Os fósforos na escuridão

Os primeiros meses na prostituição, por vezes, foram muito angustiantes. Fui colocada diante de situações que não se assemelhavam muito com as sensações previstas pela minha imaginação. Era inevitável surgirem vários questionamentos nas horas mais inadequadas, contudo, independente das minhas incertezas, não podia parar. Várias mãos acariciavam o meu corpo, mas sentia como se me agarrassem. Qualquer tentativa de fuga seria arriscada, considerando a quantidade de homens que me cercavam. E a aflição ampliava-se cada vez mais, porque o tempo escoava mais devagar para prolongar os dissabores.

Por que eu estava ali? Duas colegas e eu fomos contratadas para trabalhar numa festa particular, cujo principal atrativo era um quarto escuro, onde nós deveríamos ficar. Na verdade, era mais um corredor bem amplo, quase sem ventilação e com algumas poucas luzes vermelhas que não iluminavam praticamente nada do ambiente. Demorei um pouco para entrar lá, talvez por conta do meu medo de escuro e, principalmente, de locais fechados, no entanto, como haveria muito sexo, mais uma vez a vontade de me entregar era muito mais forte. Não aceitou o serviço? Agora vai lá se foder. Pois bem, tirei minhas roupas e entrei.

Naquela hora da festa, o quarto não estava muito cheio, embora os gemidos que por lá ecoavam não transmitissem essa impressão. Esperava encontrar um canto mais reservado para sentir melhor a ambiência antes de começar a interagir, porém logo um sujeito me agarrou por trás e começou a esfregar seu pênis entre as minhas pernas e o meu bumbum. Ameaçou me penetrar algumas vezes, mas eu retive seu pau entre minhas coxas e fiquei rebolando e empurrando meu quadril contra seu corpo.

Deixei-me ser conduzida pelo tesão até a situação se tornar um pouco apreensiva: foi quando alguns vultos aproximaram-se de mim. Irreconhecíveis, silenciosos, assustadores. O pânico manifestava-se sutilmente; mal conseguia respirar. O ar era abafado e o odor de suor e sexo me davam muita tontura. O espectro agarrado nas minhas costas começou a morder a minha nuca e passar a língua pelo meu pescoço. Outras sombras comprimiam-se entre si para seus braços alcançarem qualquer uma das minhas partes. Colocaram as mãos nos meus ombros e me empurraram para baixo contra o chão, onde fiquei de quatro.

Daí por diante, não pararam de me foder por algumas horas. Sempre havia muitas pessoas ao meu redor, embora fosse muito difícil dizer quantas e quem eram. O anonimato resultante da falta de luminosidade não só eliminava a preocupação de me proporcionar prazer como também abria espaço para certos abusos de liberdade – tantas vezes grosseiros. Não reagia diante dessas agressões. O ritmo era muito acelerado e as minhas respostas nunca estavam previamente claras. Passividade incondicional. Um enfiava o falo todo na minha boca e puxava os meus cabelos; dois colocava alguns dedos no meu cu e na minha xana; três apertava os meus seios e torcia meus mamilos; quatro espalhava com a mão o seu esperma nas minhas costas; cinco e seis masturbavam-se, enquanto aguardavam sua vez; e eu trabalhava… mas também gemia.

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À primeira vista, uma ninfetinha

Geralmente, meus clientes têm mais de quarenta anos, e acredito que nessa etapa da vida seja bastante comum que eles tenham desejos sexuais por garotas bem mais novas. Eu tenho 21 anos, mas a idade aqui não é importante, contanto que não seja abaixo da maioridade. É excitante para os lolicons se envolverem comigo, porque tenho uma aparência ainda muito infantilizada, bem como um jeitinho aparentemente pueril. Já usei roupas infantis para atrair clientes, mas talvez isso estimulasse a pedofilia de modo que agora só uso roupas bem vulgares, salvo quando o cliente solicita a fantasia de coelhinha ou de colegial – que, por sinal, são uma gracinha! Em todo caso, muitos querem transar com uma ninfetinha e asseguro que nem mesmo uma adolescente de 16 anos é tão tola quanto eu me fazendo de imatura. O pior é que nem tudo é encenação, quero dizer, eu ainda me sinto como uma pré-adolescente mimada e chata.

No início da minha carreira na prostituição, várias pessoas, incluindo minha cafetina, achavam que eu era virgem, ou quase isso. A propósito, não faltaram pré-julgamentos dirigidos a mim depois que me assumi como garota de programa. “Patricinha”, era assim que muitas me chamavam. Em contrapartida, bastava se relacionarem comigo na cama para me reavaliarem a partir da constatação de que meu corpo esconde certos indícios irrefutáveis de promiscuidade. Há tempos deixei de ser apertadinha como os clientes gostariam ao buscarem por uma ninfeta. Aqueles que me penetram atrás devem pensar que tenho 21 anos de putaria (exagerando, viu?), mas, veja bem, se meu cu fosse mais estreitinho, minha ocupação seria ainda mais sofrível. Compreendo que seja bem broxante para alguns, e humildemente peço desculpas por ser uma puta, ao invés de ser uma guria recatada que se interessou em dar para um tiozinho qualquer.

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Quero fantasias! Mas nem todas…

Como uma prestadora de serviço, já atendi a diversas fantasias de meus contratantes. De uma maneira geral, não é nada de muito exótico, e confesso que me surpreendi poucas vezes, tendo em vista o grande conhecimento de parafilias que adquiri antes mesmo de entrar para a prostituição. Sou uma defensora – quiçá uma ativista por meio desse blog – de uma divulgação mais efetiva de alguns fetiches para pipocar na cabeça de meus clientes e trazer novos ares para o meu trabalho. Vamos lá, chega de redundâncias! O sexo convencional já não me é interessante. Mas ainda é suportável, já que no meu caso sempre é com um parceiro diferente.

Suas fantasias são muito bem-vindas, mas convém fazer uma ressalva: por gentileza, só não me peçam para assumir um papel essencialmente ativo, porque isso não combina muito com o meu perfil de menina indefesa. Me deixa incomodada e consequentemente meu desempenho sexual fica bastante prejudicado. Então quando o cliente solicita que eu faça inversão de papéis me dá aquele desânimo, complementado pela aflição de constatar que o tempo do programa passa mais devagar. Tento me distrair pensando em assuntos aleatórios e, a propósito, foi assim que surgiram ideias para alguns textos desse blog.

Segundo as minhas impressões, alguns clientes até saem satisfeito quando faço inversão, mas sou categórica ao afirmar que não sei representar direito o papel dominador. Para não ficar desempenhando um trabalho malfeito, em alguns casos, até aconselho o cliente a procurar outra garota de programa. Ok, agora deixando um pouco de lado o discurso de “boa profissional”, também tento repassar os clientes para outras colegas pois não tenho tesão algum em realizar esse tipo específico de fantasia. Ainda não a enquadrei nas minhas restrições, porque não sou tão requisitada a ponto de me dar ao luxo de selecionar o felizardo que vai ter a graça de pagar pela minha companhia.

Com relação ao velho e recorrente fio terra, no começo eu tinha certa resistência em interagir com o cu alheio, mas por espontânea pressão do meu serviço, acabei criando uma empatia por essa atividade. Logo, desenvolvi uma relação muito íntima com aquela região – a ponto de saldá-la com um beijo de língua. Após os cumprimentos, o ânus já me parece mais convidativo, então é a hora de os dedos entrarem em um movimento semicircular mais ou menos constante, sem fazer muita algazarra. Localizada a próstata, começo a massageá-la, em sincronia com o ritmo de minha outra mão encarregada de entreter o falo. E só para completar a sinfonia, a boca e a língua servem muito bem para acariciar os testículos. É isso… depois de tantos estímulos, o “grand finale” já é bem conhecido por todos.

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