Passeando com os passarinhos


Mesmo estando um pouco afastada das relações sadomasoquistas, ainda não perdi o costume de procurar, nem que seja apenas para fazer amizades, por mulheres dominadoras pela internet. A Raquel e eu temos algumas semelhanças, apesar de termos seguido orientações opostas nas práticas BDSM: ela, sádica, e eu, masoquista. Temos a mesma idade, uma boa experiência nesses tipos de relacionamento e não gostamos muito de assumir compromissos, ou seja, ela domina várias submissas e eu me entrego a vários dominadores. A justificativa é que ainda estamos procurando a companheira ideal… pelo menos no meu caso, a quem estou tentando enganar?

Gosto de alcançar os meus limites quando me submeto a alguma pessoa. Não tenho muito pudor, nem muito juízo, principalmente quando estou excitadinha. As palavras da Raquel deixaram a minha xana bem agitada e, naquele momento, eu só pensava em implorar para ser abusada. Anteriormente, havia me promovido como a última bolacha do pacote. Porque eu sou muito obediente, gosto de práticas hardcore, tive bastante experiência com outros dominadores… no final, sempre caio nas minhas próprias armadilhas. Minha dominadora quis comprovar se eu era realmente tudo aquilo e decidiu me humilhar em público. “Sim, senhora!”, não havia outra resposta possível.

Primeiro eu me vesti como a Ayana, quer dizer, como uma sem-vergonha: minissaia azul, top branco e calcinha string. A minha nobre missão seria conseguir uma xícara de açúcar com algum dos meus solidários vizinhos. Mas eu não iria sozinha; dois amigos me acompanhariam. O Piupiu é amarelo, tem uns 15 cm e dez velocidades de vibração. O outro passarinho, um pouco menor e mais calmo, é o Woodstock. Sem dúvidas são dois bichinhos muito animados, o único problema é que cantam muito alto mesmo quando estão na gaiola. Todos na rua iriam ouvi-los, já que minha senhora ordenou que eles estivessem na velocidade máxima, piando entre as minhas pernas – o Piupiu na frente e o Woodstock atrás. Calma, calma, calma! Andava com as pernas bem juntinhas para abafar o som e ainda tinha que me concentrar no meu objetivo.

Fui pedir em duas casas. Tocava a campainha, afastava-me do portão e de longe pedia – visivelmente ofegante e gaguejando algumas palavras – por uma xícara de açúcar. Não prestei muita atenção na reação dos meus vizinhos, porque estava muito apreensiva. Talvez não tivessem entendido o que se passava, mas certamente notaram que havia algo me importunando. Voltava bem rápido para casa, sentindo tanta vergonha que a minha vontade era ficar debaixo das cobertas escondida e me tocando. Eu precisava muito gozar! Porém, a Raquel não permitia, então comecei a ficar muitíssimo desesperada.

– O que eu preciso fazer para a senhora permitir que eu goze?

E mais uma vez, saí para pedir açúcar, dessa vez com a permissão de gozar sob determinadas condições. Duas mulheres estavam conversando em frente à casa de uma delas, e sem me importar mais com o ruído oscilante que partia da minha região íntima, fui fazer meu pedido a elas. Ficaram em silêncio, observando o meu corpo descoberto; inquieto e transpirando. Quando uma delas entrou para buscar o açúcar, tentei dissimular, expressando alguma naturalidade, enquanto repetia centenas de vezes na minha mente: “Vai logo! Vai logo! Vai logo!”. Mesmo depois de voltar com a minha xícara cheia, minha aflição ainda não terminara.

– Obrigada! Me desculpe incomodá-la com isso, mas estou fazendo um bolo agora e não tinha visto…

Fiquei estática; não sei por quantos segundos. Diante daquelas senhoras, meu orgasmo foi muito intenso. Só me lembro de ver uma delas virando o rosto para trás e, logo em seguida, para eu fugir dessa situação, inventei que havia deixado o forno ligado. Entrei correndo em casa e deitei na cama com o travesseiro cobrindo o meu rosto. Estava completamente atordoada, porque é só no período pós-orgástico que a minha racionalidade começa a se impor. Contudo, dessa vez, não por muito tempo. Para me livrar de qualquer arrependimento, me convenci de que só estava cumprindo meu papel de submissa. A partir daí, volto a ficar de joelhos e imploro por mais um orgasmo.

(Sobre a autora, clique aqui)

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13 comentários sobre “Passeando com os passarinhos

  1. Também quando eu li o título pensei em ser outra coisa, mas quando li o texto me deparei com outra muito diferente, realmente a Raquel é assim mesmo, ela já fez algumas vezes isso comigo, mas eu continuo gostando dela, ela é nossa (yn)

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