Sobre a minha respeitável profissão


– Eu respeito a sua profissão, não tenho nenhum preconceito. Simplesmente acho que é uma profissão como qualquer outra.

Nessas horas, me parece pertinente fazer aquele tipo de questionamento embaraçoso:

– E se a sua filha fosse garota de programa?

– Inadmissível! Minha filha foi muito bem-educada, dentro de um ambiente familiar estável, teve todas as oportunidades de estudar nas melhores escolas, sempre trabalhei para satisfazer todas as suas vontades (e blábláblá)… portanto não existe a possibilidade de ela seguir carreira na prostituição.

Este sujeito é apenas um modelo desses meus clientes “livres de preconceitos”. Ok, pode ser que, daqui uns seis anos, a princesinha do papai estará se formando em engenharia aeroespacial. Sei que há determinadas situações que motivam alguém a se prostituir (como no meu caso), mas isso é outro assunto. A questão da vez é: Por que não aceitar a decisão de quem começa a trabalhar nessa atividade? O respeito que alguns dizem ter pela prostituição não me convence, porque muitas vezes não evita posturas intolerantes contra aqueles que “se vendem”. Pode ser que esses lamentáveis eventos repressivos sejam orientados pela hipocrisia, no entanto, creio ser menos deplorável pensá-los como resultado de pura ignorância.

Ora, a prostituição realmente é uma profissão como qualquer outra, contanto que a garota de programa não esteja próxima ao meu círculo afetivo. É uma fêmea qualquer, sem história, nem identidade definida. Provavelmente, não teve uma boa educação familiar e não tem o conhecimento suficiente para desempenhar qualquer outra profissão que exija um pouco mais de intelecto. Aliás, puta precisa ter cérebro? “Queime os seus livros! Você só precisa saber chupar direitinho e ficar calada”. Sim, foram essas insensíveis palavras que um filho da puta (não literalmente) me disse uma vez. Fazer o quê? Chorar? Talvez, mas só de vez em quando… afinal, é mesmo improvável que certas pessoas deixem de me associar a um estereótipo tão absurdo. E com muito desgosto, posso asseverar que têm muitos sábios doutores que pensam dessa forma sobre mim.

(Sobre a autora, clique aqui)

Anúncios

16 comentários sobre “Sobre a minha respeitável profissão

  1. Não sei se vc vai ficar bronqueada com o que eu vou dizer…
    Eu realmente não tenho nenhum preconceito em relação às pessoas que optam pela sua profissão! Não, mesmo!!!
    O que acontece comigo quando penso em ter uma filha (ou um filho, não é?) que siga esse caminho é medo. Tenho medo dos riscos, dos problemas, dos abusos, das dores, dos perigos…
    Ainda não tenho filhos, mas acho que é inevitável temer por eles.
    Isso serve pra um filho que resolveu ser piloto de corrida, assaltante de bancos, alpinista, lavador de janelas de edifícios, policial, caixa de bancos, domador de leões e tudo mais que tem algum risco, também.
    Por aí vc tira que eu terei medo acerca de quase todas as possíveis profissões… o que muda quando é o caso da prostituição?
    É a marginalidade: a falta de proteção contra os riscos e a falta de ter a quem recorrer quando se sofre uma violência.
    Não sou ninguém para julgar as escolhas de ninguém (nem dos meus filhos), mas não consigo deixar de me preocupar com as pessoas de quem gosto… vc já é uma delas, por isso me preocupo com vc!

    Bjs

    Lia

    • Oi, Lia!
      São bem interessantes essas considerações que você trouxe ao post. Antes de comentá-las, gostaria de destacar que nesse post eu me dirijo a um perfil específico de cliente, não quero pré-julgar aqui ninguém como preconceituoso.
      Em geral, é sim uma profissão bem arriscada. Mas é muito difícil dimensionar isso, ainda mais se considerarmos que a prostituição se manifesta em qualquer ambiente. Temos mulheres que se prostituem às margens de rodovias e outras que fazem programas, mas são oficialmente dirigidas como modelos. Em qualquer caso, como você disse, a profissão continua sendo marginalizada. Bom, tenho minha consciência tranquila, porque sei que não pratico nenhuma atividade ilegal. Por outro lado, muitos a consideram imoral, de modo que a sociedade prefere jogar tudo que faço para debaixo do tapete. Isso explica a marginalização da prostituição, mas não a justifica. Uma mulher não pode fazer sexo por dinheiro, aliás, existe até um grande preconceito contra as mulheres que ganham muito dinheiro (independente dos meios que recorram).
      Muito obrigada pela sua tão agradável presença/participação no blog!
      Volte outras vezes! E um beijo todo especial para você! =*

  2. Olá Ínfima! Saudades de vc!
    Obrigada pela visita ao meu blog…

    Sobre o seu post, realmente é um assunto bem complicado, e formar uma opinião sobre isso é um risco.
    Vou ser sincera com você, se algum dia eu ter filhos, a última profissão que eu quero que eles sigam é a prostituição, mas não pelo preconceito e sim pelos riscos que essa área apresenta, tais como foram citados pela Lia.

    É claro que as outras profissões tbm tem riscos, muitas vezes fatais, e com certeza a preocupação seria a mesma.

    Não há como não se preocupar com quem gostamos. Do contrário afetaria a ordem natural do universo.

    Bjinhus…

    • Oi, Ana!
      Se eu tivesse filhos, eu também não gostaria que eles seguissem a minha profissão. Não exatamente por causa dos riscos, mas principalmente porque é muito delicado se envolver na intimidade de pessoas que nos são estranhas. Ademais, certamente eles seriam vítimas de preconceito e obviamente não quero que passem por isso. Não iria impedi-los de trabalhar na prostituição, porque para mim o mais importante seria ficar ao lado deles.
      Obrigada por perder um pouquinho do seu tempo no meu cantinho! =)
      Beijos, beijos, beijos e até a próxima!

  3. Oi princesinha!

    Não tenho comentado seus últimos posts, mas leio sempre que posso. O dos pezinhos está muito fofo, talvez experimente fazer algo assim.

    Quanto à prostituição. Quando leio, realmente penso que não tenho qualquer preconceito em relação à sua profissão. Mas quando me perguntam se queria que minha filha entrasse nesse caminho, digo que não. No entanto, o que eu penso é parecido com o que a Lia disse, e, ao mesmo tempo, diferente.

    Eu, se tivesse uma filha, queria a melhor profissão para ela, que lhe desse lucro, poder e felicidade. Todas as mães sonham com filhos médicos, por exemplo. Mas nenhuma mãe (penso) sonha com o filho a tornar-se lixeiro. Há certas profissões, como a prostituição, que não se enquadram nos estereótipos da sociedade. Mas a verdade, é que tanto um lixeiro como uma prostituta são precisos neste mundo. Já viu um mundo sem prostitutas? Homens e mulheres que querem saciar a sua sede por sexo teriam de recorrer à violação (como mtos já fazem). Além de que o sexo trás bastante benefícios nas pessoas solitárias. É um momento em que nos sentimos bem, completas. A prostituição é algo essencial, porque estimula o físico e o psicológico.

    A verdade é que a sociedade ainda é muito preconceituosa. Por isso, estou imaginando minha filha prostituta e meu filho lixeiro e toda a sociedade a ignorá-los, desprezá-los, humilhá-los, maltratá-los e usá-los. É isso que eu não quero! Ver o meu filho a ser humilhado na rua, dizerem que não é inteligente… Porque tanto a prostituição como ser lixeiro estão, infelizmente, associados à falta de inteligência, ao insucesso. Há muitos lixeiros que são doutorados, no entanto não conseguem arranjar emprego na sua área! E você mesma, tão inteligente, é menosprezada por seus clientes.

    Não é por causa da profissão em sim, mas por causa dos estereótipos da sociedade. Se esta fosse diferente, talvez não teria qualquer problema, desde que houvesse segurança. Mas assim sendo… Não quero que minha filha sofra o que você tem sofrido. A sua profissão acarreta muitos prazeres, mas o prazer e a dor vêm sempre de mãos dadas.

    Espero que não pense mal de mim quando digo isto.
    Beijinhos
    Soraia

    • Oi, Soraia!
      Sempre adoro seus comentários! =)
      Bem, procuro sempre respeitar a decisão da pessoa em seguir qualquer carreira profissional. Mas como você disse algumas profissões são muito estereotipadas em nossa sociedade. No caso da prostituição, eu identifico dois tipos principais de preconceitos que se associam entre si: o preconceito sexual e contra as mulheres. E esse preconceito não parte apenas de homens. Acho que não tem nada que desvalorize mais uma mulher do que ser taxada de vadia, a própria palavra já indica que esse perfil não tem valor em nossa sociedade. Mas como você mesma disse, o mundo não seria tão “civilizado” se não houvesse prostitutas.
      Não esperava que esse post rendesse uma discussão tão interessante. Muitíssimo obrigada pela sua contribuição! ^^
      Beijinhos bem carinhosos e até mais!

  4. a minha anja da noite que sabe que a amo sem precisar ficar dizendo que sempre que eu puder estarei pensando nela a uma pessoa por traz dessa que todos conhecem mas ñ sentem a doçura a alma e o desejo de 1 menina que se fez mulher para agradar oque acredita mas sempre vou apoiar em tudo mesmo ela sabendo de meus pensamentos sobre ela pode parecer preconceituoso minhas falas mas a quem interessa sabe que é de minha alma minha eterna flor

    • Oi, Bruna!
      Poxa, fiquei muito emocionada quando li esse comentário. Eu nem sei direito o que escrever aqui, mas sempre quando a gente conversa, tento expressar um pouquinho do grande amor que sinto por você. Obrigada por todas as vezes que me ajudou e por sempre estar ao meu lado independente dessas minhas decisões irresponsáveis.
      Amo você, minha gracinha! =)
      Beijinhos, beijinhos!

  5. Por razões que só Darwin explica (preservação da espécie), os pais são muito ciosos de TUDO o que diz respeito à sexualidade dos filhos. Não só a profissão.

    Então, a aversão de um pai ou mãe para a hipótese da filha ser prostituta, é a mesma desse pai em ver o filho sendo homossexual.

    Pai nenhum (nem mãe nenhuma) quer ver a filha vendendo a buça, ou chupando pica.
    Pai nenhum (nem mãe nenhuma) quer ver o filho dando o cu, ou chupando pica.

    Isso não significa que eles achem que gays ou putas são bandidos. Apenas não querem esse futuro para os seus filhos.

    Não deveria ser assim. Não é justo nem correto. Mas infelizmente, é assim que as pessoas funcionam.

    Ah, uma pergunta pra você, Princesinha: você gostaria que a sua filha fosse puta? Acharia legal que ela chupasse pinto por dinheiro? A maioria das prostitutas respondem que não. Mesmo as que gostam da profissão. Não é algo racional, mas…

    • Oi, Ricardo!
      Bem, não ficou muito claro para mim, como a teoria de Darwin ajudaria a explicar a aversão que as pessoas teriam pela prostituição. Ok, eu faço sexo sem ter a intenção de procriar, assim como a maior parte das pessoas. Mas, em geral, não se condena os métodos contraceptivos…
      Agora, respondendo as perguntinhas: eu não gostaria que minha filha fosse garota de programa. O problema não seria o fato de a minha filha chupar pinto por dinheiro, considerando que ela já fosse maior de idade e tal. O que me deixaria preocupada é a forma como ela assimilaria às delicadas condições de trabalho. Além disso, eu precisaria saber quais foram as motivações para ela se interessar pela prostituição, e se o dinheiro fosse a principal delas, não sei, acho que me sentiria um pouco frustrada como mãe. Acho que é isso, Ricardo! Não sei se minha resposta ficou muito clara. Qualquer coisa, se você se interessar a gente pode continuas discutindo esse assunto aqui.
      Fico muito grata pela sua visita! Beijinhos! =*

    • Olá, Tricampeão!
      Essa é outra questão muito pertinente na profissão de gp. A temporalidade é certa e me assusta muito. Em consequência, é “recomendável” que a garota comece a trabalhar muito cedo, e eu não sei como foi o início das outras gps, mas no meu caso quando comecei eu não tinha maturidade alguma para encarar as adversidades de alguns programas (ainda hoje sinto que não estou totalmente habituada, mas pelo menos mudei muito os meus julgamentos em relação à atividade).
      Obrigada por dar uma passadinha pelo blog e deixar um comentário! ^^
      Beijos, beijos e tenha um bom dia!

  6. […] Ora, a prostituição realmente é uma profissão como qualquer outra, contanto que a garota de programa não esteja próxima ao meu círculo afetivo. É uma fêmea qualquer, sem história, nem identidade definida. Provavelmente, não teve uma boa educação familiar e não tem o conhecimento suficiente para desempenhar qualquer outra profissão que exija um pouco mais de intelecto. Aliás, puta precisa ter cérebro? ‘Queime os seus livros! Você só precisa saber chupar direitinho e ficar calada’”. https://minhasconfissoesmaisintimas.wordpress.com/ […]

Compartilhe também sua opinião

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s