A partir de uma confissão de amor


(Antes de ler esse texto, recomendo que leia o post anterior Indícios que atestam minha culpa)

30 de dezembro de 2006.

Ontem à noite, a Larissa e eu conversamos para tentar uma reconciliação. Sentia-me motivada a fazer qualquer coisa para voltarmos a namorar, a começar revelando minha total infidelidade durante o período que ficamos juntas. Não importava dizer com quantas pessoas eu havia me deitado na cama. Por mais que ela quisesse saber, eu não tinha essa resposta; mantive relações sexuais com diversas pessoas e nenhuma vez com minha namorada. O que ela precisava saber provavelmente já estava muito evidente: eu era uma completa vadia. Entretanto, preferi me diagnosticar como uma compulsiva sexual.

“Eu simplesmente não consigo me controlar. Eu quero ser desejada, que as pessoas encontrem o prazer abusando do meu corpo. Então eu saio à noite para me insinuar para qualquer pessoa que demonstre interesse em mim. Não sei dizer exatamente quantos foram e nem quem eram essas pessoas. Eu só me interessava pelo sexo. Isso me dava prazer, então foda-se o resto. Nesse período o meu prazer era completo, porque não me faltava parceiros sexuais, ao mesmo tempo em que me relacionava com a mulher da minha vida. Eu diria que construí dois contextos diferentes e conflitantes entre si. Acontece que eu preciso de um mundo desmoralizado onde eu consiga satisfazer os meus desejos sexuais e, agora, preciso ainda mais de um lugar onde eu possa dedicar o meu amor a alguém. E você era a única pessoa que realmente me amava, e além disso, a única por quem eu sinto amor verdadeiro. Por favor, eu não posso perdê-la porque você é o único sujeito que torna minha vida especial! Sem você, eu fico sozinha… sei que minha parte mais doce vai desaparecer, e eu vou me tornar apenas aquela pessoa que durante todo esse tempo tentei esconder de você. Eu preciso de ajuda… essa é a verdade. Não aguento mais enfrentar isso sozinha; sou muito fraca. Só consigo lutar para reconquistá-la e, mesmo assim, não consigo completar uma frase sem começar a chorar”.

Havia várias palavras que gostaria que fossem ditas, mas não conseguia interromper meu choro para pronunciá-las. Já havia me esforçado muito para declarar um pouco do meu amor naquela primeira mensagem. Infelizmente, não dava para saber se esta traria minha namorada de volta. Foi minha única chance, porque agora eu estava muito nervosa para conseguir desenvolver por completo qualquer argumento. Sentia raiva de mim mesma, das minhas limitações. A Larissa também estava chorando, mas manteve-se equilibrada durante todo nosso encontro. Não questionou nada de tudo que foi dito. Ajoelhou-se ao meu lado – eu estava sentada – acariciou o meu rosto, secando minhas lágrimas, e me deu um beijo na testa. Depois deitei no sofá com a cabeça em seu colo e, conforme me acalmava, ia confessando todas as minhas falhas como namorada.

“Nós vamos resolver isso juntas”, e me beijou.

(Sobre a autora, clique aqui)

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19 comentários sobre “A partir de uma confissão de amor

  1. Leio seu BLOG a um mês, boa sorte com uma namorada.Confesso que fiquei excitado com alguns posts.Você escreve muito bem! nota 10.
    E confesso novamente que desejo você na minha cama…
    Beijos!

    • Oi, Marcellus!
      Depois de um mês frequentando aqui, venho lhe dar as boas vindas e espero que volte sempre. Muito obrigada por comentar!
      Vou voltar a escrever mais sobre sexo, experiências que me excitam. Acho mais legal mesmo pensar sobre isso. Talvez o que eu faria se estivesse na cama com você ^^
      Abraços e beijos!

    • Não exatamente, por enquanto estou satisfeita com a minha rotina de meretriz.
      O jeito é aproveitar enquanto ainda posso. Apesar de que nesse começo de ano eu deveria ter me programado melhor…
      Beijos, Fernando! E muitíssimo obrigada por participar do blog! =)

  2. OOOOi,
    Fazia algum tempo que não lia seu blog, mas agora me atualizei e li todos os posts. Fiquei muito tristes com os dois últimos. Gostaria de saber como vocs terminaram “pra sempre”.
    Estou passando por um momento muito ruim na minha vida e realmente não sei, mas de alguma forma seu blog me ajuda.
    Bjos beijados.
    P.S: comenta ai,por favor.

    • Oi, Grazy!
      Muito legal receber sua visita mais uma vez.
      Depois que a gente voltou, ela tentou me ajudar a resolver o monte de problemas pelos quais eu passava. Mas era inevitável que ela ficasse muito desgastada e eu também cometi muitos outros erros depois que a gente voltou. Mesmo assim, o nosso relacionamento era bem intenso, porque independente do que eu fazia de errado, a gente se gostava de verdade. Ela também era muito compreensiva. Aí no começo de 2008, ela passou no vestibular e foi morar em outra cidade, enquanto eu não havia passado em nenhuma faculdade e tinha decidido sair da casa dos meus pais. Aí a gente foi se distanciando, eu comecei a me prostituir e não queria que ela descobrisse nada dessa minha nova vida. Foi então que decidimos terminar. Foi melhor porque eu me sentia muito culpada e fazia ela sofrer demais, às vezes.
      É recompensador saber que meu blog lhe ajuda de alguma maneira, mas se quiser conversar sobre esse momento ruim da sua vida, pode me enviar um e-mail: minhasconfissoesmaisintimas@hotmail.com
      Eu sou bem enrolada para responder e-mails, comentários e afins, mesmo assim, ficaria satisfeita em poder ajudá-la.
      Beijos, anjinho!

  3. Oi Princesa.
    Bom que houve um armistício entre vcs. Sinceramente, não intui outro caminho senão esse. O que mostra que a base emocional de vcs é semelhante. Cumplicidade não significa complementaridade, por isso ainda não houve desenlace entre vcs.
    Falando de outro assunto, quando for possível, escreve prá gente como vc se relaciona com os seus clientes, abordando os tipos de caras e a sua percepção sobre eles, como vc os vê, o que sente sobre eles…
    Valeu,
    Mil beijos,
    D.

  4. Oi, meu caro Dimittri
    Nós duas éramos bem cúmplices mesmo, e foi isso que nos manteve juntas por mais um tempo. Na verdade, a gente até continua assim, mas não é o suficiente para reatar o namoro.
    Se eu não me engano, eu já escrevi um post sobre algo parecido com esse assunto sobre clientes. Mas pela sua sugestão, voltarei a abordá-lo em breve. A propósito, se tiver outras ideias, por favor, vá me transmitindo.
    Obrigada por comentar!
    Mil e um beijos!

    • Oi Fernando!
      Eu também gosto bastante de infantilismo, mas todas as minhas experiências foram solitárias. Mas é uma assunto que ainda vou desenvolver mais no blog e quem sabe na vida real (já faz um tempinho que não uso fralda).
      Muitíssimo obrigada pela sugestão!
      Beijo, beijo! =*

    • Oi, Marcelo! ^^
      Eu imagino que ela não sabe muito sobre essa minha vida. Sei lá, sempre quando a gente conversa eu evito falar muito sobre mim. Não acho que ela ficaria muito surpresa, mas se soubesse certamente iria querer me tirar dessa vida. Eu sei que ela iria tentar me ajudar, mas eu não tenho certeza se ela ainda consegue me entender.
      Senti saudades das suas visitas.
      Um beijão e até mais!

  5. oi! Ando sumido do msn, mas também sinto falta de conversar contigo… Vc vai atender os pedidos de entrevista? Acho que seria ótimo. Você já pensou em mudar de mercado na prostituição? Você tem uma sensibilidade muito desenvolvida nos assuntos humanos… Um lado meio psicóloga. Muitos clientes procuram prostitutas com um perfil mais sofisticado. Ok, sei que vc se enxerga como imatura, mas a essência da prostituta é a simulação. Acho que Vc pode conciliar este seu lado que mostra no blog com esta sua sexualidade hiperativa com clientes mais “sofisticados” que te pagariam até mais… E sem a intermediação da cafetina..

    • Oi, Marcelo!
      Eu já atendi a todos os pedidos de entrevista. Se a matérias com as minhas declarações saírem, eu vou pedir para deixarem eu publicar, nem que seja um trecho, aqui no meu blog. Estou gostando de dar entrevistas =)
      Eu já pensei em mudar o segmento dos clientes que eu atendo, mas eu confesso que não tenho muita paciência para ficar dando conselhos. Bom… o meu interesse é o sexo mesmo. Eu já tive experiências com clientes de todas as classes sociais e, às vezes, acho essas pessoas mais “sofisticadas” muito irritantes.
      Gostaria que aparecesse mais vezes por aqui. Fico com saudades!
      Beijinhos!

  6. Diga onde podem sair suas entrevistas. Espero que o entrevistador tenha feito um bom trabalho, porque material não falta. Vc já acompanhou clientes em algum evento social? Em algum lugar onde a acompanhante tem que conversar? Acho que se você se dedicasse ao papel, se sairia muito bem…
    Saudades? Estou lisonjeado! :-)

    • Oi, Marcelo!
      Melhor não dizer, porque eu não tenho certeza se eles vão aproveitar alguma declaração minha. Mas se sair eu espero poder divulgar.
      Eu nunca fui contratada como acompanhante em eventos sociais, apenas para alguns jantares mais chiques. É legal porque eu como bem. Por outro lado, eu fico meio tensa, porque sou bem tímida. Acho que eu me sinto confiante só na cama mesmo (ou quando estou bêbada).
      Ainda estou com saudades!
      Beijinhos e volte sempre!

      • Escreve um post sobre estes jantares! Acho que seria muito interessante um troço destes sob a sua ótica. Impressionante como você pode se sentir tímida conhecendo tanta coisa que você conhece!
        Beijos!

  7. Desculpe nunca ter postado nenhum comentário antes, acontece que conheci o blog ontem. Bom… já vi diversos comentários positivos quanto a forma que você tem de escrever, se expressar… E não me custa nada frisar mais uma vez: Suas narrativas são incríveis !!!
    E nossa, Larissa… foi tão linda, chorei.

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