Análise empírica do organismo extragenital


Da série “impasses profissionais irresolvidos”, seleciono uma problemática muito comum na atividade de qualquer prestadora sexual, que denomino como o “homo falicus inerte”. A expressão caracteriza o sujeito despersonalizado que estabelece uma interação mínima comigo e somente pela mediação do pinto. Este espécime, que nesta semana tornou-se endêmica sabe-se lá por qual motivo, apresenta um comportamento típico: no quarto, ajeita-se numa posição bem confortável e assim permanece com poucas variações até o término do programa, ou, durante os dias radiantes de primavera, quando atinge o orgasmo. A passividade de alguns alcançam níveis tão críticos, que o indivíduo manifesta resistência para ações simples como desabotoar a calça ou deitar mais para baixo na cama para eu poder trabalhar numa posição mais cômoda. Caso este quadro não seja revertido, minha projeção é que muito em breve passarei por situações nas quais precisarei carregar estes trastes para fora do quarto.

Um degrau acima na escala de evolução do espécime descrito, encontra-se o “homo falicus semi-inerte”. Diferentemente do exemplar anterior, cujas principais reações catalogadas em campo eram suspiros mais ou menos prolongados indicando tesão, a variação semi-inerte apresenta atividades motoras mais ativas, sobretudo dos membros superiores. Estes esforços podem ser catalogados em três categorias: puxar a minha cabeça contra seu cacete, de modo que este penetre mais fundo em minha boca (situação em que se observa maior perda calórica); apertar, esfregar, apalpar, torcer, puxar, pressionar com as mãos os meus seios e as minhas nádegas; e trabalhar os lábios e a mandíbula em conjunto com a língua, geralmente na minha boca ou, mais uma vez, nos meus seios.

Sobre este último conjunto, são necessárias duas observações: geralmente cabe a mim a tarefa de aproximação para que haja o contato entre o meu corpo e a boca do indivíduo; e uma vez que esta boca demonstrou funcionalidade sexual, foi possível estimular no objeto de estudo a movimentação do pescoço e da cabeça no intuito de aperfeiçoar a experiência sexual dos envolvidos. Estas potencialidades vislumbram um homem realmente capaz de proporcionar prazer a uma mulher, embora ele nem sempre manifeste esta vontade. Espera-se que nos próximos dois ou três programas, no máximo, seja possível também presenciar uma movimentação contínua das pernas e dos quadris. Claro que o programa ideal não vem acompanhado por estas pequenas mudanças, mas com certeza eu já me sentiria bem realizada!

(Sobre a autora, clique aqui)

Anúncios

9 comentários sobre “Análise empírica do organismo extragenital

  1. Gostei muito deste seu ensaio antropológico. Só tem ele nesta tag e espero que vc se anime a escrever outros. O animal humano é um excelente objeto de estudo, bem divertido se pensar bem. Ele exibe hábitos comportamentais bastante exclusivos se comparados à outras categorias de seres vivos. E as prostitutas estão numa posição bastante privilegiada de observação, pois é no sexo, (e geralmente o sexo pago é ainda mais propício a isso), que este animal exibe seus traços mais característicos e inusitados os quais passam normalmente despercebidos no convívio mais mundano.

    Beijos!

    • Verdade, como eu tenho uma vista privilegiada do íntimo das pessoas, será que alguma faculdade estaria interessada em financiar uma descrição comportamental do ser humano na prostituição? Antes eu achava louco comparar as atitudes de uma pessoa dentro e fora do quarto. Agora já vejo todas como safadinhas em potencial ^^
      Beijos, beijos!

  2. Boa Tarde Ayana,

    Quero acreditar que se trata da “fantasia moderna” o homo sapiens extrair de si, o seu
    lado mais operacional e irracional com a citada conduta ( only Pênis vaivém)
    visto que é cobrado pela sua inteligência racional no trabalho e emocional com a esposa nada mais do que pagar para achar que pode ser obtuso apenas com uma garota de programa…

    Um beijo.

  3. Uma vez em Paris fui a uma casa de peep-shows privados. Pedi um show só para mim. Era numa cabine com um vidro que me separava da menina que ia se despir para mim (até hoje não sei se era para lhe proteger de mim ou o inverso…). Comecei a o auto-prazer (a famosa punheta) para acompanhar o show, mas depois, como ela era mesmo linda, tornei-me num “homo falicus inerte” e só olhei para a cara e o os lindos olhos dela. O mais engraçado é que ela ficou incomodada de eu não olhar para a vagina dela, onde se atarefava copiosamente na tentativa de me dar prazer visual. Até me chamou a atenção com um sonoro “Hei! É aqui que a coisa acontece!”, enquanto apontava para baixo…

Compartilhe também sua opinião

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s