Só depois que eu quiser abrir as pernas


Sem querer parecer pretensiosa, nunca tive muitas dificuldades para levar um homem para cama. Não precisava estar impecável, nem pagar algumas bebidas e nem mesmo ser simpática. Minha própria reputação de vadia era suficiente para nem mesmo precisar abordar qualquer rapaz. Ser puta tem suas vantagens, por outro lado, ainda fico chateada com a forma pouco respeitosa que muitos se dirigem a mim, partindo de preconceitos contra a maneira como administro minha vida sexual. Ao que parece, as mulheres que não se apegam aos valores morais, conservadores, machistas, cristãos devem ser punidas pela sociedade. Lido bem com a repressão, principalmente por esta estimular o meu espírito contraventor.

Em geral, os homens ainda exercem um papel de dominação sobre as mulheres, se bem que sou otimista com relação à quebra de paradigmas em favor de uma relação mais igualitária entre os sexos. Muitos homens se recusam a admitir que a decisão final de fazer ou não sexo, geralmente, parte das mulheres. Mas para não perderem sua qualidade de “macho alfa”, muitas vezes reduzem a participação da garota como mero objeto sexual. O homem é o ativo, a mulher a passiva; o homem come, a mulher dá. Embora seja natural empregarmos essas construções, não deixa de ser uma perspectiva machista diante do sexo, também disseminada, às vezes na sua pior configuração, por muitas mulheres. Se tiver curiosidade, pergunte a uma garota de programa o que ela pensa sobre uma moça que faça sexo com vários indivíduos sem receber dinheiro em troca.

Quando defendo que a palavra final deva partir da mulher, estou considerando que o sexo acomete mais o corpo feminino (e caso alguns machos não concordem, aconselho que experimentem dar o ânus). Convém repetir que os casos em que essa relação se estabelece sem o consentimento da vítima configuram-se como uma forma de violência, passível de uma pena de até 10 anos de reclusão. Assim, cabe muito bem a premissa “meu corpo, minhas regras”. No meu caso, ao defender essa ideia, corro o risco de os clientes rirem na minha cara, mas antes disso, proponho uma simples reflexão: existe uma diferença entre oferecer o meu corpo e oferecer um serviço sexual.

(Sobre a autora, clique aqui)

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11 comentários sobre “Só depois que eu quiser abrir as pernas

  1. Estou a ler um livro que toca esse assunto: Women on top (Nancy Friday). É um compendio de fantasias sexuais femininas (sim, quero aprender). Entre os capítulos de fantasias, a escritora faz uma análise profunda da sexualidade feminina dos anos 80, depois da suposta emancipação sexual da mulher dos anos 70 (sim, podemos discutir o “suposta” se quiseres :P). Das várias cosias fabulosas que venho descobrindo, uma frase fantástica me marcou por tratar cruamente o medo dos homens quanto ao poder sexual da mulher (pelo menos eu me reconheci amplamente nesse medo). Traduzindo livremente do inglês, daria algo como:
    “Os homens fantasiam com mulheres sexualmente vorazes (fantasia favorita de muitos), mas quando o sonho se torna realidade – como aconteceu rapidamente na década de 1970 – e ela está lá, mãos no quadril, empurrando sua boceta na cara dele, os seus piores temores são despertados: será que ele pode satisfazê-la, ou será que ele vai acabar pequeno e impotente como ele já foi uma vez, frente ao seu primeiro grande amor, a mãe, a gigante do berçário?”.
    Até hoje penso nisso :)

    • Oi David!
      Adorei sua contribuição ao meu post! =)
      Eu voltarei a tratar desse assunto em outro texto, só que dessa vez apontando algumas pressões que o sexo masculino passa durante as relações sexuais, sendo que uma delas é justamente essa cobrança de satisfazer uma mulher incrível na cama. Afinal, quando se trata de sexo, nem homens, nem mulheres querem passar uma má impressão ao parceiro.
      Espero que muitos outros homens estejam pensando nessas questões como você!
      Obrigada pela sua visita! E um grande beijo com muito carinho!

    • Oi, Gabbie!
      Bom, eu não faço diferenciação entre a blogueira e a prostituta, até porque são duas faces que compõe o meu perfil, a minha realidade. Isso é ótimo, porque não preciso passar por uma estruturação, simplesmente escrevo sobre minhas experiências e sentimentos. Confesso que há pouco tempo, comecei a pensar em escrever um livro, mas eu ainda não me sinto muito motivada. Você poderia me ajudar garantindo que compraria um exemplar? =)
      Obrigada pela sua visita!
      Beijos!

    • Oi, Augusto!
      Eu bem que queria deixar de ser preguiçosa e escrever mais, mas com esse frio e com os clientes me dando muito trabalho, tive pouco tempo para me dedicar ao blog. Mas aos poucos eu vou voltando com alguma regularidade nos posts.
      Beijinhos, beijinhos!

  2. Ayana, concordo plenamente com o que dizes no post; é verdade que a mulher decide, até por possuir maior sensibilidade. Como homem, defendo que haja de nossa parte respeito total pela mulher. independentemente de como ela vive e com quem se deita; isso não deve ter a menor importância; o pré julgamento gera o preconceito; que por sua vez gera a desumanidade, a violência contra a mulher; tão comum hoje em dia, infelizmente!! Que as fêmeas tenham o total dominio sobre seu próprio corpo em qualquer circunstância; é um direito humano e feminino universal!!!

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