os machistas chamam de piranhas ou putas dentre outros adjetivos inadequados; elas sim são mulheres na verdadeira acepção da palavra. Vida longa a todas as garotas empenhadas em dar e receber muito prazer!!!!!

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