Meu amor abandonado


Faz quatro anos que não escrevo por aqui, o lugar onde verdadeiramente abri meu coração. E dessa vez, não vai ser diferente. Não tem como ser diferente enquanto eu não colocar para fora o quanto lamento ter desaparecido. Não se trata de um arrependimento qualquer. Digo isso com propriedade porque tenho muitos arrependimentos, e poucas vezes dediquei o mínimo esforço para tentar consertá-los. Abandonar esse blog, porém, me causa uma dor. Não deixou só um vazio. Do contrário, agora não estaria sentindo nada. 

A dor é grande porque reproduzi um comportamento do qual fui vítima várias vezes: o abandono, com o agravante de nem sequer dar satisfações. Fico com raiva quando olho para o passado. Se fosse identificar as pessoas que mais me machucaram, em comum havia apenas a experiência do abandono. Será uma sina se tornar aquilo que mais se odeia?

Se este era o meu destino, meu espírito contraventor não poderia consentir. Se tiver que voltar com o rabo entre as patas e admitir que fui uma vadia insensível, faço de bom grado; em primeiro lugar, porque vocês, leitores, são muito queridos. Segundo porque… veja bem, definitivamente, não tenho mais salvação. Voltaria de quatro porque é o que se espera de uma cadela, arrependida ou não.

Não quero parecer esses pais ausentes e desnaturados que voltam sem dar explicação –  se bem que, às vezes, o que os traz de volta é o amor perdido, como no meu caso. Meu desaparecimento repentino deixou algumas pessoas preocupadas. Havia motivos para isso? Quatro anos se passaram e a resposta é sim, havia.

Parei de escrever porque passei por mais uma crise de depressão. Quem me conhece sabe que uma das minhas formas de “lidar” com os problemas é me entorpecendo até as percepções da realidade se tornarem agradáveis ou se apagarem de vez. Não houve uma decisão deliberada de não atualizar mais. Apenas estava seguindo uma vida ainda mais degenerada por sexo e drogas. Para ser sincera, hoje não tenho tantas lembranças dessa época, mas sei que tinha ciência de que a pessoa retratada aqui não era eu. Aspirante a escritora. Ui, ui, ui! Sofisticado demais. O extremo oposto do meu dia a dia.

O que me mantinha escrevendo – e o que me leva a voltar a escrever – eram os comentários. Quando eram poucos, assumi o compromisso de responder um a um em sequência, ainda que com meses de atraso. Fazia questão porque estava deslumbrada e queria retribuir o carinho na mesma medida. Não sei vocês, mas nunca recebi muitos elogios na minha vida, exceto quando se referiam a minha antiga atividade profissional. 

À medida que os acessos aumentavam de forma orgânica, as expressões de gratidão, necessárias sob meu ponto de vista, começaram a me sufocar. A enxurrada de palavras de afeto era tão grande que eu não sabia como retribuir. Então eu adiava, na expectativa de que as condições ideais para eu retomar minha conexão com os leitores logo logo chegariam… 

Ilusão, doce ilusão… e como minha vida é marcada por desilusões, não me surpreende que eu tenha demorado mais de quatro anos. 

Um dos motivos pelo ritmo de tartaruga foi porque sentia que havia cometido um erro imperdoável. Talvez não para vocês. Primeiro precisava me perdoar, ainda que não estivesse sofrendo. Ao virar as costas para tudo isso, o que eu sentia era um vazio. Ao resgatar esse espaço, ler as mensagens que ficaram no limbo nesse intervalo de anos, senti esse vazio sugar minha alma com força, de uma maneira dolorosa. A dor por negligenciar pessoas que eu amo trouxe também a energia para, se possível, reatar e criar novas conexões de amor.  

12 comentários sobre “Meu amor abandonado

    • Aeeeee!! Nem tô acreditando que você voltou
      Descobri seu blog quando já não tinha mais atualização. Li todos seus posts e me identifiquei muito com você!!
      Você tem talento com as palavras! Parabéns!

  1. Meu Deus! Você voltou… Que emoção. Não desisti de você, minha doce e querida amiga. 4 anos. Te procurei bastante por aí. Vou ver se consigo ter acesso ao e-mail/skype desativado, onde tenho vc adicionada. Estou aqui tentando assimilar as novas informações. Vc está mais madura, mas dá pra ver bem a tua essência. E é uma escritora talentosa. Publiquei um livrinho neste meio tempo e tenho feito cursos com um pessoal legal da Carreira Literária (eles tem cursos bem legais, veja no facebook, no youtube, e se inscreva para os Webinários gratuitos na internet). Você vai ser a escritora que deseja ser e nada e nem ninguém vai impedir. No post posterior vc fala do abraço. E afeto. Poxa, um imenso e reconfortante abraço para vc! Logo volto! ;^)

    • Ayana, tem aula hoje lá no Carreira Literária às 20h (webinário gratuito na semana do escritor): inscreva-se! Você vai começar a aprender a técnica. Estou absolutamente sem contato contigo! Sem e-mail, skype, nada funciona! O meu atual está aqui, não sei se vc o vê. Mas preciso te explicar sobre os cursos da Carreira Literária (sou aluno lá). Organizar logo o teu primeiro livro. O que você vai fazer da vida, além de ser escritora, eu ainda não sei! rs rs rs

      • Oi, Amigo!
        Sabe, nesses últimos anos, eu tinha desencanado de escrever. Eu só voltei de fato porque existem pessoas, como você, me incentivando. Ainda não sei bem o que fazer da vida, mas saber que você gosta do que eu escrevo já me deixa muito feliz!
        Me manda um email no minhasconfissoesmaisintimas@hotmail.com
        Quero o link do seu livro.
        Gostei da indicação que me passou. Não acompanho canais sobre escrita, mas creio que isso vai mudar. Como só vi sua mensagem hoje, só consegui me inscrever para o webinário de amanhã. Bom, já tá valendo
        Prazer imenso reencontrá-lo por aqui!
        Muito beijos!

  2. Que bom que voltou, fico muito feliz! Esporadicamente entro no seu blog para verificar se há alguma postagem nova… já estava desesperançoso, mas algo dentro de mim me dizia que você voltaria em algum momento, porque de certa forma, assim como para nós, aqui é seu porto seguro… Neste ambiente conseguimos enxergar, como um reflexo num espelho embaçado, parte de quem nós somos… Ahh, sim! Somos mais parecidos do que você pode imaginar… Somos prostituídos e molestados a todo momento, não sexualmente (pelo menos a maioria), mas de formas mais sutis, por pessoas e/ou entidades que deveriam nos guardar e proteger… A todo momento estamos nos vendendo, pois isso é necessário caso queiramos nos encaixar dentro dessa sociedade corrompida. Trocamos nossos sonhos e esperanças por uma falsa expectativa de que seremos felizes… Cursamos uma faculdade porque é oq esperam da gnt, aceitamos um emprego/carreira que não gostamos por que alguém disse que deveríamos seguir por esse caminho, nos envolvemos em relacionamentos amorosos infelizes por que somos levados acreditar que é necessário ter alguém (seja quem for) para sermos felizes e porque é oq esperam da gnt… Somos como prostitutas, nos vendemos a troco de falsas promessas de felicidade… somos usados, mastigados e cuspidos… No fundo todos sabemos disso e esse é o motivo pelo qual estamos aqui, queremos buscar algum conforto nas suas palavras… No fim das contas, os sentimentos de afeto e gratidão são mútuos… Não esperamos que vc responda a todos nossos comentários, nem que seus textos sejam profundos e esteticamente perfeitos… Esperamos apenas que vc esteja presente, da forma que for. Isso para nós é a maior expressão de gratidão e afeto de sua parte…

    • Olha só, eu demorei mais de dois meses para responder seu comentário porque quando terminei de ler senti uma leveza. Não tinha me dado conta de que meus posts também poderiam despertar sentimentos bons nas pessoas e que, portanto, poderiam expressar minha gratidão. Sério, isso foi tão libertador que eu fiquei postergando essa resposta hahahahaha
      Muito, muito obrigada!

  3. Grata surpresa esta , precisei entrar na conta de email que havia cadastrado aqui para saber de atualizações,que achava que nunca mais iriam haver devido ao teu hiato, e limpando as mensagem me deparo com uma notificaçãod e atualização do blog!!! Fico muito feliz por ver os novos textos e saber que esta superando esta fase e voltando a escrever.

    Bom te ver de volta. Um forte abraço.

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