Desafio da vida sexual de senhores de idade

Estou com 22 anos e muitas vezes faço sexo com senhores que teriam idade para serem meus pais ou até mesmo avós. A princípio, sentia-me consternada com esta austera mudança na faixa etário de meus parceiros sexuais. É difícil para qualquer jovem da minha idade imaginar aquele velho senhor simpático do mercadinho fazendo sexo todo mês com uma garota 30 anos mais nova do que ele. Assim, é preciso subverter alguns valores! Um indivíduo jovem e bonito é sexualmente atrativo para uma fêmea – não sendo bonito, que pelo menos seja jovem! E ao abrir de novo os olhos, eu me vejo rebolando no pênis de um velho senhor, enquanto o meu instinto reprodutivo me advertia que aquilo não era natural. E daí? Desde quando eu faço sexo com a intenção de me reproduzir? Também já mandei um foda-se para o status quo antes de alguém vir me importunar sobre a gravidade de me envolver com alguém bem mais velho.

Melhor deixar os transgressores se divertirem! Nestes casos particulares, considero o cliente muito mais subversivo do que eu. Pessoas jovens têm uma vida sexual mais ativa pelos ambientes que frequentam, pela sociedade não lhes cobrar tantas responsabilidades, por não serem casados e também, como já foi dito, por serem sexualmente mais atraentes e reféns de altas concentrações hormonais. Uma garota com o meu perfil, transando com um sexagenário, expressa uma imagem chocante para o espectador. O mais perspicaz dirá: “ela é uma puta!”. Ok, aplausos, encerra-se o assunto com uma leve condenação, porém quem vai ser rechaçado pelo povo é o coitado do Seu Zé, agora popularmente conhecido como “velho safado”. O julgamento popular não permite desvios dos valores morais por parte de outros fanfarrões como o Seu Zé, aposentado, marido, pai, avô e, sobretudo, velho. A apreciação do senso comum geralmente é muito maldosa: o vovô só pode ser broxa! Não gosto de generalizações, mas a minha assertiva é: o senso comum só pode ser burro!

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A saga da anti-heroína

Diante da minha insatisfação com algumas situações da minha vida, algumas pessoas – cujas intenções, acredito, sejam boas – trouxeram-me exemplos de histórias dramáticas que tiveram um desfecho bem-sucedido. São os heróis, não muito célebres, presentes em nosso cotidiano que batalharam contra adversidades muito piores do que aquelas que vivencio atualmente.  Se por um lado, esperam que eu tome algumas dessas odisseias como referência, por outro não se dão conta de que tais casos servem mais para demonstrar toda minha mediocridade e ainda carregam a ilusão de como os “bons valores” da sociedade são imperativos para se alcançar a felicidade. Isto é, se não me sinto realizada com minha vida é porque me falta força de vontade para tomar as decisões corretas, para transformá-la. Ora, o mundo é maravilhoso para as pessoas esforçadas, não?

Tem uma moça muito bonita, que veio de família pobre, estudou a vida toda em colégio público, conseguiu entrar na faculdade e hoje ganha não sei quantos mil por mês. Ah, e preste atenção neste detalhe: mesmo quando passava fome, ela nunca precisou se prostituir! Porque puta é aquela mulher que não teve a capacidade de desempenhar qualquer outra profissão mais “decente”. Para o nosso senso comum, sempre tão esclarecido, não há problema nenhum a moça trabalhar a vida toda como empregada doméstica, desde que não ofereça seu corpo nas esquinas de qualquer cidade. Assim, preservaria a sua honra, o seu orgulho; e isso vale muito mais do que umas comprinhas no shopping no final de semana. Como o objetivo seria fazer eu me sentir melhor, essas pessoas me passam a mensagem de esperança de que eu também posso vencer na vida, basta simplesmente largar a prostituição! Puta é feliz? Mito. É o caso desta putinha que não está mais irradiando contentamento.

Não creio nessas verdades universais, tantas vezes proferidas por pseudo-autoridades. Não raramente, os consumidores veem apenas o produto final e já acham que compreendem todo o processo produtivo. E no caso da prostituição, não estamos lidando com mercadorias padronizadas e já concluídas, mas sim com experiências dinâmicas que são reconfiguradas a todo instante. Com base nisso, aliado à minha determinação de quebrar paradigmas, estou buscando o meu equilíbrio extraindo prazeres até de relações conflituosas ou impessoais. Nessas horas, é exigido afastar certos sentimentos, porque inevitavelmente serei contratada por sujeitos incivilizados que não sabem respeitar uma mulher. Após anos na putaria, este se tornou um problema menor. Além do mais, não sou unicamente uma garota de programa! Talvez, se tivesse dado mais atenção a isso, a garota não estaria se sentindo mal.

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Cem homens em um mês

Só hoje eu já dei para quatro homens diferentes! Se eu mantiver essa média diária, o que não é tão difícil assim, em um ano terei feito sexo com quase mil e quinhentos parceiros. Oh, my god! Como você é vagabunda! É isso que os números poderiam indicar, mas não passaria de uma análise muito superficial. Obviamente, passei da marca dos milhares de contatos sexuais porque trabalho como uma profissional do sexo. Logo… vagabunda, talvez (ou muito provavelmente); puta, com certeza! Não é uma necessidade de ser rotulada, porém, uma vez que já me dirigiram todo tipo de insulto pela minha devassidão, o jeito é assumir a qualidade de vadia com orgulho. Bom, gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer a todos os companheiros que consumiram de alguma forma o meu corpo. Sem vocês, eu jamais seria – como dizem alguns eruditos filhos da mãe – uma verdadeira piranha!

A sociedade, sempre muito generosa com o sexo feminino, me deu carta branca para transar com quantos homens eu quiser. Tolerável, afinal como sou uma puta, a maior parte das minhas relações sexuais gera dividendos a mim e a outras pessoas envolvidas nessa rentável indústria – teoricamente ilegal, na minha situação. Existe o atributo comodidade na minha decisão de me prostituir: posso acumular alguma renda, valendo-se de uma atividade que me proporciona prazer, todavia com uma importante ressalva: nem sempre é bom! Ah, jura? E com um pouco mais de verossimilhança: muitas vezes é bem ruinzinho!

Então, por que não largar a profissão e se entregar ao sexo casual? Um dos motivos é porque a meretriz aqui está imune a certas hostilidades. Explico melhor: quero escrever todo tipo de libertinagem em um blog! Sim, eu posso, porque sou uma puta! Quero sair na rua usando uma saia da largura de um cinto! Sim, eu posso, porque sou uma puta! Quero dar para cem homens em um mês! Yes, I can, ‘cause I’m a freak bitch, baby! Os conservadores dizem que preciso namorar um homem de verdade. Os machistas acham que tenho mais é que ser abusada e apanhar. Os cristãos acreditam que devo pedir perdão e me entregar a deus. Quanto a mim, só gostaria que esses grupos deixassem de impor seus valores (ultrapassados) e fossem mais tolerantes com as escolhas individuais de cada um.

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