Cedo demais para me submeter


Apanhar na cama de uma namorada foi o que despertou minha curiosidade pelo sadomasoquismo. Eu tinha uns 15 anos, nem sabia direito o que era namorar e já fui atrás de um tipo de relacionamento permeado pelo sexo dentro de uma estrutura desigual de poder. Quase sempre por ímpeto, oferecia-me como uma serva sem restrições na hora de obedecer. Pelo que havia pesquisado sobre BDSM, não existiria qualquer prática sexual que não me deixaria excitada em me submeter. Em todo caso, como estaria servindo e me sacrificando pela minha dominadora, teria a segurança de sentir prazer. Era isso que ela sempre defendia. Então se eu me recusasse, se não me excitasse, se não fizesse direito; além de me culpar, ela ficava questionando se eu era uma escrava sexual de verdade.

Sendo submissa, é claro que estou sujeita a avaliações constantes daqueles que me dominam. Eu me esforço para superar meus limites e considero justo ser castigada pelas minhas falhas, apenas quando me sinto entregue de corpo e alma. Mas esta eu já não entrego a mais ninguém. Precisei ser descartada mais de uma vez por aquelas que me dominavam para superar a impressão romantizada que eu tinha sobre me sacrificar por alguém. Elas me deram prazer, contudo, também deixaram aquela sensação de vazio, alguns arrependimentos e também obsessões. Simplesmente eu não sabia dizer não. Dizer isso seria contestar minha submissão e indiretamente o meu amor pela minha senhora. Quando uma pessoa se sente muito inferiorizada, ela se apega fervorosamente a alguma coisa, então eu achava que minha dona, por ser superior, seria capaz de decidir por mim o que seria melhor para minha vida.

Em nossas sessões, abnegava de minha vontade própria, porque qualquer questionamento meu era desqualificado em vista da minha inferioridade perante minha dona. Não era ruim perder a liberdade, ao contrário, era reconfortante. Se não me sentisse responsável pelos meus atos, também não iria sentir nenhuma culpa. Enquanto minhas perversões fossem somente abstrações, tudo estaria muito bem, entretanto, não consegui resistir em vivenciá-las. Por exemplo, queria sentir um punho penetrando a minha vagina e o meu ânus, mas não tinha coragem de fazer isso por conta própria. Portanto, encontrar alguém que forçasse minha submissão ao fisting foi a opção. Nesta circunstância, ninguém poderia dizer que eu gostaria de ser arrombada, afinal só estaria cumprindo meus deveres como submissa.

Nem sempre minha dominadora e eu tínhamos as mesmas fantasias em comum. Eu aceitava praticamente tudo, mas uma coisa que não gostava muito era de ficar amarrada ou ser algemada. Dependendo da posição, as cordas e as algemas deixavam várias marcas nos meus pulsos, que eram as mais chatas para esconder em público porque precisava usar roupas de manga comprida ou aquelas munhequeiras com bandas de rock. Atualmente, sou bem menos masoquista e irresponsável; espero. Eu me arrependo amargamente de naquela época ter permitido a minha dominadora gravar muitas das minhas sessões de submissão. Embora tenha me excitado ver alguns desses vídeos, eu não queria – definitivamente, não queria – ter passado pelo constrangimento de ser exposta daquele jeito.

– Você não prometeu que aceitaria qualquer coisa que eu mandasse?

Sim, minha senhora! E até hoje ainda lamento ter mantido esta promessa…

(Sobre a autora, clique aqui)

(Em breve, mas talvez não muito, a continuação!)

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19 comentários sobre “Cedo demais para me submeter

  1. Muito interessante o seu relato, serve para desestigmatizar outras maneiras de fazer amor/sexo; afinal no sexo o que vale é o prazer em consenso; descartando a pedofilia e o estupro. Como você iniciou cedo, acabou aprendendo mais cedo. Aprendo muito lendo seu blog, Princesinha.

  2. Gosto muito de ler seus posts, ainda mais os que envolvem submissão… Acredito que submeter alguém não envolve angústia, mas simplesmente controlar completamente os desejos da outra pessoa, devolvendo somente prazer!

    • Olá, Acervoduro :) não podia deixar de te dizer o que pensei quando li seu post.
      Bem, acredito que a submissão não oferecer só prazer, uma vez que, temos como exemplo a própria Ayana (me corrija se eu estiver errada).

      • Eu concordo com você, Gabis.
        Mas na maioria das vezes que me submeti, eu senti bastante prazer. Numa sessão BDSM, ao se submeter, a gente descobre muito sobre nossos prazeres, então existe o risco de gostarmos ou não de apanhar, por exemplo. Nas experiências que tive e não foram legais, faltou eu me impor e pedir para parar.
        Obrigada pela contribuição! ;)
        Beijos e volte sempre!

  3. Lendo o post tive a impressão que vc encontrou algum desses videos seus na internet, ou teme que um dia os encontre, ou que algum dia eles lhe causem algum constrangimento aparecendo em momento inoportuno.

    Tem muito video de garotas menores de idade, estudantes, nesses sites “caiu na net”.. e eu me pergunto: como pode essas garotas terem se deixado filmar pagando um boquetinho atrás da escola… Só a idade explica…

    • Oi, Caos!
      Não, eu nunca encontrei nenhum desses vídeos na internet. Mas eu fico sim com muito receio de eles serem divulgados, porque não era simplesmente sexo ou a imagem das minhas partes íntimas. Havia cenas constrangedoras que são particulares de uma sessão de BDSM.
      E também acho que a idade explica muita coisa.
      Beijos, beijos! =*

  4. Adoro seu blog. Sou lésbica e frequento boates de garotas de programa. Na maioria das vezes saio com elas só pra satisfazer meu ego e realizar fantazias sexuais que com minha namorada não poderia realizar. Gostaria que você escrevesse algo sobre as clientes lésbicas que frequentam esse tipo de boate, como são vistas pelas profissionais, etc… Sei que não é muito comum lésbicas em boates de prostituição, mas acontece…rs
    Ainda pretendo realizar uma fantasia de dominar uma garota de programa. Já tentei, tive pena dela…rs. Não sei ainda se tenho coragem, mas vou amadurecer a idéia.
    Beijos e sucesso nas suas aventuras sexuais!

    • Oi, Gaby!
      Eu nunca conheci uma garota que faça como você, quando conhecer (eu espero) com certeza ela vai ser tema de um post =)
      Cheguei a atender pouquíssimas mulheres desacompanhadas e por algum motivo, elas nunca voltaram. Hmmm… acho que não agradei =/
      Eu também tenho dificuldades para dominar. Por mais que eu tente ser bem sádica, no final os clientes ainda me consideram muito boazinha. Como mesmo sendo sádica, eu não machuco ninguém, comecei a me sentir mais segura para “dominar”.
      Beijos e muito sucesso nas suas aventuras também!

  5. Ola! Seus relatos são verdadeiros? Desculpa mas me senti muito mal… Queria muito ter conhecido voce nessa época! Nada disso teria te acontecido, e se ela postar esse videos ela vai ser presa! Beijos enorme no seu coração e se precisar de ajuda “emocional” podemos conversar é só add

    • Olá, Marhyna!
      Pois é… aconteceu mesmo…
      Você tocou num ponto interessante. Ela estaria cometendo um crime se divulgasse na internet, por exemplo, ainda mais porque eu era menor de idade na época. Contudo, isso não me tranquiliza muito, porque me parece muito difícil controlar, fiscalizar e investigar as origens dos conteúdos na rede.
      Beijinhos, querida!

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