Eterna submissa de alma vazia


Eu queria muito ser uma escrava sexual! Não qualquer uma. Gostaria de ser daquelas que se dedicam ao seu mestre em tempo integral – 24/7 no vocabulário BDSM. Daria por dinheiro somente quando as ordens superiores me instruíssem a me prostituir. Por conseguinte, provavalmente, a atual garota de programa jamais se despertaria, entretanto, foi a submissa que adormeceu. Já explorei bastante esse meu lado – senti prazeres inigualáveis e também decepções nessa mesma intensidade.

Fora as dominações casuais, tive três relacionamentos homossexuais e sadomasoquistas que caminharam sempre para o mesmo trágico desfecho: era quando elas perdiam o interesse por mim e simplesmente me descartavam. Sem qualquer dúvida, não há atitude mais sádica do que esta. Depois de passar tanto tempo apanhando, a última dor que me deixaram fora a do abandono.

A partir de tudo isso, passei a sentir medo de me envolver nesse tipo de relação, por mais que eu tenha conhecido pessoas incríveis no meio fetichista. Não tenho sentimentos suficientemente equilibrados para me dedicar à submissão. Ao delegar minha satisfação sexual a outra pessoa, a minha obsessão era sempre estar próxima a ela ou, no mínimo, evitar qualquer distanciamento. Tudo que queria e necessitava era apanhar, ser humilhada, fazer sexo e finalmente gozar. Em alguns momentos, sentia-me útil, desejada, importante – havia um sentido mais profundo além do sexual, que preenchia a incompletude de todos os outros relacionamentos, sobretudo aqueles que não recorriam ao consumo do meu corpo.

Creio que minha maior falha foi projetar as minhas carências naquelas que me dominavam. Sempre me recordo de suas palavras garantindo que cuidariam de mim, sem demonstrar exatamente como essa atitude se manifestaria na prática. Muito além de uma dominadora, buscava nelas uma companhia, uma amizade, uma mãe e uma namorada. Mas nunca houve esse grau de intimidade entre nós, fui eu que o criei artificialmente pois adoraria que aquela fantasia compusesse a minha realidade.

Fiz milhares de planos para o futuro e, em todos, estava disposta a sacrificar tudo que havia na minha vida, nem que fosse para seguir a vida miserável de um animal de estimação. Essa existência me parecia perfeita, contanto que me permitissem estar sempre aos pés delas. Sonhava em me livrar eternamente dos problemas, fundamentalmente, a solidão. Agora, a meu ver, isso não era preciso. No final das contas, notei que passei muito tempo sozinha, quando minha necessidade básica era simplesmente compartilhar um pouco a minha história.

(Sobre a autora, clique aqui)

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29 comentários sobre “Eterna submissa de alma vazia

  1. Ayana,
    Nunca me senti atraído por sadomasoquismo. Nunca mesmo. Mas creio que se continuar a ler a forma como descreves esse universo, daqui a pouco vou buscar alguém para me bater castigar o “rapazinho mau”! ;)
    Bjs

    • Oi, David!
      Sei lá, eu me identifiquei bastante quando comecei a pesquisar sobre as práticas sadomasoquistas. Tem tanta coisa que é muito difícil não se excitar com nada.
      Eu acho que levar umas palmadas é altamente recomendável caso queira intensificar o seu prazer. Digo isso como uma autoridade no assunto!
      Beijos e palmadas para você!

  2. é complicado isso :S no so curto “sado”, mas ja me decepcionei e sofri mt com isso :S querer viver so para aquela pessoa e dpois ser descartado [a] com mta facilidade =/ o pior dpois de ouvir que “eu” seria Mt especial e bla bla bla… Infelizmente não podemos acreditar em tudo que nos dizem q mt menos ouvir nosso coração… pois ele sem engana mt fácil.

    Se cuide =D

    Belo post!

  3. Olá Princesinha sou novato aqui no blog, já li muito de seus post e realmente,admiro você. Também sou uma pessoa muito sozinha sem ninguém e com um coração vazio e sem amor. sou muito deprimido e sem amigos……
    Gostaria muito de te conhecer! Irei lhe mandar um email com meu msn caso queira me conhecer.
    Beijao!!! Muito sucesso em sua vida!!!!!

    Obs: Esse é meu primeiro comentário em todo blog! hehehehe

  4. Olá moça

    Gostei de saber que vc ainda é submissa, mas não mais de seus dominadores ou de sua namorada.Agora você é a nossa submissa!!! Está sob as nossas ordens no blog, o que me anima mais a ler e querer virtualmente mandar em você.

    Toda vez que você divulga um texto se torna a nossa grande submissa, que ao ficar de joelhas chama toda a atenção para si…

    Quando você escreve, está se entregando aos seus leitores. Nossa, só em pensar nisso, me encho de prazer de ser um dos poucos a acompanha-la.

    Por isso aqui vai uma ordem pra você: poste logo outro texto, pois quero ter você de novo!!!!

    • Olá, (Senhor) Observador!
      Gostei desse papel de submissa – desnuda e de joelhos – diante dos meus leitores. É uma forma de exposição bem diferente. Nunca havia pensado nessa analogia tão inspiradora =)
      Admito que não estou sendo uma boa submissa (será que mereço um castigo?) já que não estou me entregando o suficiente para o pessoal daqui e, principalmente, por não seguir a sua ordem de postar mais rapidamente. Bom, mas se você for bem paciente, com o tempo consegue me adestrar!
      Beijinhos!

  5. Alma vazia, menina? Como você ousa usar esta palavra tão pura num espaço como este cheio de perdição? A sua alma já se perdeu. Você precisa voltar para uma vida normal e correta. Você ainda é nova e há tempo para se salvar, mas você tem que abandonar esta vida e voltar para a sua família, estudar e arrumar um bom emprego. Dá pra perceber que é inteligente. Por que insistir nesta vida?

    • Marcos, bom dia!
      Assumo pelo seu comentário julgador de “espaço cheio de perdição” veio depois de ler os textos, certo? Porque se não leu é apenas um comentário ignorante como existem imensos na internet. Se leu eu lhe pediria para ser coerente com o que acredita e parar de frequentar blogs de prostitutas, e vá exercer a sua benevolente tolerância num espaço mais propício. Tolerância (apregoada por todas as religiões, será preciso lhe lembrar?) é bem mais que uma palavra. É uma maneira de viver, de saber viver e conviver. Conviver!
      Tenha um bom dia.

      • David, li boa parte sim.

        Mas vou corrigir: não “frequento blogs de prostitutas”. Como todo mundo, acesso internet e deparo com tudo. Deparei com esse aqui que me chamou a atenção. Intolerante está sendo você que me pede para ir para “espaços mais propícios”…Quais seriam? Posso acessar isto aqui sim. Ou é um clubinho fechado de admiradores da Ayana? E meu comentário não tem nada de ignorante. Esta menina precisa de orientação.

        Tenha um proveitoso dia!

  6. Oi Ayana!

    Mais uma vez uma descrição tão interessante de um universo tão pouco conhecido para alguns (meu caso).

    Só vim mesmo deixar um comentário para dizer que continuo lendo e gostando muito dos textos. Além disso, acompanho também o aumento das discussões nos comentários e isso é bem legal.

    Pelo que tem escrito, é possível dizer que talvez haja uma “nova” Ayana? Mais madura talvez? Digo isso porque, ao ler seus textos em ordem cronológica, não há como deixar de notar um amadurecimento tanto da sua forma de escrever (que sempre foi boa e muito particular) como – arrisco dizer isso sem te conhecer, portanto estou dando um tiro no escuro – um amadurecimento muito seu, da sua personalidade, que pode ser lido nas entrelinhas.

    Bom, no mais é isso! Abraço, moça!

    Débora

    • Oi, Dé!
      Realmente, em alguns posts, tem surgido discussões muito interessantes. Eu mesma não estou conseguindo participar assiduamente de todas, porque minha vida está meio bagunçada =/
      Como você notou, eu estou numa nova fase. Eu mesma noto certo amadurecimento nos meus textos, nas minhas ideias. Ainda estou me descobrindo em meio a todas essas mudanças e espero poder contar um pouquinho disso para você.
      Muito obrigada pela visita! Beijinhos! =*

  7. Oi Ayana!!!
    Leio o seu blog e o da Letícia( que era cem homens,aí ela desistiu…)gosto da sua coragem,sua sinceridade.Eu gosto de uns tapinhas,mas de dor não.Perco totalmente o tesão.Acho que as pessoas deveriam respeitar as escolhas que cada um faz para vida e “brincar de vida,cada um cuida da sua” rsrsrsrsrsrsrsrs.Torço muito por você,e espero que um dia você se “encontre” verdadeiramente e seja completa e feliz!!!Beijinhos sua linda :)

  8. Oi, Ayana
    Também gosto quando você relata suas experiências com BDSM. Não tenha receio de ser criticada, o espaço é seu. Seu jeito de ser, de pensar pode desagradar aos mais conservadores, mas entra aqui quem quer, não é mesmo?
    Disseram aqui que vc precisa de orientação… eu ri. Tem pessoas que perdem muito tempo criticando a forma de vida de outras pessoas, ao invés de preocupar-se com sua própria vida. Como o David bem falou, falta TOLERÂNCIA.
    Bjooooooooo

  9. Adoro o universo SM, em especial bongage, shibari e o visual. Tudo o que é feito em comum acordo e dentro da segurança é válido. Normal?! O que seria isso? Para uma sociedade matriarcal ou poligâmica seríamos considerados todos (ou muitos) loucos. Mesmo que a maioria seja apenas hipócrita…

  10. Coloquei no Google alma submissa e acabei por achar seu blog. Me interessei muito na sua história e sou nova e estou me descobrindo submissa. Gostaria de falar com você, saber mais sobre todo esse mundo que cada dia mais me impressiona. Esse email e tambem meu msn, se puder me add ficaria grata.

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