A prostituta que aspira ao poder


(No dia das eleições, precisava muito escrever algumas considerações sobre política. Aí vão algumas)

Milhões de eleitores desinteressados, imagem pejorativa do trabalho de político, escândalos de corrupção, manipulação da informação pela “grande mídia”, proliferação de candidatos exóticos, voto de cabresto, controle do legislativo por alguns poucos partidos políticos, população pobre ideologicamente alinhada com a direita, alianças arbitrárias entre os partidos, reeleição dos mesmos coronéis da política, fragmentação dos partidos de esquerda, financiamento privado de campanhas políticas, lista fechada dos candidatos dos partidos, debate centrado em propostas continuístas, discursos superficiais, falta de representatividade de vários segmentos da sociedade no Congresso… enfim, após descarregar todas essas mazelas da política, sinto-me mais confortável em tentar por meio deste texto defendê-la.

Até entendo que muitas pessoas estejam desacreditadas quanto à atuação do governo, pelo mau exemplo de alguns políticos (será que convém reforçar que não são todos?). Todavia, eu me sinto muito mais decepcionada com os eleitores e, nesse caso, leia-se como os cidadãos responsáveis por permitir que figuras de caráter duvidoso decidam a política de nosso país. Se tantas pessoas estão descontentes com a política, não deveria justamente haver um movimento de a população se conscientizar mais na hora de votar? Não entendo… certas pessoas esperam uma melhora na forma de governar, mas insistem em votar nos candidatos mais esdrúxulos.

Imagine só, já pensei em me candidatar a deputada, mas claro que meu passado iria comprometer completamente a minha campanha (além de ainda não ter a idade mínina para concorrer às eleições). Em todo caso, acredito que minha principal proposta seria tentar implementar uma reforma política (limitando o poder dos partidos) e eleitoral (voto em legenda com lista aberta e financiamento público de campanhas). Talvez essas propostas resolveriam alguns dos problemas apontados no primeiro parágrafo, mas certamente não garantiriam a confiança do eleitorado – que ainda prefere ouvir os discursos superlativos de mais saúde, mais educação, mais segurança, mais trabalho, mais, mais, mais – para votar em mim. Por isso teria que apelar para a minissaia na hora de sair para as ruas fazendo campanha.

Esperar-se-ia que a plataforma de projetos de uma garota de programa estaria centrada em questões sexuais, como a regulamentação da prostituição, a instituição do casamento homossexual, a descriminalização do aborto, a distribuição de contraceptivos em escolas públicas etc. Certamente são propostas que eu me engajaria, mas acho que o trabalho do político vai muito além do que defender apenas o interesse do segmento que o elegeu. O que percebo é que muitos políticos não têm a consciência de que possuem um cargo que, acima de qualquer coisa, está representando toda população nacional ou de seu estado. Acredito que defendê-la não significa necessariamente trazer benefícios para uma maioria, mas sim entender a sociedade como desigual e, a partir disso, buscar maneiras de oferecer aos segmentos marginalizados a oportunidade de ter todos os seus direitos atendidos.

(Sobre a autora, clique aqui)

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3 comentários sobre “A prostituta que aspira ao poder

  1. hahaha, nossa, você tem uma noção excelente de política, que eu sinceramente não esperava ver nesse blog!!!

    Eu não acredito na política, mas vou pensar em votar sério no segundo turno.

    1000 beijos e foi mal a ausência nos comentários, seus posts continuam 10!!!
    ;)

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