Corrente artística das indecências

Alguns potinhos de tinta e um pincel. Canetinhas coloridas também servem, se não forem aquelas mais finas. Pinto os biquinhos dos seios de amarelo e depois, com a tinta vermelha, desenho as pétalas de uma flor. Gosto de imagens simétricas, por isso o resultado nunca me deixa 100% satisfeita. As telas têm tamanhos um pouco diferentes, e não é fácil pintá-las olhando para o espelho. São flores! Isso qualquer um pode perceber. Na minha barriga, desenho um pênis cor-de-rosa bem grande, cuja cabeça vai até um pouco acima da minha xana. Observando meu corpo de frente, é a hora de encarar o resultado e, em seguida, sentir-me ridícula e com vergonha de mim mesma. Florzinhas bonitinhas não combinam com um pênis enorme e ereto! Apago a pintura das flores, cobrindo meu busto com mais tinta vermelha.

Minhas obras são malfeitas e pouco originais (quase sempre reproduzo um falo), por causa disso, prefiro escrever, de preferência, frases completas como: “Sou uma vadia imunda!”. Uma vez, a minha ex-dominadora escreveu com uma caneta preta várias mensagens vulgares por todo o meu corpo, até mesmo no meu rego. Não sou narcisista, mas fiquei completamente encantada com a minha imagem toda vandalizada. Belas palavras grosseiras pichadas numa superfície delicada. Sinto tesão em mostrar os seios, o bumbum, a boceta, mas nada pode ser mais obsceno do que revelar o que se passa na minha mente. Posso lhe contar, ou você prefere que eu escreva aqui nos meus peitos? Recebi vários rótulos pejorativos após ativar o meu modo putinha de viver. Alguns eram tão coerentes, que tive a necessidade de imprimi-los, pedindo a alguns parceiros para escrever “vadia” na minha testa. Também pedia para deixarem uma mensagem no meu corpo e logo notei que tinha mais afinidade para escrever putarias descomedidas do que todos eles.

Uma ótima recordação da minha infância era as telas horrorosas que eu pintava. A pintura era o menos importante; divertido mesmo era sujar minhas mãos de tinta e fazer alguma bagunça. Na oitava série (atualmente nona), era uma das poucas que levava a sério as aulas de educação artística. Nós íamos para uma sala cheia de armários onde a professora guardava os materiais da aula. Quase sempre eles ficavam abertos e alguém roubava alguma coisa. Um dia, estava fuçando neles e encontrei um potinho azul de tinta para pintar com os dedos. Era uma novidade, por isso não resisti e roubei. Depois da aula, tranquei-me no quarto e fiz uma marquinha azul no meu dedo. Esperei um pouquinho, lavei as mãos só com água e a tinta fora removida completamente.

Como o teste havia sido bem-sucedido, fiquei nua e pintei meu corpo quase inteirinho de azul. Não consigo explicar por que isso me dava tanto prazer. E se eu fosse uma menina azul? Difícil acreditar, mas fiquei pensando nisso enquanto me masturbava. Se fosse hoje, faria a associação com os alienígenas do filme Avatar e provavelmente perderia um pouco o tesão. Enfim, estava gozando a siririca mais celestial de todos os tempos quando minha empregada começou a me chamar por algum motivo do qual não me lembro agora. Fui correndo para o chuveiro e ainda tomei um pequeno susto, pois a tinta não saía apenas com água – era necessário esfregar a pele com o sabonete.

Durante as aulas, criei o hábito de rabiscar o meu braço, e com frequência o da minha namorada também. Desenhava smiles, corações, florzinhas, estrelinhas e escrevia “carpe diem”; nota-se que ainda havia pureza em minha jovem consciência. O corpo é um recurso muito eficiente para intensificar a notabilidade de qualquer mensagem, porque ela se torna uma parte do organismo como um todo. Essa é uma das características que me faz gostar tanto de tatuagens, sendo que fiz minha primeira bem cedo, aos quinze anos de idade, e até hoje não me sinto satisfeita tendo outras quatro. Modificações corporais sempre permearam minhas fantasias eróticas. No momento, tenho vontade de tatuar algo mais atrevido, talvez na xana ou no cu, no entanto, falta-me coragem e ainda me resta um tiquinho de bom-senso.

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Do prazer do beijo, ao prazer da dor

Uma vez ouvi dizer que o short muito curto que a Xuxa usava para apresentar seu programa infantil incentivava a sexualidade precoce nas crianças.  Se isso for mesmo verdade, minha hipótese é que passei muitas horas em frente à televisão. Na verdade, o que eu me lembro mesmo era de passar muito tempo no banheiro. Comecei a me masturbar no final da infância, quando eu deixava a água do chuveirinho correr pelo meu clitóris. Depois do meu primeiro orgasmo, não parei mais de me estimular, inocentemente, toda vez que ia para o banho. Minha ex-empregada disse que houve uma época em que eu odiava tomar banho. Até hoje fico me perguntando o que teria me feito mudar de ideia…

As perversões só foram germinar na minha mente quando aprendi a me tocar com os dedos. Se o chuveirinho não passava de um exercício corriqueiro, no caso da siririca era necessário também um trabalho de imaginação. Eu segurava na mão de um garoto, levava-o para uma parte escondida do colégio e beijava sua boca. Tive esta fantasia com vários colegas de sala; enquanto eles brincavam no recreio, eu ficava só na vontade de ter coragem de puxar um deles para longe de todo mundo. Anteriormente, já havia dado um Sonho de Valsa para um garoto em troca de um selinho, e o resultado havia me deixado um pouco desiludida. Como agora eu era mais velha, redescobri o beijo como algo muito, muito gostoso!

Nem é necessário discutir que a programação da TV aberta contém muita baixaria, mas definitivamente, as cenas de sexo não são tão explícitas quanto na internet. Numa época anterior às redes sociais, a garotinha levada fez vários “amigos virtuais” especializados em putarias que lhe serviram como referências. Eu adorava ver hentais! Salvei várias imagens no meu antigo computador para poder vê-las a qualquer hora, já que a internet era muito lenta e só podia me conectar depois da meia noite. Em geral, as imagens serviam mais como uma fonte de inspiração: ficava mais excitada lendo contos eróticos, ou fazendo sexo virtual.

Perdi minha virgindade com quatorze anos, mas na internet eu já me sentia bem vadiazinha. Enquanto na vida real, experimentava uma fase de boqueteira – afinal, chupar pinto não dá barriga -, sozinha em casa e diante do computador, eu tentava enfiar objetos – o primeiro que tentei foi uma cenoura – no meu bumbum. Quando se trata de sexo, minha mente logo se revelou bastante doentia. Por mais que eu não tivesse muitas experiências sexuais, quando estava fazendo sexo virtual, a narrativa quase sempre era encaminhada para um desfecho em que eu estaria no chão, machucada, inconsciente, coberta de esperma e com a xana e o cu muito arrombados e escorrendo sangue. Só conhecia fins trágicos: logo após último orgasmo, seguia-se a dor ou a morte.

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(Pessoal, se não estiverem muito atarefados, deem uma olhadinha na Entrevista com uma Ínfima Princesinha, que eu concedi a Josi, autora do blog Malagueta Boutique Erótica)

É tempo de siririca, baby!

Eu não consigo evitar, a minha xana é muito sensível e muito carente! Por isso, preciso ter uma atenção redobrada com ela. Dar um pouco de carinho, trazer-lhe alguma companhia. É desgastante, mas recompensador! Só que ela se tornou muito mimadinha em razão do meu excesso de cuidados. A estratégia é sempre a mesma: fica quentinha, começa a formigar e logo já está um pouco úmida. Pronto, começou! Fecho as pernas, esfrego discretamente o bumbum sobre o assento e já vou procurar o banheiro mais próximo. Minha excitação não é exatamente um movimento espontâneo. Tenho uma grande dificuldade de me concentrar, e os meus palpitantes devaneios sempre seguem alinhamentos pornográficos.

É coisa de biscate, dizem, andar sem calcinha. Para mim, além de tudo, é um hábito; sinto-me bem confortável principalmente quando é possível sentir uma corrente de ar passar por entre as pernas. Este é um dos motivos para gostar tanto de usar saias minúsculas. Além de considerar a vulgaridade um tanto sexy, minha boceta já fica bem acessível se eu precisar afagá-la. Conhecendo a inquietude do meu corpo, antes de sair para qualquer lugar, procuro tomar algumas simples precauções, como sempre ter um vibrador disponível na minha bolsa – quando já não ando com ele dentro de mim. Engana-se quem pensa que seria um pequeno consolo discreto; geralmente, levo um pênis de borracha de uns 17cm. Também é um equívoco acreditar que passo mais de meia hora no banheiro fofocando. Só digo que com certeza estava fazendo algo bem mais interessante durante todo esse tempo.

Eu devo me masturbar pelo menos umas sete vezes por dia. Suspeito que isso seja uma compulsão, mas nada muito grave, já que esse cálculo inclui as vezes em que me toco durante o serviço. Por outro lado, não contabilizei as vezes em que me acaricio inconscientemente. Gosto de andar nua em casa, então tem vezes que estou lendo alguma coisa, ou assistindo televisão, aí olho para baixo e lá está ela: minha mão bolinando meu sexo. Ops… tire a mão daí, sua sem vergonha! É preciso estar sempre alerta. Imagine se num primeiro encontro, quando já me sinto bem à vontade, sem perceber, abro as pernas e deixo minha mão entre elas. De certo, o sujeito acharia que sou uma puta! Ainda assim, não deixa de ser bem excitante. Mas são instantes muito breves e, lamentavelmente, essa quantidade de estímulos não corresponde também ao meu número de orgasmos diários.

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