Programa da Ayana 2.1


O sexo se tornou algo natural. Não tenho mais a necessidade de me concentrar no meu cliente para satisfazê-lo. Sei que cada parceiro é único, mas basta uma breve conversa e a observação de determinados sinais durante o sexo para eu conseguir dançar conforme a música. Infelizmente. Talvez o cliente nem perceba minha falta de envolvimento, porque meu corpo está completamente entregue. Esse tipo de cena foi repetido à exaustão e, para tanto, é comum que a personagem seja muito mais convincente do que a pessoa real. Fico decepcionada quando o sexo é mecânico. Saio do quarto com vagas lembranças desta experiência. Qual o sentido disso? Se eu não obtive prazer, logo me prostitui apenas pelo dinheiro. Não é bem isso que preciso.

Às vezes, outros estímulos, os quais independem da interação com meu companheiro, são necessários. Com vodka ou maconha, na medida certa, o programa sempre é um tesão incrível. É fato, no entanto, representar uma medida muito radical, arriscada e pouco saudável; portanto, completamente inapropriada com a minha quantidade de prestações sexuais. O jeito é recorrer a uma resolução mais politicamente correta. Se não poderia sempre ter uma visão distorcida da realidade, então precisaria transformá-la. A chave está no planejamento, e é muito irônica minha facilidade em definir várias possibilidades no sexo e não conseguir programar nada estimulante na minha vida pessoal.

Nunca dei muitos detalhes sobre o meu atendimento, mas já estava na hora deste blog trazer alguma utilidade caso a intenção seja explorar a prostituição de uma maneira mais serelepe. A primeira impressão que geralmente tento transmitir ao contratante é a de uma menina (inocência) ninfomaníaca (insaciável sexualmente) e sapeca (ausência de culpa por um comportamento inadequado). É comum o cliente se interessar pelas intimidades sexuais da garota. Independente da preferência de cada uma, o importante é fazê-lo acreditar que as práticas sexuais fora da prostituição ocupam boa parte da sua vida. Justificativas: “Ela não é puta (apenas) por causa do dinheiro, mas (também) por ser safada” e “Ela deseja sexo tanto quanto eu”. Não digo que o cliente pensa nessas palavras, mas acredito que seu inconsciente siga mais ou menos no mesmo sentido delas.

Bom, para insinuar minha safadeza “natural”, antes da fornicação propriamente dita, o mais elementar é falar de sexo com naturalidade e ousadia. Uma forma muito simples de parecer ousada é mudar meu posicionamento nos níveis do discurso. O mais comum é assumirmos um comportamento permissivo – no meu caso, por exemplo, deixo o cliente meter no meu cu e gozar na minha boca. Por favor, agora peço muita atenção para um raciocínio lógico! Ele quer comer meu cu. Eu o deixo comê-lo. Logo, ele vai comer para atender ao seu desejo e só porque eu – a autoridade – permiti. Mas pessoal, uma vez que o resultado é sempre o mesmo – ou seja, uma “professora” vadia dando o bumbum – é possível mudar o valor da minha variável! Então em vez de declarar algo do tipo: “você pode comer o meu cu”, prefiro me submeter discursivamente e perguntar: “você quer foder o meu cuzinho?”. Ou insinuar: “eu iria adorar se você metesse o seu pau todo no meu rabinho!”.

(Sobre a autora, clique aqui)

Anúncios

31 comentários sobre “Programa da Ayana 2.1

  1. Olha,sei exatamente o que se passa com você.Sexo mecânico é horrivel mesmo.Sempre é assim,todos pensam que uma garota de programa não faz sexo só por dinheiro e sempre pensa que ela estar alí por fantasias sexuais.
    Att.Venceslau Júnior

    • Então, eu já escrevi outras vezes sobre este problema, porque é algo que realmente me incomoda. E não tem jeito, uma hora ou outra sempre acontece. Pode ser porque estou muito cansada, ou quando o cliente é muito travado e impossoal. Bom, minha intenção também não é fazer milagre e gozar em todos os programas, mas o que dá para aproveitar, tem que aproveitar ^^
      Beijos e obrigada pela visita!

  2. Olá, Ayana.
    Bem, sou a anônima do último post. Lamento por não ter textos seus todos os dias aqui, e sei que seria muito pedir isso, mas… rs.
    E quanto ao BDSM continuo procurando sobre, principalmente aqui no seu blog. E confesso que tenho tido um comportamento bem “irresponsável” como você mesma diz. E após ter os seios cortados, e estar com eles ardendo, vim lhe fazer uma visita e vejo sua atualização… Eba!
    E uma observação: Você tem a alma submissa, por quê não agradaria seu dono? Aposto que deve proporcionar MUITO prazer a quem lhe domina! Não seja boba, a iniciante sou eu, rs.
    Somos duas putinhas irresponsáveis! Não é nada fácil, mas dá muito prazer, rs.
    Beijos…

    • Oi, Anônima!
      Olha, o meu blog não é a melhor referência para BDSM. Tem alguns blogs específicos que, diferente do meu, seguem direitinho os princípios do São, Seguro e Consensual (SSC). Acho que uma boa fonte para você que está começando agora seria se cadastrar no FetLife, que é uma rede social fetichista. Tem várias discussões bem interessantes por lá.
      Eu não diria que tenho a alma submissa, porque é uma expressão muito forte. Acredito que sempre dei prazer para quem me dominasse, mas sempre fui muito insegura. E embora já faça tempo que eu tenho relacionamentos D/s, nunca tive coragem de deixar que alguém cortasse meus seios (o mais perto disso foi furá-los com agulhas). Compartilhe mais suas experiências por aqui! São incríveis essas interações!
      Desejo muita sorte com o seu dono! Cuide-se bem, cadelinha!
      Beijos, beijos!

      • Oi, lindinha.
        Obrigada pelas dicas, são preciosas, de verdade. Entrei no site que você recomendou e vou dar uma olhadinha por lá. E quanto a insegurança… Eu também sou insegura e muito! Meu Dono mesmo já falou sobre isso. Mas ele acaba não relevando já que eu me disponho a fazer qualquer coisa para agradá-lo. (só tive um pequeno problema com fisting anal, quem sabe outro dia eu consiga, por enquanto ainda sou apertadinha, rs.)
        Vou continuar visitando aqui e deixando meu comentário, vai ser legal conversar com você :)
        Ps: Como sabe que eu gosto que me chamem de cadelinha? Rum!
        Beijos, vaquinha.

  3. Muito bem formalizado o que acontece. Você tem uma consciência muito clara do que os clientes procuram e das palavras usadas para satisfazer o desejo dos clientes. Acho que todas as boas GPs aprendem relativamente rápido essas coisas.

    • Eu não sei se você já teve a oportunidade de ficar bem concentrado apenas observando uma relação sexual, de preferência envolvendo uma profissional. Eu ainda fico bem encantada pela riqueza de detalhes. Espero que em breve o sexo seja reconhecido como uma arte ^^
      Obrigada por comentar! Beijinhos!

      • Sexo em si não sei se considero uma arte. Mas o sexo profissional eu considero uma arte. Ou melhor, o bom atendimento de uma GP é uma arte. Inclusive porque necessita de um dom de atriz. Eu considero ser uma boa GP algo que não é para qualquer uma, e vejo essas boas GPs realmente como artistas.

  4. Olá Ayana,
    primeiramente queria parabenizá-la pelo blog, vc escreve muito bem, hj é meu primeiro acesso e li alguns de seus relatos, ao longo dos dias tenho certeza que vou ler todos os posts. Quero me apresentar, meu nome é Marcos e tenho 32 anos, moro na região de porto alegre, o motivo do meu interesse em seus relatos e a proximidade que tenho com esse “mundo”, em resumo, tenho um relacionamento com uma GP a mais de dois anos, inclusive terminei um casamento de 10 anos para ficar com ela e estamos juntos encarando a árdua tarefa de recomeçar uma vida nova. Ayana não vou me estender aqui, mas vc deve imaginar todas as barreiras que estamos enfrentando, gostaria muito de contar com suas palavras… deixo um e-mail pra contato: marcoslima-rs@hotmail.com e da mesma forma ficarei grato com o contato dos leitores, Obrigado.

    • Marcos, interessante teu relato. A primeira coisa que me ocorre é saber como se sente com o fato dela ser gp. Que barreiras são estas que vcs estão enfrentando? Vc pensa em ” tirá-la desta vida” ?

      • Olá MPBORGES, desde que conheci essa garota ela expressava o desejo de sair desta “vida”, inicialmente nosso envolvimento foi profissional (cliente e gp), mas logo nos primeiros encontros fiquei completamente apaixonado por ela, pra mim era inaceitável uma pessoa tão doce e sonhadora vivesse assim, ela não pertencia a aquele lugar… e assim foi, enquanto pude auxiliei para ficar afastada dos programas, mas em muitos momentos não pude evitar recaídas e o retorno. Nas palavras dela a prostituição é pior que o vício em drogas, é dinheiro fácil e quando as dificuldades aparecem vc acaba voltando…. enfim, nossa história é bem complicada, cheia de detalhes intrigantes e que só sobrevive pelo amor incondicional que sinto por ela. Gostaria muito de relatar tudo, desabafar, ouvir, aprender e entender o que esse “mundo” faz com as mulheres. Minha intenção nunca foi tentar mudá-la, tirá-la a força da “vida”, mas sim ajudá-la e fazer a vida dela melhor, mostrando que há outros caminhos….

      • É caro Marcos, o que seria a vida sem obstáculos e desafios a serem superados. Acho possível sim, um relacionamento no modelo descrito por você: ou aceitando que ela continue com os programas ou ela ficando somente contigo definitivamente. Quanto a comparação de “fazer sexo” com “usar drogas”; acho que tudo que nos dar prazer rotulamos como vício e não é bem assim, todas as drogas dão prazer mas também destroem nossa saúde, diferente do sexo que nos dar prazer mesmo e nos faz muito bem em todos os sentidos. Felicidades aos dois e fico torcendo por vocês.

      • Marcos, primeiramente pensei em te escrever, mas a Ayana pediu que eu comentasse aqui pra quem sabe dar mais discussão e para que outros também comentem.

        Vc disse que gostaria de entender melhor este mundo… bom, eu não sou exatamente a pessoa mais indicada, mas algumas coisas eu acho que vc deve ter pra “entender”: o principal é não se espantar com o que for descobrindo sobre o ser humano neste universo das putas, digamos assim… Vc disse estar apaixonado, inclusive desfez um casamento de 10 anos pra ficar com ela… tentaram uma vida nova, mas ela sempre voltava… uma pergunta me ocorre: ela voltava por dificuldades financeiras? Já te ocorreu que talvez ela goste sinceramente disso? (e aqui não vai nenhum preconceito).

        Se você gostaria de desabafar como disse, tente fazê-lo um pouco aqui, se não se importar… Neste momento, eu só tenho perguntas… seria leviano de minha parte ir além de perguntas. Você fala de detalhes intrigantes… relataria, por exemplo, a coisa mais intrigante com que se deparou? Provavelmente isso dará um indicativo melhor tanto da personalidade dela, quanto da sua, seus valores, crenças, suas expectativas…

  5. Olá Ayana,

    Faz tempo que não comento, porém, me parece que vc se encontra mais deprimida nos seus posts. Mas, eles continuam muito bons, como uma puta socióloga, rs

    bjs
    e boa sorte em sua caminhada

    Observador

    • Olá, observador!
      Pois é, eu escrevi alguns posts meio deprê, mas isso não quer dizer que eu esteja numa fase ruim, porque estou atualizando muito pouco o blog e escrevendo menos sobre o meu cotidiano.
      Senti falta dos seus comentários!
      Beijos e volte mais vezes!

  6. Oiiiii Ayana!! Amoooo seus textos!
    Sabe, vc é a prostituta mais puta que conheço. Todas as outras que conheci entraram nessa vida pelo dinheiro, pela oportunidade de faturar muito! Essas pouco se importam se o programa foi mecânico. O objetivo é fazer o cara gozar o mais rápido possível e pegar sua grana… Já conheci até puta lésbica, que não sente prazer algum com homem!

    “Qual o sentido disso? Se eu não obtive prazer, logo me prostitui apenas pelo dinheiro. Não é bem isso que preciso”

    A frase descreve bem sua personalidade de puta. Assim como vc, também não gosto quando o programa é mecânico. Maz isso não depende só da profissional. O cliente precisa interagir. Quando o cliente só quer te usar, não tem jeito… Não gosto desse tipo de cliente. Por que ele não compra uma boneca inflável? Se a intenção é só montar na garota e gozar…

    Eu prefiro quando rola uma troca. Não só no sentido “Paga e me come”… Mas se além de pagar, ele me fizer gozar, mesmo que indiretamente, melhor ainda! Dou com gosto! E é legal pra mim e pra ele, a satisfação é de ambos. Ele sai satisfeito e a garota também (teve o prazer, além do dinheiro).

    • É um detalhe importante! Seria ótimo se todos tivessem a consciência de que quando sentimos prazer no atendimento, tanto a profissional quanto o cliente são beneficiados. Qualquer atividade que se faça com prazer gera um resultado melhor direto ou indiretamente. Eu sou do tipo que termino o atendimento e se na minha avaliação ainda estou excitadinha, é sinal de que o programa foi bom. É aquele gostinho de quero mais =)
      Beijinhos, putinha!

  7. Princesinha Devassa concordo plenamente com o teu post. “Paga e me come…” essa expressão traduz muito bem como deve ser uma relação homem-mulher; deixa o dinheiro em segundo plano ele é certo. então por que não gozar juntinho?Desfrutar o prazer a dois ao máximo. Nesse aspecto, sou bom cliente pois faço questão de deixar minha parceirinha feliz. Mulher não é um “buraco” onde alguém goza e vai embora,só porque pagou. Esse papo todo me deu vontade de te conhecer, acho que nos daríamos muito bem. Puta é a melhor mulher ou a melhor puta é a mulher? Beijo!

  8. “…Sendo as prostitutas as guardiãs da moral sexual da sociedade, o seu verdadeiro crime é revelar a hipocrisia dessa dupla moral. No dicionário encontramos a seguinte definição: “mulher que pratica o ato sexual por dinheiro”.

    Então, quantas mulheres casadas, respeitadas e valorizadas socialmente se prostituem com seus próprios maridos? Quantas moças são educadas para só se casar com homens que lhes possam dar conforto e dinheiro? Quantas mulheres solteiras só aceitam ir para um motel com um homem se antes ele pagar o jantar num restaurante caro?

    É impossível calcular, mas nada disso é falado. Tudo se passa por baixo do pano para que a respeitabilidade dessas pessoas seja preservada. A prostituta é desprezada, mas a única diferença é que seu jogo é claro. Ela não se preocupa em fingir. “Entre as que se vendem pela prostituição e as que se vendem pelo casamento a única diferença consiste no preço e na duração do contrato.”, diz Simone de Beauvoir, em seu livro O Segundo Sexo… “( Por Regina Navarro Lins)

  9. Mocinha! Lembrei-me de ti no outro dia. Para o meu anivesrário, ganhei o “50 shades of Grey” (oferecido por uma amiga), o primero romance da tal trilogia que tem a mulherada toda enlouquecida, ultimamente. Já leste? Alguém mais leu? Antes de emitir a minha opinião, fiquei curioso em saber o que tu e os teus leitores acharam do livro ;)
    Abreijos!

    • Eu li, e estou no segundo: “Cinquenta tons de cinza mais escuros”. O primeiro tem uma história envolvente, e já que tenho uma relação satisfatória no BDSM, eu acabava me imaginando em algumas cenas (principalmente as românticas) com o meu Dono. A história prende mesmo, mas achei um pouco leve em relação as práticas BDSM… Enfim, é só a minha opinião.

    • Oi, David!
      Então, eu não me interessei pelo livro justamente porque, como a Anônima disse, as cenas de BDSM são muito leves e para eu realmente me interessar por uma história de amor, é preciso que haja alguns dramas e tragédias bem marcantes na relação do casal.
      Mas e aí, você está lendo? O que achou?
      Beijinhos!

  10. Querida Ayana: Tens escrito muito bem, cada vez melhor. Parabéns. Escrever, como o sexo, muitas vezes nos proporciona um breve alívio para as angústias. Tenho fé que tu irá criar algo maravilhoso, Vislumbro em ti uma mulher forte, mas que recém começa a ter essa consciência. Um grande abraço. Gostaria muito de trocar mais ideias contigo.

Compartilhe também sua opinião

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s