Gravidez interrompida na adolescência


Estava pensando se iria tratar ou não desse tema no blog, mas como me sinto extremamente incomodada com os segmentos mais reacionários (leia-se as igrejas) do país, decidi me expressar. Nessa campanha do segundo turno, muito se debateu sobre a questão do aborto. Não farei nenhuma contextualização, porque esse não é um blog de política e muito provavelmente o leitor já deve estar enfadado dessa discussão (lembro-me que ficava debatendo esse assunto besta na época em que precisava fazer redações no colegial).

Engravidei aos 16 anos de idade. Estava mais ou menos na sexta semana de gestação quando descobri. O pai do feto tinha a minha idade e morava perto da minha casa. Ele nunca precisou saber desse incidente, porque eu estava muito consciente da minha decisão de abortar. Não tinha o mínimo de maturidade para cuidar de uma criança e menos ainda o apoio da minha família, que nem mesmo cuidava de mim. Como não havia usado nenhum método anticoncepcional, muitos me condenariam a arcar com as consequências da minha irresponsabilidade. Não se preocupem, fazer o aborto foi a maior punição pela qual já passei.

É bem verdade que eu poderia recorrer a uma clínica particular, mas isso implicaria em contar para o meu pai e, o pior, apelar para sua ajuda. Naquela época, essa revelação marcaria o meu rebaixamento após todos os conflitos que tivemos, quando eu queria provar que minha vida poderia ser muito melhor se nos afastássemos. Cometi milhares de erros, mas meu orgulho não me permitia admiti-los ao meu pai. Revelei minha gravidez apenas para minha melhor amiga, e juntas nós buscamos alguns métodos abortivos. Optei por usar o Cytotec via vaginal, porque foi o que me pareceu menos agressivo. Ainda assim, as dores foram fortes e se prolongaram por alguns dias.

De forma alguma comparo um feto a um bebê desenvolvido e sempre defendi que as mulheres tenham liberdade sobre o próprio corpo. Mas dessa vez, era o meu feto e o meu corpo. Todos os argumentos contrários ou favoráveis me pareciam vazios de sentido, afinal estava vivenciando uma realidade íntima apenas minha. Não caberia à sociedade me julgar; eu mesma fiz isso suficientemente bem. Assim, meu sofrimento foi se prolongando na medida em que lia na internet várias opiniões sobre o aborto… estava me sentindo culpada. Agi friamente durante todo o procedimento abortivo, mas não há como manter-se indiferente à agressão ao organismo e à destruição do feto.

Não me arrependo de ter interrompido minha gravidez. Porém o que me deixa indignada é que poderia tomar providências muito simples para não ter que passar por esse trauma. É inevitável ficar com aquele sentimento de como seria se estivesse com meu filho agora. Como a maioria das mulheres, também quero muito ser mãe, entretanto, artificialmente, interrompi o percurso para este fim, porque meu estilo de vida não se harmoniza com a imagem sacramentada de uma mãe. É essa incongruência que ainda gera em mim uma dor intensa e persistente: a impossibilidade de atender o meu desejo de ser mãe.

(Sobre a autora, clique aqui)

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8 comentários sobre “Gravidez interrompida na adolescência

  1. olaa ^^ voltei aki pra responder esse topico e lhe dizer…

    bom eu tenho 21 anos, ainda faço facul, e nao diria que sou o melhor dos responsaveis…
    por isso vou te contar, que, tambem quaze fui pai aos 19…

    aconteçeu quando tudo ia numa boa e tals eu nem sabia o pezo de ser pai nem nada, mas minha ex namorada ja veio me falando que tava gravida e que nao sabia o que fazer…eu, é claro nao cogitei ipotese em ser pai e falei pra ela abortar,ela concordou na hora e depois de alguns dias de remedios abortivos e tudo que é tranqueira pra abortar

    enfim… ela abortou…
    eu ainda penso no que teria aconteçido se eu fosse pai, e no que ela passou, pois sei que ela queria ser mae de certa forma…
    nao sei se o que fisemos foi certo ou errado mas acredito que ,se nao estavamos prontos, fizemos o que achamos ser o certo…

    por isso acho que, mesmo sendo um tema pra la de debatido,deve ser abordado. Ainda mais por que voçe deve ter passado por uma situaçao pareçida com a minha e parando pra pensar, hoje…
    nos sentimos culpados e as vezes na razão.

    mais uma vez, boa sorte e até logo.
    “vc é uma filha do universo como as arvores e as estrelas, se ame e seja feliz”

  2. Sou a favor da mulher gestante abrir mão da sua gravidez ou seja; toda mulher deve ter o direito de decidir sobre seu corpo. Em caso de estrupro e risco de morte, o aborto é permitido pela lei.

  3. Eu sou avô e nunca mais quero ouvir falar em aborto em minha vida. Sou totalmente a favor do nascimento de uma nova vida. Acho que errou grandemente em abortar. As consequencias são suas e você terá que lidar com elas.

  4. Ola ayana tive muito medo do aborto fui covarde e hoje tenho 2 filhos nao e que nao os ame mas fiz sofrer com minha ausencia eles nao estao comigo e isso e ruimmas sou evangelica e por mais de ser gp tenho alguns principios quase inquebraveis e nao tenho cotragem para tirar um filho meu o que faco hoje tomar o dobro de cuidado e esperar que eles me perdoem por ser um lixo de mae aiyana vc e uma pessoa brilhante e muito inteligente gosto do que vc escreve

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