Indícios que atestam minha culpa


29 de dezembro de 2006.

Depois de quase dois anos de namoro, há duas semanas a Larissa pediu um tempo. Nesses últimos dias fiquei ensaiando o que iria dizer a ela nessa noite. Provavelmente, essa seria minha última oportunidade de reconquistá-la, após ocorrer um lamentável incidente bem no dia de seu aniversário de 17 anos. Aquele seria um dia especial porque eu havia preparado uma festinha apenas para nós duas. Já esperava que a gente iria namorar bastante, mas não considerei a hipótese de que ela escolhera aquela data para fazermos amor pela primeira vez, justamente numa época em que eu já estava desacreditada dessa possibilidade, depois de diversas tentativas de convencê-la, ao longo de mais de um ano convivendo juntas.

Após duas garrafas de vinho, nos envolvemos na cama, compartilhando o calor da embriaguez ou da libido. Ainda assim, um arrepio persistia em percorrer pelo meu corpo quando sentia suas mãos acariciarem minha cintura. Mas era um tremor também de nervosismo por estar na cama com a mulher da minha vida. Era tudo que eu mais queria; precisava ser uma relação perfeita, bem diferente de qualquer outro caso sexual que me envolvia. Sentia-me insegura, parecia que de nada adiantaram as inúmeras experiências sexuais pelas quais já havia passado. Era a ocasião de fazer amor, por isso, tinha que conter bastante meus desejos sexuais mais problemáticos.

Passados os primeiros minutos de uma aproximação apreensiva, aos poucos comecei a me sentir mais à vontade e, recorrendo a toda minha delicadeza, fui retirando sua roupa enquanto meu toque começava a explorar suas intimidades. De imediato, veio a retribuição às minhas carícias, sob a forma de beijos que desciam pelo meu pescoço. Já suas mãos subiam alisando de lado minha cintura, levando consigo a blusinha que eu vestia. De repente, o toque de suas mãos se esfriou, o movimento ascendente pelo meu corpo foi interrompido e o tempo paralisou durante alguns segundos seu ar de surpresa e decepção.

Por trás de minhas roupas, espalhavam-se pelos meus seios os vestígios da noite de sexo selvagem que eu havia passado com outra mulher. Ao longo do meu corpo, havia ainda várias outras marcas – encoberta pelos panos – que sinalizam as regiões onde apanhara. Menos mal a Larissa encarar apenas os seios malhados e constrangidos. Minha reação de cobri-los procedeu-se com bastante atraso, porque me sentia completamente entorpecida com aquela calamidade. “Quem fez isso nos seus seios?”, indagou já se afastando de mim. Não respondi por causa do choro que tentava segurar. Não só isso. “Por favor, vai embora”. Era tudo que eu queria: fugir. Principalmente por medo de enfrentar a verdade.

“Me desculpe!”, foi o que consegui dizer antes de deixá-la.

(Sobre a autora, clique aqui)

(PS: Esse é o 100º post do blog! Por favor, comenta aí, vai!)

Anúncios

8 comentários sobre “Indícios que atestam minha culpa

  1. Putz!!!
    =(
    Me senti pior ainda pois sei o que é dar errado uma noite de amor com uma pessoa amada.
    Você não é a única a se sentir mal…
    Te desejo felicidades e ainda em tempo, um feliz ano novo.
    Uma pena passar aqui e ver um post triste, boa sorte!

    -Euler

  2. Sempre adoro visitar o seu blog! Continue escrevendo mais! Acho que você descreve a cena de uma forma bem envolvente!
    Eu sempre tento me colocar na sua posiçao mas sua realidade é bem diferente da minha mas nesse caso acho que sei o que você sente.
    Se cuida, florzinha!
    Um beijão!

    • Olá, Flávia!
      Eu andei diminuindo a frequência de postagens porque estou trabalhando demais, mas sempre vou continuar escrevendo ainda mais com comentários positivos como o seu.
      Naquela situação eu me senti como a pessoa mais idiota do universo. O problema é quando nós perdemos a razão na hora que estamos nos envolvendo sexualmente com a pessoa que gostamos. Enfim, mas é uma história passada.
      Beijos, gracinha! =*
      E volte sempre que puder!

  3. Oi Princesa, feliz 2011 !!!

    Nossa… como vc consegue ser tão densa? Mesmo em quatro parágrafos… que capacidade de expressão, parabéns!

    Sobre o assunto… calma.

    Valores, crenças e percepções… tudo muda.

    O novo assusta, também.

    Está, aqui, uma excelente oportunidade para testar e validar os sentimentos de vcs duas.

    Se a base do sentimento dela for semelhante à sua, a relação sairá mais fortalecida.

    O mais importante é que o véu dos seus “segredos mais íntimos” está se descortinando para os outros.
    Aqueles que a amam de verdade continuarão ao seu lado.
    beijo,
    D.

    • Oi, Dimittri!
      Gosto muito dos seus comentários porque sempre me passam uma percepção muito interessante sobre as oportunidades que posso tirar de certas situações. Durante um tempo, nosso relacionamento foi fortalecido por esse fato, mas mesmo aceitando os meus problemas, um namoro não pode se sustentar com algumas das minhas atitudes.
      Bem, eu estou revelando muito das minhas intimidades aqui nesse espaço e fico muito satisfeita que algumas pessoas que me leem continuam do meu lado. Claro que fora da internet, não tive tanta aceitação das pessoas.
      Muito obrigada por prestigiar meu cantinho e elogiar a forma como me expresso! ^^
      Beijos, beijos, beijos!

Compartilhe também sua opinião

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s