Onde a menina não se manifesta


As pessoas que não me conhecem bem, geralmente se simpatizam razoavelmente comigo pelo meu jeitinho de menina. Tenho a consciência de que as ninfetinhas são bastante requisitadas pelos clientes, mas dessa vez eu juro que não estou tentando me adaptar ao mercado. Além de ter uma aparência infantilizada, ainda me considero, em alguns aspectos, uma típica garotinha ingênua. Sabe aquele tipo gracioso, delicado e, por vezes, extremamente irritante? Pois então, nas minhas relações não-sexuais, eu me comporto de uma maneira bastante pueril (isso é até perceptível quando respondo alguns comentários). Já minha outra realidade é impiedosa demais com algumas manifestações de inocência.

Ora, as relações sexuais exigem algum grau de perversão e, sendo uma profissional do sexo, é de se esperar que eu já esteja bastante habituada com as várias formas de sacanagem. Pode até ser que não demonstre expressamente isso, já que a ingenuidade consciente muitas vezes gera um excitante “conflito” num contexto íntimo e depravado. Acho até muito gozado quando algumas profissionais do ramo escrevem sobre fetiches como se fosse uma realidade alheia a delas. Poxa, quando entrei nesse ramo, mesmo que de forma inconsequente, sabia muito bem que havia homens que gostavam de levar no rabo, de apanhar, de se travestir de mulher e até de ingerir excrementos.

Antes de assumir a prostituição, já repelia bastante minha parte infantil. Como vadiazinha, ficava espantada ao perceber que não conhecia o limite das minhas insinuações quando estava decidida a me envolver com alguém. Se necessário fosse, ficava completamente nua e permitia que abusassem do meu corpo. Claro que não emprego esse recurso na prostituição, pois na maioria das vezes já está tudo acertado com o cliente e não posso oferecer regalias sem receber a devida remuneração. Quando vesti o top e a microssaia fiquei inacessível para muitos homens. Isso é um detalhe curioso porque meus relacionamentos se tornaram mais seletivos – ainda que o critério seja o dinheiro – e a minha reputação ainda mais negativa.

(Sobre a autora, clique aqui)

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