Entregue a seus pés


Durante mais de dois anos, a partir dos 16, fui adestrada para me portar de maneira adequada às castas mais baixas. Até assimilar as formalidades da subserviência, foi preciso muita palmada no bumbum (e no rosto, nos peitos, nas coxas, na xana). Uma vez lapidados tais comportamentos, até parece que a submissão sempre fez parte da minha personalidade e, realmente, não tenho muitas recordações da época em que não me envolvia com BDSM. Isso marcou muito a minha pré-adolescência, fase em que constantemente empregava a tática da desobediência às ordens familiares. Uma hora aprenderia a obedecer e só fui posta na linha por uma dominadora que me impôs um regimento com contornos militares.

Gente baixinha, como eu, habitua-se a olhar para cima ao conversar com a maioria das pessoas. Só que fazer isso na presença da minha dona era visto como um desrespeito, punido com tapas no rosto e um puxão de cabelo. Minha instrução era permanecer o tempo todo de cabeça baixa, olhando para o chão. Erguer o rosto era admissível para fazer sexo oral, levar uns tapas e receber cusparadas ou coisas piores. Essas regras deixavam o jogo cada vez mais emocionante. Ficava acompanhando os passos da minha dona e sempre que ela virava de costas para mim, meu olhar percorria a sala inteira buscando por objetos que poderiam ser usados em nossas sessões.

Mirar constantemente o olhar no chão nunca foi muito entediante, porque sempre tive atração por pés. Felizmente, todas as mulheres que me dominaram tinham pezinhos lindos que inspiravam fantasias sexuais em minha mente fértil. Não demorava muito para o desejo se tornar parte da realidade, na hora em que caía aos seus pés e demonstrava a adoração que sentia por eles. Os pés eram a parte do corpo da minha dona à qual eu tinha mais acesso, considerando que sempre me encontrava mais próxima do chão – seja ajoelhada, de quatro, sentada, deitada, ou em posições difíceis de serem descritas.

Sentia uma paixão platônica pela minha dominadora, mas nunca fui correspondida. Para piorar – e talvez por consequência disso – sou uma escrava muitíssimo carente. Dito isso, era uma imensa satisfação beijar, lamber, acariciar e mesmo ser pisada pelos pés da minha senhora. Foram nessas horas que pude demonstrar o carinho especial que tanto guardava por ela. Aí eu transbordava ternura! Chupava os dedos dela e acariciava meu rosto nas solas dos seus pés. Seu jeito de me agradecer nunca fora dos mais delicados: às vezes dava chutes e pisadas na minha cara, às vezes empurrava com força o pé dentro da minha boca.

Dizia que eu era uma “criaturinha insignificante” e pisava em cima de mim quando eu estava deitada no chão. Chegou a machucar meus seios de tanto pisoteá-los com o salto. Não era tão excitante, contudo eu ficava calada. Neste tipo de interação, a única condição que realmente me dava prazer era se ela esmagasse o meu rosto com os pés descalços. Para minha alegria, não posso me queixar da generosa quantidade de vezes que isso aconteceu. E o meu deleite ainda era ampliado quando ela resolvia amassar frutas e depois me mandava comer tudo e deixar seus pés limpinhos. Esta sempre foi a melhor desculpa para eu passar bastante tempo lambendo, lambendo e lambendo!

(Sobre a autora, clique aqui)

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12 comentários sobre “Entregue a seus pés

  1. Bom dia Princesinha,
    A cada texto seu aumenta mais a vontade de conhecê-la,
    escreves muito bem e suas fantasias são o sonho de consumo de qualquer fetichista como eu.
    ao ler este texto, cheguei a sentir a textura dos pés de sua dona em sua língua, imagino o quanto foi a sua entrega aos pés.
    tem alguma possibilidade de contato fora o seu blog?
    beijos

  2. Eu não suportaria ser tratada assim. Mas concomitantemente acredito que estamos todos nessa vida sendo tratados como insignificantes seres, pisados, amassados, só precisamos de ver, que tudo a nossa volta conspira para a seleção natural, se somos pobres ou ricos, negros ou pardos, todo mundo tem um momento de ruína, de insignificância, de redenção. No meu caso não há prazer sexual. Sortuda.

  3. Olá…
    os seus escritos são muito interessares
    e me identifico bastante com alguns deles…
    me envolvo com garotas de programa regularmente, e sei o quão difícil algumas situações podem ser e quão satisfatórias muitas outras são…
    bem legal o blog…

  4. Somente quero te agradecer pelos seus textos. É muito interessante a visão que você passa deste mundo, o qual não participo, e me ajuda a saciar um pouco da minha curiosidade infinita sobre realidades diferentes da minha. Você é muito interessante e, no meu caso, talvez por motivos que não sejam óbvios a primeira vista no blog. Desejo sinceramente uma vida sempre interessante para você. =)

    Ps: já tentou ler seus próprios textos do começo do blog até hoje? acredito que você terá reflexões e insights bem curiosos sobre todo este processo ^^

  5. Você é submissa pois vive no reino do medo. Consegue segurança obedecendo e se submetendo. Ir além do medo é ser um dominador absoluto, sem preocupações se agrados ou desagrados. É ter confiança e controle da situação, sempre. É uma sensação de liberdade que o submisso nunca vai experimentar se não ir além dos seus medos.

  6. Esse texto sofre de alguns detalhes.
    Você começou a se prostituir aos 16 anos ou você já fazia BDSM antes?
    Você se relacionou com essa “dona” enquanto você era prostituta?
    Essa papel de submissa não é nenhum pouco contestador.
    Você deixou de ser uma mulher contestadora (contestava a autoridade dos pais) para se tornar submissa?
    Submissão é aceitar uma autoridade.
    Quando eu me sujeito a uma autoridade eu me sinto profundamente agredido.
    Ou seja, está longe de me dar prazer.

    • Na verdade, se não estou enganada, estes detalhes são abordados em outros posts. Mas respondendo as perguntas:
      Oficialmente, eu comecei a me prostituir com 18 anos. Antes eu já tinha dado por dinheiro porque era uma fantasia que eu tinha.
      Eu me relacionava com esta dona antes de ser puta.
      Ainda me considero uma mulher bastante contestadora sim. A minha submissão é essencialmente sexual. Fora deste contexto, não é muito fácil me intimidar.
      Beijos!

  7. Um mundo completamente , novo q estou descobrindo aos poucos. Sempre gostei desse tipo de coisa, a sensação de ser dominada na cama ja me deixa exitada, no começo achava isso é completamente errado eu estava ficando louca, pensei ate em passar com especialistas sobre isso, mais depois de ler alguns blogs, sites , coisa na internet sobre isto acabei me aceitando assim , e saber que nao sou a unica me deixa mais aliviada! Mais ainda tenho muito a explorar só ainda nao sei como pois meu parceiro nao sabe desse meu lado.. Alguma dica ?
    Adoro seus textos

  8. Poxa Ayana! Pq sumiu assim? Pq não responde ninguém? Se eu soubesse como te achar já teria feito isso… depois de anos mantendo o blog vc faz isso! Tenho medo de que algo tenha acontecido com vc, ou pior, que nada disso seja real… de uma resposta apenas, por favor! :(

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