De passagem pelo inferno – 1ª parte


Faz mais de cinco anos que sai da casa do meu pai, mas ainda me recordo bem o seu endereço. Sei quais ônibus passam por lá e, se não tiver muito trânsito, devo pegar mais ou menos uma hora e meia de viagem de acordo com o Google Maps, já que nunca mais pus os pés no meu antigo bairro. Um lugar com baixos índices de violência capaz de me deixar aterrorizada. Não estou preparada para me reencontrar com o passado, inclusive, há algum tempo tenho me mantido indiferente a ele. Continuando a morar na mesma cidade, esse fantasma sempre está à espreita, enquanto permaneço escondida para preservar meus bons sentimentos.

Detestava morar com meu pai e por conta disso perdia noites de sono planejando a minha fuga definitiva. Ficava um dia – dois no máximo – exilada na casa da minha namorada durante os finais de semana em que ele não saía de casa. Permanecer mais tempo que isso seria impossível, porque os pais dela nunca me viram com bons olhos. “Eu não quero que você fique trazendo problemas para a minha casa e nem para a minha filha” – nunca me esqueci dessas palavras sussurradas pela mãe dela.

E como conseguiria me sustentar? A prostituição já era o caminho mais provável. Isso porque durante alguns meses o meu pai havia me deixado sem cartão para evitar minhas habituais saídas à noite. Não adiantou porque para onde eu ia, tudo que precisava poderia ser trocado por sexo. Papai nunca soube desta verdade, mas sem muito esforço seria possível intuí-la – tanto que nunca questionou como eu conseguia dinheiro para sair. Lamento muito, pois havia tantas respostas contundentes para lhe agraciar. Se era inevitável a filhinha vadiar pelas ruas, então que fosse naquelas movimentadas pela nata da sociedade. Assim, voltou a financiar meus deleites e minhas rebeliões.

Eu deveria me atentar que planejamento não funciona muito bem para aqueles que tomam decisões por impulso. No começo de 2008, eu entrei em depressão por vários motivos: não passar no vestibular, ficar longe da minha namorada, terminar um relacionamento BDSM, continuar brigando com a família, ser tratada como um objeto sexual. Nunca antes na história da minha revolta, havia passado tanto tempo enclausurada em casa. Aquela pretensão de morar em outro lugar parecia nunca ter existido. Queria ficar isolada da realidade, completamente sozinha, e não havia outro lugar onde poderia me sentir mais solitária. Só saía do quarto para ir à cozinha e só conseguia comer alguma coisa, porque passava a tarde toda fumando maconha.

Depois de alguns dias, eu me rendi à insistência de uma amiga para irmos a uma festa. Bebi tequila e cheirei cocaína até desmaiar. Acordei de tarde com o barulho de dois moradores da casa conversando na cozinha. Eu fiquei não sei quantas horas largada no sofá da sala de entrada, toda fodida e suja, completamente nua e sem nada para me cobrir. Eles nem sequer recolheram do chão as camisinhas que usaram para me violar. Me levantei tremendo. “Eu tenho que ir para casa! Eu tenho que ir para casa! Eu tenho que ir para casa!”. Foi com este único pensamento que tentei preencher minha mente por completo. Sinceramente, não me recordava de como havia me sentido. As lembranças surgiram bem depois e eram horríveis. Depressiva, eu me considerava um lixo! E não é que aqueles caras me largaram como se eu realmente fosse um? Confesso que dói um pouco pensar em palavras para este caso, então achei melhor não estendê-lo mais do que isso.

O pior dia da minha vida, ainda me reservava uma última desgraça, que foi justamente abandonar a casa onde morava. Eu esperava chegar no meu quarto, tomar logo um banho, deitar na cama e passar o resto do dia chorando e pensando em me matar. Tudo estava dando errado e só me restava a frágil esperança de não me encontrar com mais ninguém. Encontrei-me precisamente com o demônio encarnado na figura paternal. Para atravessar a porta para o confinamento no quarto, precisava passar por uma última provação: suportar mais uma discussão entre pai e filha.

Não adiantou tentar me manter firme se já me sentia toda despedaçada. Por que resolvi ir para lá, se sabia que ele só me faria mal? A entonação em cada palavra, os gestos apontando para mim, o jeito de me olhar; como era possível abominar tanto qualquer atitude de uma pessoa? Para mim, não mais uma pessoa, sim uma grande aberração. Tudo de bom que desejava na minha vida – um namoro, entrar na faculdade, ter amigos verdadeiros –, eu estava perdendo.  Neste inferno onde entrei, só me restaria a maldita companhia do diabo. Não poderia deixar isso acontecer! Estava farta de tantas brigas! Para tanto, recorri ao método dos covardes: corri para bem longe.

(A história continua no post seguinte: De passagem pelo inferno – 2ª parte)

(Sobre a autora, clique aqui)

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22 comentários sobre “De passagem pelo inferno – 1ª parte

  1. Tenho um recado muito importante: ontem o blog completou três anos de existência! \o/
    E eu só me lembrei desta data, porque o sistema do WordPress me mandou os parabéns!
    Já foram mais de 315 mil visualizações e mais de 1900 comentários =)
    Estou toda orgulhosa, agradecida e com um peso na consciência por não dar a devida atenção ao blog – com mais atualizações e respondendo mais rapidamente aos comentários.
    Desta vez não vou demorar para postar de novo. Como vocês devem ter notado, o post acima vai ter uma continuação. Resolvi dividi-lo para a leitura não ficar muito extensa e cansativa ;)
    Beijinhos a todos!

  2. Q bom ver vc por aqui de novo :) ! Visito o seu blog frequentemente para ver posts novos. Conheci seu blog não faz mto tempo, na verdade. E li ele inteirinho em um dia! Adoro o jeito como vc escreve. Sabe aquelas pessoas q vc admira, mesmo q não tenham mtas coisas em comum, mas q vc tem vontade de conhecer? Pois então, acho q vc seria justamente aquelas pessoas com as quais podemos conversar uma infinidade de assuntos! Por favor, não nos deixe tanto tempo desamparados sem a sua escrita!
    Ah! E parabéns pelo blog! Bjo

  3. Gosto da sua escrita e admiro sua coragem em relatar sua visão deste universo vasto do sexo…tenho algumas amigas que fazem programa,nunca paguei por sexo mas já me relacionei com algumas delas.
    Quando disse que nunca paguei por sexo,bem é verdade,mas já recebi por sexo…duas vezes com mulher e uma com um casal.
    resumindo,gosto realmente deste universo,como em um texto que escrevi long ago…”Quando chega a noite podemos tirar a máscara e assumir quem verdadeiramente somos”.
    Hj meus dias são uma repetição constante:casa/trabalho/casa…Marasmo,monotonia,rotina…
    Quando leio algum post novo seu acende uma chama e percebo que ainda há vida lá fora.
    Obrigado por isso amor!
    Continue sempre assim!
    Pena ser colorado…se fosse tricolor casava contigo rsrsrsrs

    • Oi, Milles!
      Legal o seu comentário!
      Eu gosto de escrever sobre minha profissão, porque está dentro de um contexto que deveria ganhar mais expressão em nossa sociedade e não ficar restrito à vida privada de cada um.
      E eu gosto muito do Grêmio, principalmente quando ele perde para o Internacional =P
      Beijinhos

  4. O que eu vou postar não tem muita relação com o assunto em pauta, mas gostaria de compartilhar uma quase experiência sexual que me foi muito aterrorizante.
    Foi durante um curso de filosofia na casa de um professor anti-comunista que fiz durante as férias do meio do ano, em 2006. Neste relato, vou chamar a pessoa que quase me violentou de “Professor”
    O Professor sempre adotou um sistema no qual é bastante enfatizada a confiança do aluno no mestre, de forma quase hindu. Eu tendia a considerar isso um traço “personalista”, comum à nossa cultura ibérica, no dizer de Sergio Buarque de Holanda.Esperava-se de cada aluno que se tornasse próximo pessoalmente do Professor.
    É bem verdade, devo observar, que boa parte de seus alunos eram escandalosamente efeminados, do tipo que ficava a esfregar as mãozinhas de contentamento e a dar pulinhos a cada análise mais sagaz. Mas fiquei na minha.
    O puxa-saquismo chegava a ser repugnante às vezes. Havia uma estranha devoção pela figura da senhora mãe do Professor , de quem ele falava muito – havia um enorme retrato dela na parede, em preto e branco, numa antiga cadeira de balanço; senhora respeitável de tipo rural, de óculos redondos de professora, pitando um cachimbo no canto da boca e com uma espingarda do lado . Alguns alunos carregavam na carteira cópia em miniatura desse retrato, para minha estranheza (!!!!!!!)
    Uma vez, de forma pueril, eu caçoei disso, e um dos alunos me olhou com desprezo e disse que eu era um fraco e que era dominado pela minha “mentalidade revolucionária” .
    Comerciais na TV (comerciais de home theater, por exemplo) que falavam em “revolucionar” a forma como vemos TV eram interpretados como propaganda comunista gramsciana e cousas do gênero. É verdade que eram os próprios alunos que levavam esse tipo de cousa a cabo, sem a participação direta do Professor, mas ele no mínimo compactuava por omissão com essa palhaçada tôda – desconfio que se divertia/se diverte com isso.
    Havia sim um clima de patrulhamento ideológico e os alunos se policiavam (inclusive uns aos outros) observando sempre em si mesmos e no próximo traços de “mentalidade revolucionária”, cultivando um misto de individualismo e moralismo, aliado a uma necessidade de ser “politicamente incorreto”. Muitos começaram a fumar, mesmo sendo asmáticos de andar com bombinha e a falar os palavrões mais cabeludos, com suas vozinhas afetadas.
    Eu considerava que o professor, independentemente de suas excentricidades e defeitos, tinha lá bastante a ensinar, como de facto tem, e evitava me aproximar desse núcleo interno mais chegado. O professor às vezes me olhava de rabo de olho e dizia que eu era difícil, mas que ele ainda me conquistaria (é, nessa altura eu já devia ter desconfiado que alguma cousa ali estava errada).
    Havia mesmo um aluno, o mais puxa-saco de todos, que vivia sempre com um bloquinho na mão, no qual, por meio de notas taquigráficas, anotava TUDO que o Prof. dizia – a tôdo momento, mesmo nas conversas informais, durante o café, o break coffe, em frente a lareira etc. Anotava cada comentário, cada tossido – era inacreditável. Depois passava a limpo num bonito caderno com capa de couro, o qual os alunos chamavam de “Daily words”.
    O mais bizarro é quando fiquei sabendo que um grupo de alunos mais chegados se revezavam para, em duplas ou trios, irem fazer cafuné no Professor até ele adormecer (na hora da sesta). Um deles era elogiado pelo Professor por ter expressivos “negros olhos andaluzes” ou algo assim.
    O Professor gostava de constranger os alunos mais tímidos (que só o chamavam de Sr. Dr. Professor) com piadas obscenas e histórias pornográficas envolvendo “travecos” e “putas”. Gostava de pegar na mão deles e beijar-lhes a testa de forma barulhenta.
    Eu ingenuamente tomava isso tudo por puxa-saquismo, latinidade efusiva de brasileiro, babação de ovo e excentricidade. Até porque o Professor encarnava o “professor excêntrico”, sempre mal barbeado, cheirando mal, impregnado de tabaco e os cabelos sem pentear. Reparo que relatando assim, soa mais abnormal do que eu pensava.
    Mas até aí tudo bem.
    Uma vez quando ficamos a sós porque eu tirava algumas dúvidas sobre a opinião de René Guénon acerca da benignidade do capitalismo liberal, e já anoitecia, o professor se ausentou pra ir pegar cigarros, deixando-me sozinho na biblioteca. O que vou relatar agora é extremamente constrangedor e soa inventado, de tão pitoresco.
    Vamos lá.
    Antes d’ele voltar, ouvi que tinha colocado para tocar música árabe em alto volume, o que me causou espanto (embora eu soubesse que o Professor é muçulmano). Eis que de súbito adentrou o cômodo inacreditavelmente trajando uma roupa de odalisca, do tipo de dança do ventre e sem sua dentadura (eu nem sabia que usava), mexendo o abdômen flácido e peludo à maneira das dançarinas profissionais, com o pinto de fora.
    É.
    Enquanto encenava esse espetáculo grotesco o Professor gritava como louco, a voz rouca, embargada e guturalizada como um Exu, afetando sotaque de preto velho de Minas: “Tem que imanentizar o escathon, meu filho. Tem que imanentizar o negócio, porra!” e complementava: “cê vai acabar engraxando sapato de vampiiiiiiiiiiiro, meu filho!”, subindo o tom na sílaba tônica de vampiro qual falsete.
    Eu assistia isso pasmo. Ao fundo podia ouvir uma risadinha feminina irritante de alguém que não pude ver, mas que aparentemente se divertia observando-nos, não sei de onde. Quando começou a se aproximar de mim, de pinto duro, contornei-o e saí rapidamente da sala e de sua casa, de saco cheio daquela merda.
    Ocasionalmente ainda vejo essa imagem em alguns pesadelos dos quais acordo bastante perturbado.

    • Este blog tá cada dia mais interessante!!

      Caro aluno assustado, é mesmo sério tudo isso que vc escreveu? Não duvido que seja, mas é bom perguntar… Tu tá zoando, não tá não?

      Supondo que seja verdade…Olha, tem excêntricos pra todos os gostos e costumes neste mundo e eu, particularmente, prefiro não emitir juízo de valor. Ao contrário, meus comentários pendem mais para os de um observador, um antropólogo interessado em hábitos da espécie humana.

      Os que você relatou são antes de mais nada, caricatos. Não consegui conter o riso.

      Mas se tudo isso for verdade, e como você fez questão de se colocar como aluno e de identificar o personagem aí como “professor” (de filosofia?? qual?), uma coisa eu tenho a te dizer: ele não tem nada a te ensinar. Nem à patotinha que lhe faz cafunés.

      Que idade você tem? Deve ser jovem… Mas poupe tempo, preocupações e volte a dormir tranquilo. O que te ocorreu foi um infeliz contato com um grupo de excêntricos.

      Encare este pessoal mais ou menos como alguém que visita um zoológico: tem um monte de animal bonito e até interessante, mas também tem, por exemplo, os chimpanzés, que se coçam, catam piolhos entre si, fazem caretas, urram e mostram os genitais e tal… e até fedem também. Mas são só isso: macacos.
      O teu “professor de filosofia” deve ter fugido de algum zoológico e tá fazendo macacaquice por ai. Joga uma banana pra ele! E pede pra ele enfiar no cu. Fala sério!

      • Olá, meu caro mpborges.
        Minha estória é de facto real, e ao mesmo tempo surreal. Acredito que nem mesmo Homero, entorpecido pela inspiração de suas musas, ou Bukowski, em uma de suas bebedeiras das mais degradantes, teriam a criatividade para inventar um causo tão excêntrico como esse. A vida real, por vezes, é mais bizarra do que a ficção mais absurda que poderíamos conceber.
        Você não é o primeiro a achar essa estória mais parecida com uma piada do que com uma experiência traumática, pois na primeira vez que a relatei, à um amigo próximo, ele fez escárnio da minha cara e disse que ou eu estava delirando, ou eu tinha um péssimo gosto para contar piadas, além de contá-la para D’us e o mundo, fazendo com que eu me tornasse a personificação da piada.
        Postei minha experiência neste blogue por considerar que os leitores deste já estivessem habituados a estórias que fogem do padrão comum da acção humana, e que talvez a Ayana ou alguém pudesse trazer um insight sobre o assunto por experiência própria.
        Sou de facto jovem, completarei 23 anos na próxima quinta. Não me preocupo hoje com essa estória como me preocupava há 3 anos, mas volta-e-meia eu me pego pensando no assunto.
        O nome do professor não convém trazer à tona, pois meu objetivo era apenas de desabafo e talvez receber um conselho reconfortante, jamais de denúncia. Posso apenas dizer que o professor já foi titular de uma Cátedra de universidade renomada em São Paulo.
        Quanto a enfiar uma banana no arquétipo rousado deste, deixo esta cousa para seus alunos mais íntimos.

        • Obrigado por responder. Acho que entendeu bem minha desconfiança; pelo jeito não fui só eu que estranhou. Mas o riso foi dirigido ao professor aloprado e seus macaquinhos, não a ti.
          Espero ter ajudado, apesar do tão debochado. Mas de novo, encare o ocorrido com bom humor. Não sei se rio mais do professor ou dos “alunos”. O do bloquinho então é patético!

          E os desdobramentos? O dia seguinte. Ainda tem contato com as figuras?
          Como vê, sou curioso. E tenho uma queda por relatos como o seu. O ser humano é bem surpreendente!

          • Olá, mpborges.
            Não tenho contacto com estas pessoas, e não quero ter.
            Aquele lugar mais parecia uma tariqa islâmica, uma via sufista para se alcançar uma consciência superior (Allah), sendo o Professor o Sheikh (guru espiritual), guiando os alunos a viverem de acordo com suas orientações (por exemplo, o Professor determinava a quantidade de cigarros que um aluno poderia fumar, ou que tipo de alimento ele poderia consumir).
            Se você pesquisar sobre tariqas, vai encontrar alguns relatos absurdos de pessoas que conseguiram sair delas; as tariqas funcionam como sociedades secretas e ninguém excepto seus integrantes sabe o que acontece nestes ambientes.
            Nos dias seguintes à minha saida eu estava bastante estarrecido pela quantidade de cousas abnormais que havia visto naquele lugar. Minha mãe percebeu que eu estava diferente e perguntou se havia acontecido algo durante o curso, mas preferi poupá-la de preocupações e não lhe contei sobre o que aconteceu. Passei o resto das minhas férias jogando vídeo game e estudando Noologia sozinho, e passei pelo menos mais uns quatro meses isolado até voltar à normalidade, na medida do possível.
            Hoje penso se ele continua a promover seus encontros ritualísticos, e se mais adolescentes ingênuos presenciam um velho maluco dançando com o pinto de fora.
            Vivo com a esperança de que algum dia ele morra asfixiado com a fumaça de seu narguilé, enquanto recebe cafunés e caricías anais em seu Pravda particular.

          • Oi, Aluno Assustado!
            Antes de comentar o caso em si, gostaria de dizer que fiquei bem contente por você ter escolhido o meu pequeno blog para compartilhar esta experiência!
            Bom, nesses anos de putaria, nunca passei por nada tão pitoresco como a experiência que relatou – aliás, adorei as várias referências que você faz ao longo do texto.
            Se eu estivesse no seu lugar, também sairia correndo rapidinho. Ficaria mais assutada por causa das coisas que ele disse que não fazem sentido nenhum. Agora, homem dançando vestido de mulher e com o pênis para fora, eu também já vi. Eu fiquei sem reação e admito que achei grotesco. Depois eu fiquei tentando entender, porque nunca se sabe quando isso pode acontecer de novo. No caso deste meu cliente, o único que eu vi dançar entre alguns outros que se vestem de mulher, imagino que quisesse expressar mais o seu lado feminino e se sentir humilhado. É a explicação que achei mais razoável, porque acredito que é quase um consenso que um homem fora dos padrões de beleza, sem muitas características femininas e dançando de um jeito pretensamente sensual não é nada atraente. E aí eu faço até um paralelo comigo mesma, quando às vezes faço umas danças bem idiotas – tipo coreografia de programa de auditório na TV – para me sentir constrangida. É até um fetiche meu que pretendo abordar em algum post: em certas situações, fico excitada quando as pessoas me consideram estúpida.
            Sinceramente, eu espero que tenha superado este trauma.
            É ótimo vê-lo aqui no blog mais vezes! Você tem a minha admiração =)
            Beijos, beijos!

  5. Sempre aguardo novos post, e pelos comentários vejo que o público que o lê não esteja interessado somente nas aventuras sexuais, mas do desfecho da sua história completa, e todo drama que possui raízes tão profundas, eu vejo algumas cicatrizes, e não entendo como se meteu nessa, porque também tenho algumas, e sei que algumas mesmo que você perdoe e lance para longe, elas voltam para te assombrar a noite. Parabéns pelos três anos, Ayana.

    Ps: Pessoal que comenta e tiver blog, comenta logado, vou adorar visitar.

  6. Curiosa para ler a continuação!
    É pena que vc ainda sofra com essa situação toda. Vc diz que se manteve indiferente… Será?? Esse passado ainda te assombra.
    Muita gente aqui já apareceu pra querer “te salvar”, sei que vc não gosta disso. Mas fugir do passado nunca é o melhor caminho. Acho que um bom terapeuta te ajudaria a se conhecer melhor e a se perdoar, principalmente. Pense nisso.
    Espero que um dia vc consiga se libertar desse passado, com tantas lembranças ruins.
    Parabéns pelos 3 anos de blog. Sou sua fã

  7. Que engraçado Ayana. Não costumo comentar muito por aqui mas entro todos os dias no teu blog para acompanhar tuas estórias (e mesmo sua própria história) e inclusive os comentários do pessoal.
    O que me chamou a atenção é como tem crescido uma “corrente”, um “movimento”, uma verdadeira torcida por ti, principalmente nos últimos dias.
    Vejo só, o carinho que sentimos por você é muito grande. Quando leio os comentários do pessoal, principalmente dos mais assíduos, vejo que todos temos o mesmo sentimento.
    Todos se emocionam com tua desenvoltura, inteligência e carisma, todos tentam entender o desenrolar dos fatos, e o mais legal: todos (todos mesmo) eu vejo que ficam maquinando e buscando e tentando te passar dicas ou conselhos ou qualquer tipo de ajuda. Veja só, eu não vejo ninguém julgando, criticando ou sendo leviano.
    E sabe por que?
    Porque é o que você passa pra nós sempre que nos agracia com teus textos. É a tua sinceridade, o teu espírito, a riqueza toda que é você.
    Olha guria, sem sombra de dúvidas você é uma das pessoas mais fantásticas com quem já tive o prazer de “trocar idéias”.
    Ficam aqui os meus votos de paz e felicidade!

    • Oi, Vítor!
      Eu pensei em curtir seu comentário várias vezes, mas como acho que a ideia é de uma avaliação por pessoa, fico me contendo sempre que leio o que escreveu. De coração, eu agradeço demais!
      Na época que criei o blog, estava passando por uma fase meio ruim, então escrevia aqui mais com a finalidade de desabafar. Hoje que o blog tem mais acessos (porém não muitos), uma das minhas principais motivações para manter algumas atualizações é que eu conquistei leitores muito preciosos. Sempre que termino um post, fico com expectativas para ver quais serão os comentários. Como você disse, quase todos são carinhosos, e infelizmente eu não consigo transmitir em palavras a dimensão do quanto isso me fez/faz bem! =)
      Obrigada mais uma vez pela visita e pelo comentário (percebi que estou demorando para responder quando vi que até você já comentou outra vez =P)!
      Beijinhos!

  8. Seu diário/blog é como um livro que lemos e esperamos ansiosamente por um final feliz… Você é dona do seu destino e pode mudar tudo a qualquer momento. Torço por isso! Obrigada por compartilhar sua história de vida de forma tão verdadeira! Tenho certeza que diversos leitores já registraram aqui o desejo de serem seus amigos, então eis aqui mais uma… =) Um grande beijo.

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