A primeira vez que me venderam

– Eu gostaria de ser puta como você por um dia.

Hoje eu sou um modelo, ou melhor, uma representante das garotas de programa. Mas voltando ao passado, quase cinco anos atrás, eu disse algo parecido para a mulher que me dominava: confessei que tinha a fantasia de ser prostituta por um dia. Pois bem, vou contar agora essa minha primeira experiência de fazer sexo por dinheiro.

Ficou marcado que faria sexo com dois rapazes no apartamento da minha dominadora. Logo eu precisaria estudar de que forma uma garota de programa se manifesta. Comprei uma langerie de oncinha, que era um pouquinho extravagante, especialmente para essa ocasião. Fiz uma maquiagem muito carregada e vesti uma blusinha, um shortinho, meia arrastão tipo rede e sandália de salto alto. Naquele momento eu era uma puta, mas ainda não estava muito familiarizada com esse estereótipo. Foi então que minha consciência ficou me perturbando até eu ligar para a minha dominadora pedindo que cancelasse o programa.

Além de não cancelar, ela ainda me ameaçou dizendo que me castigaria ou então que iria me abandonar. Ela sempre me intimidava dessa forma, o que me forçava a superar qualquer medo. Mesmo assim, isso não me impedia de tentar suavizar a situação através das minhas ideias estúpidas. “Se eu levar uma garrafa de vodka para lá, posso fingir que estou embriagada e usar isso como uma justificativa para dar para eles. Talvez eles também fiquem bêbados e nem se lembrem que fizeram sexo comigo”. Sim, eu realmente achava que esse plano genial funcionaria.

Cheguei com uma hora de antecedência no apartamento da minha dona para ficar questionando-a sobre como seria o meu programa. No final, ela não disse nada além do óbvio: de que teria que dar para eles. Foi determinado por ela que eu deveria esperá-los apenas de langerie. Enquanto estávamos só nós duas, eu me sentia excitadíssima de ficar semi-nua na sua frente (tanto que até ficava me tocando), porém, logo a campainha tocou e a insegurança voltou a me atormentar. Eu tremia, e como tremia!

Já bastante envergonhada, recebi os dois com beijinhos, cumprimentei normalmente e não disse mais nada. O meu excesso de timidez estava me impedindo de interagir na conversa que eles mantinham com a minha dona – e o pior de tudo é que eu era o assunto principal. Estava pensando numa maneira de fugir de lá, enquanto minha dona ficava ressaltando detalhes sórdidos da minha intimidade. Logo, percebi que era hora de pôr em prática a minha estratégia etílica, então fui à cozinha para preparar bebidas para todos (só no meu copo não havia álcool). Continuei quietinha no meu canto, só aguardando que ficassem bêbados, o que não estava acontecendo.

O segundo passo seria superar meu estado introspectivo e me passar por embriagada. Deixei o corpo mais relaxado e fazia movimentos meios descoordenados para me passar por tonta. Foi nessa hora que minha dona resolveu explorar minha vadiagem. Em princípio, pediu para que eu sentasse entre os dois homens. Assim que um deles encostou a mão na minha coxa, meu corpo todo ficou arrepiado e não conseguia conter minha tremedeira. Os rapazes passavam as mãos nos meus seios e entre minhas pernas, e eu lá paralisada – e ao mesmo tempo inquieta – aguardando que minha dona me tirasse dali.

Após me bolinarem, fui para o quarto com um deles. Já foi enfiando o pênis ereto na minha boca, mas chupava meio sem vontade. Fiquei bem acuada por estar sozinha num quarto com um desconhecido. Só consegui relaxar um pouquinho quando ele fez sexo oral em mim (deu até para dar umas gemidinhas). Pela ordem, agora ele meteria na minha xana. Fechei os olhos e fiquei pensando em coisas aleatórias, até senti-lo gozando. Sem intervalos, saiu o primeiro; entrou o segundo. Ficamos quase o tempo todo na posição 69. Até estava gostando de chupar e ser chupada, quando esse filho da puta enfiou um dedo no meu cu. Dor. Muita dor! Depois de protestar, fiquei só fazendo oral até ele ejacular e ir embora.

No final, minha dominadora saiu com um lucro de cinquenta reais, enquanto para mim restou o prejuízo de ter pagado uma vodka. Ficou entusiasmada com o potencial desse negócio e já foi me instruindo para que fizesse programa toda semana. Depois de muito reclamar e mais ainda ficar implorando, consegui convencê-la a descartar tal empreendimento. Passados vários momentos de tensão, uma conclusão estava muito clara para mim: eu jamais serviria para ser prostituta!

(Sobre a autora, clique aqui)

Anúncios

Uma cafetina em minha vida

Acontece com certa frequência de uma garota de programa ascender ao status de cafetina. Para a Jaque, bastaram uns meses de namoro com um bandido influente daqui para abandonar a classe proletária e começar a atuar na exploração do serviço alheio (o meu e o de outras garotas). Por outro lado, agora desempenha uma profissão ilícita, que para ela compensa muito pelo dinheiro que vem acumulando na exploração sexual. Bem, eu sou uma grande fonte desses recursos, contribuindo para satisfazer os desejos consumistas dessa ordinária. Agradeço pela minha ignorância ao não questionar em quais investimentos é destinado o dinheiro dos meus programas (não quero assumir um papel de vítima e muito menos de cúmplice de alguma irregularidade). Tenho que me preocupar apenas em administrar a remuneração que me sobra nesse serviço. Vou equilibrando as contas e acredito até que tenho agido como uma consumidora consciente, exceto pelos gastos supérfluos (ou não) com entorpecentes. Julgo minha cafetina e as drogas como “um mal necessário”. Já pensei seriamente em abandoná-las, mas é complicado porque a primeira me disponibiliza um único caminho pelo qual sempre quis passar, enquanto a segunda me permite continuar seguindo com minha vida nessa direção.

(Sobre a autora, clique aqui)

Também no blog:

Toda a altivez da minha cafetina

Uma prostituta mais um chaveirinho

Se a minha cafetina criasse aquelas plaquinhas de “funcionário do mês”, certamente essa homenagem (um pouco constrangedora) iria apenas para a Rafaela, a modelo queridinha de profissional do sexo. Já no extremo oposto, sempre com o rendimento abaixo do esperado, lá estaria eu, com minha forma displicente de trabalhar.

Não há como negar, a Rafaela tem muitos atrativos mesmo. Suas formas casariam bem com as principais páginas de qualquer revista masculina. É facilmente definida como gostosa, tendo em vista as medidas generosas do busto e do quadril. Faz sempre um jeito provocante típico daquelas atrizes de filme pornô. Com certeza se daria muito bem seguindo essa carreira, ou então se fosse negociada como prostituta de luxo. Já recebeu propostas (eu também, viu) para viver todo o glamour da profissão, mas acho que prefere ficar como a peça mais valiosa do mercado popular.

Mas entre as quinquilharias, admito que sou uma das mais requisitadas. De certo porque o programa dela é mais caro e talvez compensasse me escolher pelo custo-benefício. Independentemente dos vários motivos, essa realidade criou nela um forte sentimento de competição. De minha parte, nem queria entrar nesse joguinho – já me daria por vencida – mas fui obrigada a participar por uma “brilhante” estratégia de vendas da minha cafetina/publicitária. O consumidor que pagasse um pouco mais pelo sexo com a minha colega de profissão seria presenteado com outra garota. E quem era o brinde? Acertaram aqueles que pensaram em mim. Ai, como eu fiquei irritada com isso!

E vejam só que ironia: se um cliente fechasse comigo e depois quisesse fazer com nós duas, teria que pagar um valor x. Mas aqueles que pedissem a “promoção”, ou seja, fechassem com a Rafaela primeiro, pagariam x – y (tal que y equivale ao valor do meu strip) pelo mesmo produto.

Assim como muita gente pede o McLanche Feliz por causa da surpresinha, aconteceu que alguns consumidores gostaram mais de fazer comigo do que com ela. Então para não criar desafetos entre nós, minha cafetina optou por desfazer aquela oferta absurda (ficou apenas um descontinho). Por outro lado, fiquei um pouco sentida, porque era muito bom fazer sexo com a prostituta mais valorizada da região. Agora, vez ou outra a gente trabalha juntas porque ela está cheia de clientes fixos. Temo que ela não fique mais muito tempo aqui com a gente.

(Sobre a autora, clique aqui)