Predestinada a ser uma putinha


Anteriormente, eu concebia a hipótese de que as garotas que entravam na prostituição já haviam passado por alguma fase de promiscuidade durante a juventude, antes de se entregarem ao entretenimento sexual remunerado. Se eu não tivesse me curvado perante toda forma de libertinagem que direcionaram a mim, na minha época pré-prostituição, muito provavelmente jamais teria me entregado a essa profissão. Após dar com frequência durante todo ensino médio, aos 18 anos de idade, sentia-me muito bem capacitada para explorar o meu espírito de putinha como um meio de ganhar dinheiro. Achei que iria reencontrar muitas das meninas mais ousadas e liberais, com as quais mantive contato em algumas festas, dentro dessa categoria de trabalho. Não é uma regra geral, mas me parece que as profanas daquela época se entregaram ao bom comportamento, enquanto as ex-puritanas optaram por chafurdar os ambientes pecaminosos pela via da prostituição.

Tomei muitas decisões irresponsáveis na minha vida, mas quando optei por me prostituir, eu já sabia mais ou menos que algumas desgraças me aguardavam, porém fui convencida pela minha xana de que seria beneficiada por uma quantidade enorme de orgasmos. Depois de participar de muitas “oficinas”, entrei nesse serviço já com um bom currículo em mãos: strip-tease, garganta profunda, sexo anal, pompoarismo. Experiências anteriores? A resposta sempre era um sorrisinho malicioso. Haviam sido muitas as vezes em que me entregara ao sexo casual, então me encontrar com os clientes representava mais o reforço de um velho hábito, isto é, faria sexo mais do que nunca. Graças a minha rigorosa dedicação às sacanagens, não demorou muito tempo para me sentir bem à vontade quando minha vida se transformou oficialmente num verdadeiro bordel. E assim, descobri que tenho vocação para ser puta.

Salvo algumas exceções, as mulheres que entram nessa carreira não têm o “feeling” da putaria. Estão nessa vida pelo rendimento financeiro, delimitando todas as suas relações a partir das regras mercantilistas. Dentro do meu pequeno círculo de contatos, algumas vezes ouço rumores de garotas que perderam a virgindade fazendo programa, sendo que umas perderam até mais de uma vez. Me preocupa porque o meretrício não é o ambiente ideal para elas explorarem sua sexualidade. Talvez eu esteja me tornando uma puta velha, porque ando reparando como certas colegas ainda são inexperientes na cama. Ou seriam assim apenas quando estou presente? Como nunca sou a financiadora das orgias, algumas – carentes de homossexualidade – não são muito atenciosas às minhas vontades sexuais. Mas deixe de reclamar, guria! Cada uma que cuide de seu trabalho! Verdade. Melhor deixar aos clientes a atribuição de avaliar o nosso desempenho.

(Sobre a autora, clique aqui)

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10 comentários sobre “Predestinada a ser uma putinha

  1. Oi princesinha,

    Acho que essa profissão realmente assenta que nem uma luva em si! O apetite sexual e a experiência são, a meu ver, as partes fundamentais para exercer a profissão de “putaria”. Ainda bem que você não é daquelas que estão nessa profissão por ser a maneira mais rápida (mas não a mais fácil) de fazer dinheiro para sustentar família e ganância. Você faz pelo prazer que daí retira, e quem trabalha com gosto não trabalha, apenas brinca!

    Adorei esse post porque senti optimismo aqui presente! Foi você que decidiu entrar nesse mundo e é você quem tira prazer dessa experiência e não se fica queixando o tempo todo, como muitas fazem. E VIVA O SEXO!! (Hoje parece que estou um ‘cadinho liberal, né?)

    Beijinhos desta sua leitora

    Soraia

  2. Ola Princesinha!
    A sua idéia sobre a ter TALENTO para a prostituição é exatamente a minha!!! Assim como qualquer outra profissão, para ser prostituta, a mulher precisa ter talento também. As experiências sexuais anteriores não passaram de um estágio, como em qualquer emprego.
    Uma cozinheira realmente boa tem que gostar daquilo que cozinha, então uma puta realmente boa também tem que gostar de gozar.
    O dinheiro é bom, mas existem outros trabalhos onde o dinheiro também vem fácil, mas em nenhum outro pode-se gozar tanto.
    Então, se você acredita no seu dom para a profissão, aproveite!!! Afinal, a aposentadoria vem pra todas.
    Beijos

  3. Pô, imagino que não é necessária uma fase de promiscuidade para a garota entrar no meretrício, como você mesma disse muitas perderam virgindade dessa maneira. E hoje em dia no Brasil vemos que boa parte da prostituição é feita por mulheres de renda muito baixa, que acabam chegando à essa profissão somente por esse motivo.
    Nhá, quanto à falta de putaria no espírito geral delas, imagino que isso possa ser mais apenas no círculo que você esteja acostumada, pois pense bem, algumas prostitutas de sites como M class em 6 meses ganham o que muitos trabalhadores demoram a vida pra ganhar. Elas literalmente poderiam trabalhar por 1 ano e nunca mais precisar trabalhar na vida, e ainda assim vemos essas mulheres passarem anos na prostituição, e ainda perseguindo maior destaque e conhecimento nesse mundo, então imagino que cada caso seja um caso, algumas vão por prazer, outras por necessidade, outras por acaso. E provavelmente existem todos âmbitos de satisfação possível des daquelas que amam o que fazem, até aquelas que choram toda noite por terem que fazer aquilo para sobreviver.

  4. Já virei fã! Primeiro, ótimo texto, segundo, bem, fala sobre meu tema principal (aliás, tema principal do mundo inteiro). Isso, sem contar Carta Capital, Le Monde Diplô, Lolita (também um dos meus favoritos) e por aí vai. Só estou chateado por não ter conhecido este blog antes. :-)

  5. Falando sobre o assunto que conversamos…. sobre seu gosto pelo trabalho ;)…
    Sabe que vejo muitas meninas que trabalham comigo não gostarem de sexo… mas essas não são as verdadeiras capitalistas, pois não conseguem ganhar dinheiro muito tempo, uma vez que os clientes não voltam ou não dão boas referências. Concordo que tem que gostar ao menos um pouco de sexo, ou pelo menos fingir isso muito bem (o que é mais difícil).
    Eu como comentei estou nisso por dinheiro… e vou continuar por dinheiro, pois a putaria que eu mais gosto é a que acontece espontâneamente, nos momentos que não cobro. O resto é resto, tudo vira pinto e pinto é tudo igual, sendo que alguns machucam, outros não dá pra sentir e outros até que são gostosinhos, mas o cronograma é o mesmo, só muda o pedido do cliente.
    Beijos

  6. Oh baby, me incomoda quando você se autodenomina “putinha”; pois é como se estivesse aceitando ou incorporando todos os rótulos e preconceitos, além dos tabus sobre sexo! Não podemos aceitar esse mundo hipócrita; mas sim tentar mudá-lo.Bjjsss

    • Oi, Ari!
      De todos esses julgamentos, eu acho “putinha” o mais gracioso. Até porque, eu costumo chamar algumas amigas de putinha, mas para demonstrar carinho e também intimidade, claro. Mas no texto escrito, fica mais complicado notar o tom das palavras.
      Beijinhos, beijinhos!

      • Vendo por esse aspecto muda tudo; afinal as palavras tem a conotação que damos ao pronuncia-las; se “putinha” é dito de forma carinhosa e sem tom pejorativo e preconceituoso fica bonitinho mesmo!! Vida longa a todas as putinhas maravilhosas desse planeta!!!!Bjjs

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