O adestramento de Fonfon


Com as roupas de volta no corpo, olhava ao meu redor e o mundo estava do mesmo jeito como estivera quando comecei a me despir. Não havia um letreiro luminoso sobre minha cabeça com os dizeres: “Essa aqui é uma cadela”. Aliás, se não houvesse marcas nos meus joelhos, hesitaria em acreditar que há pouco engatinhava pela sala, puxada por uma coleira. Um vibrador deveria representar o meu rabo, porém fora quase tragado por completo pelo meu bumbum. Mesmo assim, chacoalhava o traseiro regularmente e latia com entusiasmo em sinal de satisfação. Minha dona retribuía minhas demonstrações de carinho, afagando minha barriga ou me dando um biscoito de vez em quando.

Trabalhar com dedicação minhas aptidões caninas trouxe fundamento para que eu fosse chamada de cadela. Não havia o que questionar! Usava coleira, comia ração, dava a patinha, fazia xixi no jornal. Foi assim que, aos 16 anos, eu me tornei uma dócil vira-lata chamada Fonfon. Por um lado, tudo parecia uma brincadeira, não muito diferente da época em que me imaginava estudando magia em Hogwarts. Mas mais do que isso, era uma forma de me sujeitar a diversas humilhações, alcançando prazeres inestimáveis. Não buscava ofensas gratuitas, queria reconhecimento. Estava convicta de que era uma cadela, e as outras pessoas deveriam chegar a mesma conclusão. Meu trabalho era convencê-las.

Havia uma pessoa, alguém superior, que me tratava como um animal. Bem do jeito que merecia ser tratada. Me batendo, xingando, dando ordens e enfiando coisas. Ela estava muito certa e nem havia o que discutir pois eu era uma estúpida e estava sempre errada. Sozinha, o que seria de mim? Perderia o sentido ser um animal, se não tivesse uma dona. Da primeira vez, coloquei a coleira em volta do pescoço como se fosse um acessório qualquer, embora a mensagem fosse clara: agora eu pertencia a uma pessoa. Como um animal domesticado, minha sobrevivência dependeria dos cuidados dela. Estava entregue. Tudo porque, no fundo, no fundo, ela tinha o controle do meu prazer; mais que suficiente para me escravizar.

Era só sexo, eu sabia. Seria mesmo uma banalidade, assim como é para muitos, se eu não levasse o sexo tão a sério. Menção honrosa também ao trabalho da minha dona, sempre bastante rígida na hora de me domesticar. Bastava me escapulir uma palavrinha para uma ardência se espalhar pela minha nádega. “Ca-de-la não fa-la!”. Para cada sílaba um tapa; para cada tapa um gemido canino. Não tinha necessidade de falar nada, talvez apenas, se necessário, para lhe pedir que continuasse me tratando como uma cadela mesmo depois de se cansar, como uma criança que não quer que a brincadeira acabe.

Minha dona tinha um cachorro de verdade. Era um dálmata magrelo entrando na velhice, mas que pulava como um filhote quando me via. Um namorado muito carinhoso! Foi nossa dona que disse que parecíamos um casal apaixonado. Nós rolávamos juntos no chão e sempre quando ele estava em cima de mim, tentava passar o focinho na minha boca como se quisesse me beijar. Eu dava beijinhos e recebia lambidas. Era evidente que eu não era apenas mais uma pessoa que adora animais, mas na minha consciência era só isso mesmo.

Mais uma vez, estava lá, sentada no chão, paparicando o cachorro e acariciando sua barriga. Assim como ele, usava apenas uma coleira. Mas as semelhanças entre nós dois iam além de um simples acessório. Pouco antes deste encontro, era a minha barriga que recebia carinho de uma pessoa sentada no chão. A mesma que sugeriu de repente que eu chupasse o pau do cachorro. Fiquei ruborizada e abri um pequeno sorriso desconcertado. Tinha dúvidas se ela estava falando sério e como eu faria para chupá-lo. “Chupa”, ela insistiu. Perguntei como, e ela me instruiu a masturbá-lo antes.

Meus dedos desceram por sua barriga e logo veio para fora o membro vermelho com veias azuis bem finas e ramificadas. Parecia um pênis com má formação. Hesitei por alguns segundos antes de fechar os olhos e colocá-lo na boca. Mantive os olhos fechados. Pela minha cabeça, muito se passou, mas de nada me recordo, até sentir um pouco do sêmen se misturar com minha saliva. Antevendo que ele poderia gozar, retirei depressa o pau da minha boca. Cuspi no chão enojada. Olhei para aquele membro mais rígido e inchado do que antes, gotejando líquido seminal. Meu estômago ficou embrulhado e mesmo que não houvesse gosto ruim na minha boca, fui correndo ao banheiro para lavá-la.

Praticar zoofilia já havia passado pela minha cabeça de adolescente, mas assim como muitas outras fantasias, achei que não sairia do campo dos pensamentos. Decisões racionais evitariam que eu fosse levada a práticas sexuais inaceitáveis, porém, seguindo a lógica de me comportar como uma cadela, não era surpreendente chegar ao ponto de transar com um cachorro. Mesmo arrependida e envergonhada, não parava de pensar em como seriam os próximos encontros com meu namorado.

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18 comentários sobre “O adestramento de Fonfon

  1. Primeiramente quero que saibas que estou muito feliz com sua volta, de verdade! Em relação ao texto fiquei um pouco (bastante) chocado! De qualquer forma, fique bem e continue a escrever, seus textos são de grande conhecimento! Abraços!

  2. Ayana, vc passa esse tempo todo sem postar, aí quando volta, tenta chocar todo mundo, danadinha?!? ;^) Não vai conseguir nos afastar, espertinha. Te apavora tanto assim que gostemos de ti?

  3. Putinha! Acho que somos gêmeas separadas no nascimento. Estava pensando sobre esse assunto dias atrás e pensar nessas coisinhas me fez lembrar de você! bom, entrei no seu blog torcendo para ter algo novo, caso contrário ficaria lendo os antigos mesmo. E que surpresa! Texto novinho e exatamente sobre o que eu estava pensando! Eu tenho tanto tesão em você; na sua inteligência, seu jeito, seu perfil de putinha sem limites! Nunca vou esquecer você, nunca mesmo. Te amo, sabia?

  4. Já faz um bom tempo que li esse texto, mas achei que aqui seria a melhor forma de mandar a mensagem. Estou com saudade de ouvir suas histórias. Tem muito sentimento e personalidade nelas. Você parece acima de tudo uma pessoa que sente muito tudo das formas mais profundas e questionadoras. Adoraria passar um tempo ouvindo sua visão de mundo. Acho raras as pessoas que acrescentam como você. Se quiser um dia se expressar de uma maneira diferente do que no blog, me manda um e-mail. Fazemos isso em alguns grupos, entre poetas por exemplo. De pessoas que sentem muito e nunca estão se desculpando =) arthur.mbalves@gmail.com

  5. Poxa Ayana! Pq sumiu assim? Pq não responde ninguém? Se eu soubesse como te achar já teria feito isso… depois de anos mantendo o blog vc faz isso! Tenho medo de que algo tenha acontecido com vc, ou pior, que nada disso seja real… de uma resposta apenas, por favor! :(

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