Orgasmo em minha vida abjeta


Estou nos dias em que desprezo minha própria existência. Claro está que é uma vida medíocre de uma garota miserável. É aquela puta que às três horas da matina chega intemperante em casa, vomita em algum canto as doses que deveria evitar beber e dorme no chão do banheiro com o resto de roupa suada. À tarde, um pouco de ressaca, um pouco de amnésia e alguns arrependimentos. Menos mal não haver ninguém para contemplar meu estado deplorável. Por outro lado, faz muita falta alguém presente naquele momento para me condenar.

Os julgamentos são feitos diante de um espelho um pouco maior do que eu. Este é o lugar onde melhor vejo minha própria vida. Primeiramente o corpo despido com suas proporções mesquinhas, ainda de ninfeta. Em seguida se manifesta a perversão pelo toque indiscreto dos meus dedos no meu sexo. E o ritmo se torna cada vez mais exaltado conforme atento para outros pequenos detalhes: a maquiagem borrada, os cabelos desordenados, os joelhos machucados e a expressão derrotada. Essa completa degradação estimula bastante minha libido ao mesmo tempo em que arruína minha auto-estima. Muitas vezes o orgasmo explode em meio às lágrimas.

(Sobre a autora, clique aqui)

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11 comentários sobre “Orgasmo em minha vida abjeta

  1. Dessa vez achei que você realmente está em um circulo perigoso, sua situação em geral te leva a uma condição de degradação, que de alguma forma te excita, que em algum lugar na sua cabecinha vai acabar te levando à buscar por mais degradação para te dar mais excitação. Onde isso vai parar?

  2. É na merda que você descobre o seu próprio poder. Essas reflexões fazem parte do seu auto-conhecimento…todos já tiveram uma fase ruim, é só não deixar seus sentimentos negativos te engolirem. Afinal, mesmo na dor pode haver prazer, dependendo de como você a encara. A escola da puta para uma mulher é um desafio, mas vendo como você escreve, sente e pensa, não acho que seja essa experiencia que vai te derrubar. Acho que na verdade é uma lapidação para a grande mulher que você está se tornando.A puta é só um lado da mulher, que você decidiu estudar a fundo e ir ao fundo, nas zonas abissais da alma, são para poucos.
    É por sentir tanto, ou melhor por não ter medo de sentir, que tanto as dores quanto as felicidades são tão intensas. Apesar de não saber por hora, no fundo você sente o porque de tudo isso,mesmo q as respostas não sejam claras. Você é forte gata.Somos corajosas. E não esqueça: a dor é inerente a vida, o sofrimento é opcional.

  3. Você pode ser diferente, para melhor!
    Mas, o que acontece, é que Você já se entregou muito fácil, e já até diz em ser uma puta!
    Vejo nas suas palavras que quer ser uma pessoa diferente. Mas a coragem de mudar é nossa! “Se Eu mudo, tudo muda!”
    Matanoia, vive isso. Tente ser diferente, por mais difícil que seja e…
    Pra que sofrer tanto? Até quando?

    Juízo garota e boa sorte!

    • Oi, Rutty!
      Acontece que eu sempre me considerei uma puta, mesmo antes de me tornar uma de fato. Talvez não seja esse o problema, mas sim a forma como eu manifesto esse meu lado puta. Há tempos eu me considero uma pessoa bem diferente e esse é um dos motivos para eu ter mudado completamente de vida. Eu queria viver tudo o que está se passando comigo. Eu só não contava com algumas intempéries, mas enfim…
      Achei muito legal você ter comentado aqui, porque isso me faz pensar um pouco mais nas minhas atitudes.
      Beijinhos e até a próxima! =*

  4. P.S.: Descobri seu blog através de um blog (Diário da Loucura) que divulgou um conto de um blog (Geek e Devassa) e neste estava um link de páginas amigas.

    Sinceramente: depressivamente sedutor! Adoravelmente verdadeiro.

    Babaquices normais: estou lendo desde o último post até este. Onde estou é quase meia noite e, provavelmente, perderei a hora de dormir pois irei continuar a lê-lo.

    Sinto um misto de prazer e inveja. Um pouco de vida e um pouco de morte. Um pouco de alegria e um pouco de tristeza.

    Imagino sua vida. Não sei realmente como é. Invejo e tenho medo.

    Que bom que esteja aqui compartilhando-a.

    Também não sou normal (igual a você). Mas eu, ainda, me deixo ter medo do mundo e vivo escondido.

    Bjss

    • Oi, Goiano!
      Bem-vindo ao blog!
      Às vezes, o sexo toma uma dimensão bem destrutiva na minha vida. Isso proporciona tantas sensações diametrais que fica impossível superar alguns conflitos. Eu também sinto muito medo. Queria me esconder um pouco, me aquietar, mas muitas vezes não consigo me conter.
      Volte sempre! Beijinhos!

  5. vou te fazer duas perguntas espero que n se ofenda e responda.
    1_vc ja fez programa com homem casado e a mulher dele pegou vcs?
    2_vc ja fez programa com aqueles velhos,mas eu digo bem velho mermU!dos 70 pah cima?

    • Aí vão as minhas respostas: ^^
      1 – Você já fez programa com homem casado e a mulher dele pegou vocês?
      Eu conheci um cliente que tinha essa fantasia, mas não aceitei ser pega pela mulher dele. Enquanto acontecia o programa, nunca aconteceu de sermos flagrados, mas já houve casos em que a mulher nos viu andando juntos na rua.
      2 – Você já fez programa com aqueles velhos, mas eu digo bem velho mesmo, dos 70 para cima?
      Algumas vezes. E é recomendável ser bem atenciosa nesses casos…
      Para mais curiosidades, pode me mandar outras perguntas! =)
      Beijinhos!

  6. Olá! Me chamo Samanta…Gostei muito do seu Blog, me identifico muito com você, e em alguns casos, já passei por situações realmente muito parecidas com algumas que você já relatou aqui. Sei o quanto ser garota de programa é difícil. É difícil porque ao mesmo tempo que a gente se sente diferente fazendo isso, a gente se sente estúpida por estar fazendo isso. Eu sou garota de programa a mais ou menos três ano. Comecei com dezessete anos, no começo eu fazia com mais uma menina. Eu estava muito acostumada a fazer sexo a três, e eu gostava bastante mas depois tudo acabava, eles iam embora e eu ficava sozinha de novo. Sempre quando eu me apaixonava por alguém essa pessoa nunca gostava de mim também (e em todas as situações sempre me apaixonei por mulheres), por mais que eu fosse carinhosa e atenciosa. Sempre me senti muito mal-amada. Como garota de programa eu me sentia desejada e mais bonita, minha autoestima cresceu e eu fiquei mais madura também..mas como sempre, sempre me senti solitária! :(

    • Oi, Samanta!
      Pelo visto, temos muita coisa em comum! Fiquei com vontade de te conhecer =]
      Acho que a solidão é um problema bem comum em nossa profissão e até hoje não sei como superá-la. Pelo menos, a internet me serve de reduto.
      Beijinhos, querida! E cuide-se bem!

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