Prazer intensificado pelo capital


“Não faço sexo por dinheiro, mas sim por prazer. Embora também sinta prazer pelo dinheiro” – Ayana.

Sei que muitas pessoas achariam uma piada a prostitutazinha aqui fazer essa declaração. Mas antes de começarem a me sabatinar, adianto alguns esclarecimentos de questões que poderiam ter passado pela sua mente, assim como outrora já atormentara certos clientes meus. Claro que não vou perder meu tempo respondendo agora questões cretinas (a menos que alguém insista em fazê-las nos comentários) como, “já que tem prazer, então por que não dá para mim de graça?”.

São bastante comuns duas fantasias nas mulheres: fazer sexo com um desconhecido e ser remunerada por isso. Associando os dois desejos compomos os principais elementos constitutivos da prostituição (prioritariamente, o sexo como mercadoria). Pois bem, como estamos no campo das fantasias, os interesses mercadológicos são desconsiderados, ou seja, as mulheres não vão sentir prazer (pelo menos não de imediato) por poder comprar sapatos com o dinheiro do programa, mas pelo programa em si, que as permite vivenciar a experiência de ser uma meretriz.

Então, chegamos ao ponto em que eu queria. Antes de eu me tornar profissional do sexo, uma das minhas grandes fantasias era receber dindim para transar com qualquer desconhecido. Se usarmos esse parâmetro para definir o início da minha carreira, eu seria considerada prostituta já aos 16 anos. Entretanto, eu reconheço esse período como pré-prostituição, porque a profissão envolve mais do que a remuneração pelo sexo. É preciso divulgar o seu serviço no mercado, usar um tipo específico de roupa, adotar certas formas de abordagem, além de inventar um pseudônimo.

Acho que o principal detalhe que descaracterizava esse meu fetiche como uma forma de prostituição era o valor que eu cobrava para ir para cama com qualquer rapaz.

“Eu deixo você me comer se me pagar dez reais”, fiz minha proposta.

1º esclarecimento: Não, eu não precisava de dinheiro naquela época.

2º esclarecimento: Sim, eu daria para ele de graça.

“Dez reais!? Não, você não vale nem isso!”, protestou um rapaz.

“Tudo bem, tudo bem! Eu faço tudo por cinco. Mas se não aceitar, eu vou embora agora!”, negociei pela última vez.

Quanto menor o valor negociado, mais excitada eu me sentia. Acostumada a passar por vários homens de forma gratuita, seria uma incongruência de minha parte cobrar um valor abusivo por uma manifestação já petrificada como um vício. E é absurdo como apenas cinco reais mudam completamente o clima da relação. A começar pelo meu caráter de vadia que logo era substituído por o de uma putinha barata que estaria sendo forçada a manter relações sexuais. Estas eram muito mais intensas, uma vez que meus parceiros – na condição de consumidores – não se preocupavam em me proporcionar prazer. Achava melhor assim, porque nesses casos em que era abusada violentamente, o meu tesão assumia toda sua forma superlativa.

(Sobre a autora, clique aqui)

Também no blog:

Um corpo e nada mais

Anúncios

5 comentários sobre “Prazer intensificado pelo capital

  1. Oi linda!
    Vim retribuir a tua visita, gostei muito do teu blog.
    Vc aborda conteúdos muito interessantes.
    Tenho duas coisinha para te dizer:
    1 – O Wordexpress aceita os gadgets do Google, pq vc não integra teu blog ao Google Friend Connect, desta forma pode interagir com os assinantes do Blogger e tornar o teu blog mais acessadoe visitado.
    2 – Gostaria de fazer uma parceria comigo?
    BJOS
    Lena

  2. Princesinha, sempre me preocupo com o que minha namorada está sentindo durante o sexo, por mais que eu saiba que se no fim eu estiver satisfeito, ela vai adorar e até mentir dizendo que gozou. (o motivo que não pergunto se foi bom pra ela no fim)

    Mas duvido que você não goste de sentir as vezes esse tipo de preocupação.

    Se vc estivesse gostando (namorando,noiva, casada, ou só gostando mesmo) de um cara gostaria que ele tentasse criar um clima no sexo te oferecendo dinheiro? Se sua resposta for positiva, pensarei a respeito disso da próxima vez que for transar.

    Me pergunto se vai responder ou só mediante pagamento :P

    – Euler

    • Oi, Euler!
      Não sei se sou a pessoa mais indicada para responder sua pergunta, mas vejamos.
      O primeiro detalhe a se considerar é que você estaria estimulando uma fantasia (e não é qualquer uma que sua parceira vai aceitar). Se eu estivesse namorando alguém, eu não esperaria que numa noite de sexo ele fosse me oferecer dinheiro. No meu caso, o dinheiro era mais um complemento a minha fantasia de ser prostituta (eu já me vestia e agia como tal). Por isso, eu acho importante criar um clima antes de entrar com o capital. Sei lá, a parceira poderia se vestir de puta, ficar um tempinho na rua esperando e depois ser levada para um motel. Eu acho que é uma fantasia que no fundo toda mulher gostaria de passar, até porque a maioria já aceita o emprego de um palavreado mais vulgar na hora do sexo.
      Espero ter ajudado!
      Com relação ao pagamento, não vou cobrar agora, porque ainda estou começando minha carreira de aconselhamentos. Só quando minhas dicas forem muito famosas (vai ser sim, viu…), irei cobrar verdadeiras fortunas.
      Beijos, beijos!

  3. Muito interesaante essas duas fantasias femininas: fazer sexo com desconhecidos e ser remunerada por fazer isso. Será que com tempo esse desconhecido se tornando mais íntimo; as fantasias deixam de existir ou não???

Compartilhe também sua opinião

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s