Vadiagem anárquica em prática

Fiz cursinho pré-vestibular durante dois anos e, mesmo assim, não consegui entrar, após três tentativas, em nenhuma universidade pública para o curso de medicina. Na última vez que fiz as provas, já estava tão envolvida com a prostituição que me convenci de que seria melhor adiar o ensino superior – estava certa de que não iria me dedicar aos estudos. Até antes de começar o meu último ano de cursinho, eu dava uma atenção razoável aos conteúdos cobrados nos vestibulares. Contudo, em 2009, fui estudar numa escola pública pela primeira vez. Suspeito que o destino goste de me pregar peças: fui parar numa sala que era um verdadeiro bordel, em outras palavras, uma predisposição para me sentir bem à vontade. O que eu aprenderia por lá? A arte milenar da “periquitagem”.

O colégio foi um ambiente muito sedutivo para minhas safadezas, que sempre eram reprovadas pela preocupação em não ser reconhecida como uma moça desvirtuada. Além disso, ainda tentava me concentrar nas aulas, influenciada por todas pressões sociais de que era fundamental fazer um curso superior (mas não em qualquer faculdade, hein). Na medida do possível, organizei minha rotina: atividades escolares pela manhã e sexuais à noite. Sabe como é… estas às vezes ocupavam as minhas tardes também, então aos poucos fui postergando meus compromissos com os estudos. Diante de um sistema de educação sucateado, professores desestimulados e alunos não muito civilizados, já não dava para levar nada a sério; e foi aí que desandei de vez.

Logo nos primeiros meses em que comecei a estudar naquele colégio, muitos colegas da minha classe (talvez todos) já sabiam que eu me prostituía. Pudera. Não era muito discreta: usava roupas bem provocativas e, além do mais, cheguei a confidenciar minha profissão para alguns colegas quando fumávamos maconha no final da aula. A partir disso, a garota de programa dentro em breve geraria polêmicas. Gradativamente, fui me entregando às tentações mundanas com certa discrição. De início, era aquela punhetinha descompromissada atrás da muretinha. De punheteira para boqueteira, foi um pulinho só. Nas primeiras vezes, chupei meus colegas no banheiro masculino, mas evidentemente, precisaria de um lugar mais reservado, caso quisesse continuar minha sem-vergonhice.

No fundo do prédio, havia um parquinho para as crianças do ensino primário, que ficava vazio pela manhã. Como o espaço era subaproveitado, não vi nenhum mal em me divertir por lá. O mais engraçado era que o parquinho se tornou o meu local de atendimento, tão refinado que tinha até um grande tanque de areia. Houve uma época em que ia para lá quase todos os dias, e quem tivesse interesse em transar comigo, teria que se esforçar para me convencer e agendar com antecedência. Minha péssima reputação já havia sido espalhada por cada canto do colégio e era só uma questão de tempo até a situação se tornar crítica. E a vida me mostrou mais uma vez que “é impossível agradar a todos” (refletindo melhor, talvez nesse caso eu estivesse desagradando a maioria, já que nenhuma garota quis ser minha amiga). Ok, não havia nada a perder, portanto continuei até me delatarem para a diretoria. Fui pega em flagrante, ainda com o seios à mostra e condenada a três dias de suspensão.

Esta foi a primeira vez que fui suspensa. Antes de tomar essa medida mais radical, o diretor havia me presenteado com uma advertência. Quem estudava no cursinho, não precisava usar uniforme e como estava muito calor no verão, ia à aula quase sempre de short ou saia bem curtinhos. Não estava no excesso da minha ordinariedade, tanto que outras moças usavam peças semelhantes. Mas um dia o porteiro não me deixou entrar, alegando que meu short era minúsculo. Protestei um pouquinho e voltei, malsucedida, para casa. Poucos dias depois, vesti uma saia que deixava apenas metade das minhas coxas descobertas e, de novo, fui barrada na portaria. Foi aí que eu saquei a conspiração! A discriminação não era exatamente com a forma de me vestir, mas sim com a minha profissão. Só eu não poderia entrar, enquanto minhas outras colegas entrariam nuas se quisessem. Indignada, foi aí que comprei mais uma longa revolta na minha vida…

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Interesses sexuais pelos meus professores

Descobri, muito cedo, que sou bem problemática. Minha periquita não sossegava nem mesmo no colégio, um ambiente muito inspirador para as indecências que se agitavam na minha imaginação. Nunca fui sinônimo de bom comportamento nas aulas, já que frequentemente me entregava ao sono. Ainda assim, eu tinha uma boa reputação entre os meus colegas, de modo que muitas sacanagens que eu planejei fazer no colégio não se concretizaram por medo dos possíveis comentários maldosos que espalhariam sobre mim. Era desgastante ter que me policiar o tempo todo, mas no final das contas havia apenas um boato na escola de que eu era lésbica; uma calúnia pequenininha se considerarmos a minha patente de vadia mor.

Não fico reconhecendo os meus méritos, mas acho que mereço os parabéns. Não sei se vocês imaginam como era difícil para eu me passar por uma moça decente. Dormia ainda com o sexo impregnado no corpo e na manhã seguinte precisava desenterrar a castidade que me acompanhou numa época recôndita da minha vida. Tudo para compor uma aparência, enquanto, de fato, meus pensamentos se esbaldavam em orgias ininterruptas. Todos os professores estavam convidados para foder comigo em alguma das salas de aula – de preferência em uma onde meus colegas estivessem estudando. Pois é, ao invés de fazer algumas anotações pertinentes sobre as matérias, minha mente trabalhava na criação da imagem de como seria o órgão genital daquele que estava ministrando a aula.

É triste, mas é a verdade: meus professores eram pouco atraentes e, pensando bem, o que mais me interessava neles – isto é, o falo – era perceptível apenas no volume das calças e na minha imaginação. Também contava a seu favor a idade avançada, porque já fui bastante fascinada por homens bem mais velhos, embora não gostasse de admitir isso. E o pior de tudo é que eu fantasiava relações sexuais com os professores que eu menos gostava. Algumas vezes tinha que me aliviar um pouquinho no banheiro, porém geralmente não chegava a gozar. Era muito fácil cortar temporariamente o tesão; bastava eu me perguntar: “Ayana, que porra é essa que você está pensando?”. E depois de me autorreprimir impiedosamente, me esforçava para prestar atenção apenas na explicação do professor. Pervertida que sou, nem sempre dava muito certo.

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Penalidades por dormir na aula

Minhas aulas do terceiro ano começavam às sete horas, mas já eram quase oito e meia quando cheguei ao colégio. Visivelmente acabada devido à noite anterior, com um ar embriagado, ficaria apenas dormindo no fundo da sala até começar os dois últimos horários, reservados para duas provas de física. Como já havia estudado, acredito que me sairia bem nessa avaliação, só precisaria descansar um pouco para passar o efeito alcoólico.

Na aula de física que antecedia a prova, antes de o professor resolver os exercícios, ele me acordava para perguntar qual fórmula deveria ser usada. É claro que eu não soube nenhuma, nem mesmo sabia o que estava no enunciado da questão. Tentei me manter acordada e copiar alguma coisa, mas sempre era vencida pelo cansaço. Meus colegas começaram a achar graça da minha involuntária provocação ao professor e por causa disso fui parar na diretoria.

Ligaram para o meu pai comparecer ao colégio, já que eu recaía várias vezes nesse erro de dormir nas aulas. Sabia que meu responsável demoraria umas duas horas para chegar, por isso pedi para que a diretora me deixasse fazer a prova enquanto ele não chegava. Isso me foi negado sob a alegação de que não estava em condições para resolver os cálculos de hidrostática. Seguiu um longo tempo de sermão, mas não saberia reproduzir suas palavras, porque não absorvi nada do que foi dito. Ela ficou me questionando sobre como havia sido minha madrugada, e eu apenas dava a desculpa de que não estava conseguindo dormir direito nesses últimos dias.

A verdade é que minha noite havia sido muito longa. Conheci três rapazes em uma festa e logo eles me levaram para o seu apartamento onde bebemos em excesso. Os três abusaram de mim de todas as formas possíveis, sendo que meu entorpecimento me impedia de reagir. Consumiram o meu corpo até amanhecer, foi quando eu me liguei que minha aula começaria daqui a pouco. Os outros dois rapazes já estavam dormindo, então pedi ao que ainda estava me agarrando se poderia me levar para casa.

– Fica aí! Você não vai conseguir estudar nada mesmo.

– O problema é que hoje eu tenho uma prova importante… Ah, deixa para lá, eu vou chamar um taxi.

Quando comecei a me desprender de seus braços, ele me agarrou ainda mais forte e me jogou contra a cama.

– Me larga agora!

– Você só vai embora depois que eu comer mais uma vez esse seu cuzinho.

Desgraçado! Dei um chute em sua coxa e como reação levei um tapa no rosto. Abri as pernas e as apoiei em seus ombros, logo ele começou a me penetrar por trás. Inerte, ficava olhando o ponteiro dos segundos mover-se lentamente em meu relógio. Muita dor, vontade de chorar. Droga! Termine essa porra logo, eu só quero ir para casa! Demorou mas enfim senti a hora em que ejaculou dentro de mim. Virou-se para mim com um sorriso insensível em sua expressão, bateu mais uma vez no meu rosto e disse que poderia ir embora. Peguei um taxi, fui para casa e logo em seguida para o colégio.

Quase no final da manhã, meu pai apareceu no colégio para me pegar. No caminho de volta, depois de ouvir todas as minhas falhas como estudante, ele me perguntou:

– Você saiu ontem à noite, não saiu?

– Não, fiquei a noite toda no meu quarto, onde você esteve?

– Você ainda está fedendo cigarro e álcool!

– Não quero falar disso, tive uma noite péssima…

Ficou me pressionando para eu contar o que havia feito à noite. Foi aí que comecei a me recordar o que aqueles garotos fizeram comigo e logo perdi completamente o equilíbrio. É aquela hora em que se analisa mais friamente o passado e identifica as situações horríveis por que se passou. Chorei muito e mesmo assim meu pai não se calava. Não suportava mais ser coagida, por isso disse qualquer coisa.

– Aconteceu que eu fui a uma festa, bebi muito e passei mal.

– Ótimo, agora você não sai mais de casa.

E não falou mais nada.

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