Para não dar de olhos fechados


Uma das dificuldades inerentes da minha profissão é se sentir à vontade fazendo sexo com clientes muito feios, ou seja, homens sacaneados pela genética e descuidados com a estética. Uma vez que não desejo ter uma visão muito clara da realidade, a solução é recorrer às complacentes doses etílicas, cujo consumo abusivo é capaz de me incitar a trepar com qualquer criatura asquerosa. Ai, ai… até parece que me engano com aquela desculpinha: “Dei a xoxota porque estava muito bêbada”. Preciso de outros escapismos, porque o argumento de que essas situações fazem parte do meu serviço não é o bastante para acalmar minha consciência. Mas aí eu também começo a me preocupar com a possibilidade de entrar no alcoolismo. Ora, seria totalmente insustentável beber toda vez que atendesse um cliente desprovido de beleza! Veja bem, eu não sou muito criteriosa quanto à aparência do meu parceiro, mas alguns – nem tantos assim – são realmente muito, muito feios!

Existem aqueles que compensam a carência de atrativos físicos com outras qualidades pessoais incrivelmente sexys, tais como simpatia, educação, respeito. Então o cliente conquista o seu charme e ao mesmo tempo pulveriza o meu olhar muitas vezes estereotipado, carregado de preconceitos, que assumo durante uma primeira aproximação. Conheço superficialmente a personalidade de poucos – sei bem mais sobre o desempenho sexual de cada um –, porque os diálogos nos programas, em via de regra, são muito breves. Várias vezes, fiz sexo com sujeitinhos cujas características em nada me atraíram – totalmente desleixados com a aparência e com a educação. Procuro abstrair todos esses defeitos e dou atenção apenas ao seu falo. Pobre criança! Não tem culpa alguma de ser operada por um asno. É por isso que lhe ofereço um lugar quentinho para se proteger.

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25 comentários sobre “Para não dar de olhos fechados

  1. “Procuro abstrair todos esses defeitos e dou atenção apenas ao seu falo. Pobre criança! Não tem culpa alguma de ser operada por um asno. É por isso que lhe ofereço um lugar quentinho para se proteger”

    Fiquei encantada com o seu senso de humor. Vou passar a me inspirar nessa sua frase, da próxima vez que me deparar com um cliente desprovido de educação, simplesmente adorei!!! huahsuhaushauhusa

  2. Olá, Ayana!

    Mais uma vez o texto não foge ao seu melhor estilo, mas é sempre diferente por trazer algo novo.

    Sei que para quem não vive no meretrício é bem mais fácil lidar com o desejo que alguém desprovido de beleza tem, bastando beber ou simplesmente frustrá-lo com um “não”, mas quando se trata da necessidade de encarar a parada por se tratar de ossos do ofício já é algo que creio ser diferente. É algo que só posso imaginar como extremamente desagradável, e mesmo a educação, simpatia e respeito são apenas uma forma de tornar o sexo algo menos ruim ou mais suportável.

    Por mais que digamos que a beleza não importa, ela é importante sim, porque faz parte de nossas preferências, e estas possuem várias nuances. Negros, pardos, índios, amarelos, brancos, mulatos, caboclos, cafusos, aborígenes, esquimós, políticos… todos têm lugar nesse mundo de preferências, é normal. O problema é quando a beleza de alguém se torna o único critério de avaliação para alguém.

    Mais uma vez seu texto está excelente, como você sempre tem feito, e… acho que não tô tão mal na fita, rsrs.

    Um beijão! Cuide-se bem, Ayana!

  3. Oi princesinha,

    Sempre tive curiosidade de perguntar isso mesmo, como você faz quando o cliente não é o “melhor partido”, apenas desprovido de beleza exterior (e por vezes interior). Felizmente, nem tive de perguntar!! Tenho a mesma opinião que Christian em relação à importância da beleza exterior na nossa sociedade. Por mais que digamos “não importa”, a verdade é que a beleza exterior é, normalmente, a primeira impressão que temos de alguém e, em algumas profissões, é a única que temos. Por isso, só de pensar que tenho de abrir as pernas para alguém cuja aparência me dá nojo… Realmente, deve ser uma das grandes desvantagens de ser-se prostituta. Mas continua lidando com isso dessa forma, eu não teria arranjado melhor!

    Beijinhos e muito abraços desta sua amiga
    Soraia

    • Oi, Soraia! ^^
      Bom, é uma grande dificuldade do meu trabalho, mas eu também já me acostumei a fazer sexo com todo tipo de homem, então fica menos complicado. Bom, mas se eu não prestar muita atenção no cliente, felizmente, eu o esqueço com certa facilidade.
      Beijinhos, minha querida! =*
      E tenha um bom dia!

  4. E assim mais uma dúvida minha ficou esclarecida sem eu ter de perguntar (como as prostitutas encaram o sexo com clientes assustadores). Obrigado Ayana, mais uma vez.

    Eu sempre pensei que se beleza (externa e/ou interna) fosse premissa para sexo e reprodução, com a teoria de evolução das espécies em ação, o mundo seria um lugar pacifico e repleto de pessoas bonitas. O interessante é que as pessoas feias (dentro e/ou fora) transam tanto quanto os demais, e não é só com prostitutas. Pergunto-me agora se o sexo é a única “coisa” genuinamente desprovida de preconceitos?

    • Oi, David!
      Como de costume, seus comentários são bem pertinentes. Fiquei pensando um pouco na teoria da evolução das espécies e tive grandes viagens, do tipo: se todos tivessem o atual padrão de beleza, eles não seriam considerados bonitos. Enfim…
      Bom, eu acho que o preconceito está presente em qualquer relação humana. Contudo, como o sexo passa muito por comportamentos impulsivos, acontece de deixarmos de agirmos preconceituosamente, embora ainda tenhamos algum preconceito em nossa mente, que vai se modificando e pode até ser superado.
      Beijos, beijos, beijos! =*
      E até a próxima!

  5. Há! O cliente feio é carente, a putinha é a válvula de escape, da feiura, agressividade e do prazer. O dinheiro paga a puta e preenche seu espaço. Não existe cliente feio, basta fechar os olhos e acreditar…sonho meu…posso ser quem você quiser…

  6. Gostei da sua sinceridade e da objetividade do texto.
    Se o cliente não tiver sido “favorecido” em seu aspecto externo, que, pelos menos, procure compensar com atitudes e comportamentos que o tornem uma companhia agradável.
    Valeu o recado!

  7. se a idéia é se promover e conquistar ‘status’ de GP CULTA, GP com inteligência acima da média etc. o caminho também esta certo.
    afinal até a Laurinha Novaes ficou sua fã
    ehhe…

    Rodrigão.

    • Oi, Rodrigão!
      Que nada, eu não tenho a intenção de me promover, por outro lado, eu tenho muita vontade de ser lida, ainda mais porque, desde que comecei, recebi reações muito legais de outros internautas (inclusive da Laura, mas já faz muito tempo que ela comentou, então não sei se ela continua a acompanhar o blog).
      Ah, muito obrigada pelo recado! Mas, olha só, eu não respondo os comentários porque estou interessada em fazer sexo com vocês, ok? (Será?) ^^
      Beijos, beijos!

  8. Olá Moça,

    Finalmente uma prostituta que fala da feiura dos clientes, rsrsrsrs

    Gostei desse seu artigo, pois nós homens já somos feios e com o tempo a coisa piora de situação.

    Olha, mesmo se você estiver fazendo auto-promoção, não tenho nada contra. Acho até interessante uma GP culta, pois o que vemos hoje é um bando de mulheres que mereciam ficar caladas.

    É só ligar a TV. Dá até nojo assistir certos programas. São mulheres que dão para os caras certos para ficarem mais tempos na TV. O que as diferencia das GPs?

    Por isso, até gosto da idéia de uma GP cult, pelo menos, fala de assuntos complicados, com propriedade e sem falar besteiras…

    ATé mais

    Observador

    • Oi, Observador!
      Na minha opinião, as garotas de programa são mais transparentes do que essas moças que fazem sexo para se auto-promover. Neste caso, sinceramente, eu não acho nada ético.
      Eu não me considero muito cult, mas gosto de problematizar todo tipo de questão. Se eu ficasse apenas com minhas questões sexuais, minha vida seria meio vazia, ou mais vazia…
      Beijos, beijos e obrigada por comentar!

  9. Fazia tempo mesmo que eu não lia o blog. Mas hoje conversando com o Caos ele me lembrou e eu voltei a ler.

    Estou tirando o atraso lendo vários posts e sempre leio os comentários também. E os comentários do Rodrigão sempre me decepcionam, pois ele tem uma visão muito superficial, além de deixar transparecer uma implicância contigo, sei lá eu porquê. Talvez Freud explique, hehehe.

  10. Clap, clap, clap! bicho, ri muito agora! não é porque o cabra foi ‘sacaneado pela genética’ que não há de ser boa gente…
    Tô lendo o blog todo, pensando em tudo o que eu fiz nos anos 90… sexo, drogas, rock n’roll, não passar na porra do vestibular, quebrar o pau com meio mundo…. até o dia em que me domestiquei… e hoje, passados muitos anos do dia em que fui domesticada fico me perguntando se valeu a pena ter sossegado tanto.
    Bem, eu queria muito discutir contigo a questão da “identidade vadia”, a qual você assumiu – meio que por necessidade.
    Ah, deixa eu te contar um segredinho que você já sabe: nós ‘civis’ morremos de medo e inveja das profissionais.
    Sorte e saúde pra todos!

    • Eu adoraria conversar com você sobre tudo que envolve ser uma vadia! Eu conheço várias “vadias”, mas é uma pena que elas não sejam muito de discutir essas coisas. Vou aproveitar para tentar descobrir como você conseguiu se domesticar. Cada vez mais eu sinto que ando na direção contrária a isso.
      Anne, muito obrigada pela sua visita!
      Beijos, beijos!

  11. Abstrair é uma arte. Uma arte da qual todos deveriam saber um pouco – algo como ser um Picasso nas aulas de Educação Artística ou um pouco Dostoiévsky nas aulas de Redação. Podia fazer parte do conteúdo das escolas municipais e estaduais, ministrada por especialistas como a autora do texto acima, a professora Puta. Quem poderia criar método melhor: a professora Puta entra na sala de aula com seus cabelos lisos e bem tratados, a maquiagem pesada, as carnes saltando dos trajes minúsculos (quer prova maior de suas competências) abstraindo o o fato de que os alunos (quer os garotos com os queixos caídos ou as garotas com olhares indignados) só a veem como uma vagabunda escrachada, ensinando-os assim, por tabela, a abstrair tudo o que ela fala e prestar atenção só no que interessa…Talvez abstrair faça parte do currículo escolar e eu não saiba. Afinal, pelos meus posts aqui no fórum e a por eese texto, percebe-se que fugi da escola há muito tempo. O que posso saber sobre abstrair? Se soubesse não veria… melhor não chamaria a princesa acima de puta. Abrir as pernas para qualquer desconhecido enfiar o pau e gozar agora é profissão? Um bom abstraidor diria que sim. Elas merecem todo respeito – a definição é profissional do sexo. Puta? Coisa de gente ignorante. Coisa de gente que fala “dotô” ao invés de médico.Ma, por favor, deixe-me redimir.
    Professora puta, não tenho muito estudo, nem informação, mas sempre me falaram que ter um número elevado de parceiros, com ou sem camisinha, nunca foi considerado um hábito de higiene. Estou errado?
    Pissora!! Uma pessoa realmente linda de morrer – não aquela cuja beleza é apenas um pouco menos do que péssimo e um pouco acima do mediano – não seria hostess em algum restaurante chique, dançarina em algum programa medíocre de auditório, modelo de capa de revista ou passarela ao invés de se prostituir?
    Isso não significa que talvez a pessoa não seja tão bela assim ou, pior, que lhe falte alguma outra coisa importante? Cérebro, talvez (se bem que homem geralmente não liga para isso… oh, criatura insensível).
    Uma última perguntinha: quem é feio, chato, sujo e ainda por cima precisa pagar por sexo é repugnante, desprezível, não é?
    Quem ganha dinheiro servindo de capacho, de escrava sexual para esse serzinho hediondo descrito acima, por não ter, digamos, capacidade para conseguir de outra forma, é o que? Não é tão porca, desprezível e inútil quanto?

    Desculpe pela minha falta de humor (realmente o texto dela tem o estilo de humor ácido que eu gosto) e se eu viajei um pouco no texto acima (a insônia anda me deixando num estado meio doido) mas já escutei coisas parecidas (óbvio que nada próximo da eloquência da figura acima, que provavelmente nem puta é) de algumas putas e, sinceramente, não tenho mais estômago para ficar escutando puta se fingir de vítima. Até mesmo porque, como o colega Caubói disse num dos posts acima, crítica do jeito que a coisa anda nos privês, tem muito putanheiro tendo é que beber para encarar as vadias que se anda vendo por ai.

  12. Querida “Puta”,

    discordo do título. A verdade sobre os putanheiros proveniente de uma puta qualquer, prá mim não passa de
    divagações de alguém que está tentando justificar sua falta de pica no rabo, e dinheiro na bolsa.

    Se a dita cuja não gosta de trepar com “clientes Feios” *sic, procure então seus clientes no Facebook e “tente”
    agarriar alguns trocados, certamente não obterá sucesso. Toda puta que se preza sempre está insatisfeita com
    algo. Ou é o valor do programa que não lhe satisfaz, ou é o cliente que não lhe está a altura. Ora, se ela
    escolheu ser puta não é porquê passou no Vestibular de Medicina, ou Concurso do Banco Central, ou ganhou
    o concurso de Miss Brasil, e sim porquê não lhe sobrou mais nada a não ser aceitar dar o rabo, a buceta, e engolir porra
    em troca de tostões…

    Se ela bebe para atender clientes feios, acredito que ela rapidamente liqüida litros e litros de cachaça em suas
    noites e dias de atendimento, pois quem usa do serviço é pq não tem nem saco de ficar se arrumando para ir
    as baladas, ou não quer ter de se preocupar em agradar a qualquer uma que seja por conta de uma buceta ou
    um cú ou um boquete.

    Portanto,

    A única verdade acima divagada pela puta é apenas o reflexo embutido no texto escrito por uma mente obtusa…

    WG

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