À condição de uma boneca


É comum que me considerem não mais do que um objeto sexual. Por vezes, esse julgamento me parece adequado dependendo do programa que faço. Se perguntarem quais foram meus sentimentos durante o meu serviço, algumas vezes responderia “não sei”, ou simplesmente “nada”. No começo da putaria, só a situação elementar de me despir diante de um desconhecido me proporcionava sensações bem intensas. Ultimamente, percebi como o álcool se tornou fundamental para garantir alguma euforia durante qualquer programa. Esforço-me para que minha atividade não se torne muito mecânica. Caso contrário, não teria nenhuma motivação para continuar nessa vida; afinal não dou prioridade às riquezas que ainda posso conquistar como garota de programa. O meu medo é me tornar um objeto, sempre indiferente às ofensivas sexuais a que meu corpo é exposto. Como foi mesmo que eu me senti?

Fiquei deitada numa mesa com as pernas e os braços um pouco afastados do meu corpo, e lá permaneci o tempo todo parada como se estivesse morta. Ele passou a mão em cada parte de mim, mas disse que apenas o meu rosto lhe interessava. Comentou que eu tinha o semblante de uma boneca, e era esse papel que eu deveria assumir nesse programa. De olhos fechados, apenas sentia suas mãos acariciarem minha face. Seus dedos caminhavam pelos meus lábios e foram entrando na minha boca. Saíram bem molhados, no que ele usou meus cabelos para secá-los.

Em seguida, ele quis arrombar minha boca. Abriu-a até o máximo que minha mandíbula pôde suportar. Observou todos os meus dentes, a gengiva e até mesmo as minhas amídalas. Segurou a minha língua e tentou, sem sucesso, puxá-la para fora. De uma vez, enfiou os cinco dedos e ficou forçando a mão para dentro até conseguir tocar na minha úvula. Permaneci com os lábios semiabertos e foi quando ele me deu um beijo de língua – o qual não retribui –, mordeu meu lábio inferior e depois cuspiu dentro da minha boca.

Levei alguns tapas no rosto, puxadas de cabelo e beliscões nas bochechas. Uma escarrada foi direto no meu olho, que estava fechado, e posteriormente, sinto seu pênis se esfregando no meu rosto e algumas vezes penetrando em minha boca, onde o deixou repousando por alguns minutos. Também cutucou com seu instrumento o meu nariz e o meu ouvido, como se quisesse penetrá-los. Ele se masturbava um pouco e logo depois ficava batendo – algumas vezes de uma maneira bem violenta – o falo na minha cabeça.

Pela terceira vez, ele cuspiu em mim. Quando a saliva ia escorrendo pelo lado, ele começou a lamber o meu rosto como se fosse um animal. E aquela pegajosa língua resvalava pela minha boca e pelas minhas pálpebras. Chupou o meu nariz e introduziu sua língua nas minhas narinas e depois dentro do meu ouvido. Só terminou de me lamber, após deixar meu rosto completamente babado. Voltou a bater continuamente o pau na minha cara e só interrompeu uma vez para se tocar. Gozou consideravelmente, bem no meio da minha face e ainda ordenou que eu continuasse estática. No final do programa, ficou me elogiando, mas nem prestei muita atenção em suas palavras. Apenas lavei meu rosto, peguei minhas coisas e fui embora.

(Sobre a autora, clique aqui)

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16 comentários sobre “À condição de uma boneca

  1. Já li todo o seu blog e tento não mais me surpreender, mas cada vez que pendo que já vi de tudo em matéria de loucura, vc mostra alguma outra impensável.
    Meu mundo está muito longe do seu, mas sempre nos tangenciamos, por isso gosto tanto de ler o seu blog. Gosto de imaginar o que essas pessoas que se mostram tão certinhas no dia-a-dia podem chegar a fazer em busca de prazer.
    Esse post não foi tão chocante como outros programas, mas o que me espanta é como pode-se ter prazer fazendo coisas tão idiotas como por a mão na sua boca.
    Concordo contigo quando diz que tem medo de se tornar mecânica. Acho que se eu estivesse em seu lugar, colocaria a minha alma em uma pequena caixinha no fundo do meu corpo e só a retiraria de lá quando estivesse contando as notas do meu pagamento.
    Gosto e admiro você por vários fatores que ainda vou te contar.
    Um beijo com muito carinho.

    • Olá, Milie!
      De fato, o campo sexual é um terreno muito fértil para se explorar a “loucura” das pessoas; e a minha também (lendo o blog, você deve ter notado que eu não sou muito normal).
      Acho bem legal quando encontro um cliente na rua e me recordo de como ele se comporta diante do sexo. É bom porque perdi muitos preconceitos afinal não tem como deduzir as perversões sexuais de uma pessoa apenas pela sua aparência ou pelo seu jeito de se portar (embora a primeira impressão que tive quando vi o cliente desse post foi de que ele era bem estranho).
      Milie, adorei a sua visitinha! Hmmm… gostaria que participasse mais vezes…
      Um beijo bem carinhoso! E até mais!

  2. Oi Princesinha!

    Como esse programa foi doloroso, ein? Quando todo o nosso corpo é usado, a nossa cara e a nossa boca é a única coisa que queremos que permaneçam intactos. Pelo menos, eu sinto assim. O meu corpo usufrui dos prazeres sexuais, mas a cara ainda é de uma menininha e quero que esta continue assim, “virgem” de todo esse acto. E minha boca, quando toca a beijar… Não permito que ninguém sinta, parece que é meu único pertence, o único lugar que ainda não foi explorado e por onde sai tudo o que a minha alma sente, todos os desabafos, todos os berros, todos os choros. Minha boca é MINHA.

    Por isso, para mim, todo esse programa foi extremamente horrível. Não consigo (nem quero) imaginar o que sentiria se me fizessem isso, se me obrigassem a ficar estática e usufruírem da minha cara como se fosse uma boneca insuflável!! Minha cara… Até estou chorando, que idiota!

    Beijinhos e muita força, princesinha.
    Soraia

    • Oi querida!
      Eu também acho que o rosto é uma parte do corpo muito sensível (até porque concentra nossos sentidos) quando explorada sexualmente. Inclusive, uma das minhas grandes dificuldades quando comecei a trabalhar como gp foi aceitar que os clientes me beijassem.
      Enfim, como eu uso muito a boca para trabalhar, involuntariamente, perdi o nojo de muitas coisas e também acho que minha boca é a parte mais “suja” do meu corpo. Tudo isso, de alguma forma, contribuiu para que eu suportasse esse tipo de programa. E como eu disse no post, eu ainda não sei ao certo como me senti no hora.
      Fico muito empolgada sempre que vejo que tem um comentário seu no blog. Este aí até me fez refletir umas coisas… obrigada, obrigada!
      Beijinhos, meu anjo!

  3. Oi, Ayana.
    Belo post. Eu gosto muito dessas práticas em que a mulher fica bem passiva. Felizmente, minha mulher também gosta. Eu tinha problemas com a primeira. Não gostava que eu batesse, nem que puxasse o cabelo, nem que batesse a cabeça dela na cabeceira da cama, por exemplo.
    De cuspir, eu gosto, mas evito, pois não é uma coisa muito higiênica, né? Sempre se podem transmitir doenças dessa forma. O resto, sabendo-se fazer, para não machucar a parceira, é lícito.

    • Oi, Tricampeão!
      Então, dependendo da situação, eu gosto que cuspam em mim. Não é higiênico, mas no que se refere a doenças, eu não tenho certeza, mas acredito que é menos arriscado do que beijar na boca ou fazer oral sem preservativo.
      Também acho que na hora do sexo, sendo consentido, qualquer fantasia é válida.
      Achei muito legal que você tenha gostado desse post, porque imagino que a maior parte das pessoas não gostaram muito dessa forma exótica do cliente ter prazer.
      Um grande beijo e obrigada por me visitar!

  4. Oie, fazia um tempo que eu nawm comentava. Fiquei pensando na loucura que deve ser esses programas… espero que vc receba bem para faze-los. Gosto mt de ler seus posts, sempre que posso dou uma conferida. Bjos, bjados.

    • Oi, Grazy!
      Bem-vinda de volta! =)
      Eu já passei por programas bem exóticos, mas vou contando em doses homeopáticas para não espantar muitos leitores ^^
      Bem, o meu cachê não está entre os mais altos na prostituição (dependendo de quão alto, diria até que está bem distante), mas além do dinheiro, acho que compensou pela experiência.
      Senti saudades suas! ^^
      Beijinhos, minha querida!

  5. Nossa!
    Faço das palavras da Soraia as minhas ..
    “Por isso, para mim, todo esse programa foi extremamente horrível.”

    Ja li alguns relatos e nenhum me surpreendeu tanto quanto esse.
    Paro pra pensar como é o jeito desse homem junto a sociedade, como ele age com a familia dele, amigos.. se é que ele os tem ..

    • Oi, Luane!
      Eu também fiquei pensando em como seria cotidiano desse sujeito. Já faz um tempinho que aconteceu esse programa, mas pelo que eu me lembro, acho que ele não era casado, já que eu não vi nenhuma aliança no dedo. É sempre delicado fazer esse tipo de suposição, mas eu acho que ele não deve se dar muito bem com mulheres, já que eu tive que ficar completamente passiva independente do que ele fizesse comigo.
      Espero que tenha gostado do meu diário!
      Beijinhos, beijinhos! =*

  6. Pensando um pouco no que a Luane disse, pensei no contrário: teríamos mais homens, em comparação, com estes desejos sexuais, vamos dizer, sádicos, do que mulheres? E qual a causa disso?, caso seja ‘sim, temos mais homens sádicos do que mulheres’. Também é uma questão para se refletir, não? Na minha opinião, parece que é mais fácil aos homens agirem desse jeito, no caso, voltando a um passado onde ele era o todo-poderoso da relação homem-mulher, em quase todos os níveis. Já as mulheres, talvez agora com a liberdade que ainda estão conquistando, comecem a ter estes desejos também. Bem, foi só algo que pensei agora e que, talvez, mereça mais reflexões de nossa parte. ;-)
    Beijos do Pornógrafo

  7. Não me vejo fazendo sexo só por fazer, sem dar prazer a outra pessoa … tá certo que uma rapidinha nem sempre agrada a mulher, mas bater, cuspir … o cara além de completamente sem noção é muito nojento, e você tem que ser muito forte para aguentar isso … é só meu 2º post sobre seus programas, o 1º foi do pênis indefeso, se esses não são os piores, imagina o que ainda não li …

    • Oi, Alan!
      Felizmente, eu já escrevi, mas não muito, sobre programas mais prazerosos. Mas ainda há situações bizarras pelas quais passei e que ainda não tomaram a forma de um texto. Prefiro contá-las em doses homeopáticas para não assustar muito os leitores ^^
      Beijinhos e volte sempre!

  8. DÚVIDAS E PERGUNTAS<<<<<<<VC COSTUMA RECEBER E RETRIBUIR BEIJOS DE LÍNGUA? O ESCARRO, A SALIVA, O ESEPRMA NO SEU ROSTO NÃO TE DÃO ASCO? QUAL O TIPO DE ATITUDE QUE MAIS TE AGRADA VINDA DE UM CLIENTE (palavras,toques,beijo, carinhos, carícias, outros).Bjjsss

    • Oi, Ari!
      Vou responder suas perguntas ^^
      Eu sempre retribuo beijos de língua, mesmo que algumas vezes eu sinta nojo. Mas até que não sinto muito nojo quando cospem ou ejaculam no meu rosto, na maioria das vezes eu sinto prazer.
      Eu gosto quando os clientes me dominam de alguma forma e quando me humilham durante o sexo =X
      Bom, é isso! Beijos, beijos, beijos!

  9. Meu ex tinha essa tara tb, só que batia de leve ou às vezes só esfregava o pau no meu rosto. Eu consentia mas nunca sentia nada, só ficava pensando: “Ah que sem graça, termina logo”. Eu ficava de olhos fechados pra disfarçar minha falta de interesse. Apesar disso acho que no sexo desde que haja consentimento de ambas às partes não existe coisa bizarra mas eu, não conseguia achar prazer naquilo. Então era como um favor que eu fazia em emprestar meu rosto pra ele.

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