Quer mesmo namorar comigo?

Se eu já me apaixonei por algum cliente? Ora, pare com essas bobagens! É evidente que não. Não me interesso em começar um relacionamento, consciente de que um fim trágico se aproxima. Uma boca que se contamina pelo contato com o corpo de vários homens está debilitada demais para declarar um “eu amo você” com toda a sinceridade. Os clientes estimulam a libido, mas não cultivam absolutamente nada no coração. Quer encontrar um namorado? Então, em primeiro lugar, vista uma roupa decente, comporte-se como uma moça de família e contenha seus impulsos hormonais!

Não digo que tal mudança de comportamento seja impossível, mas com toda certeza seria um exercício muito desgastante. Conhecendo a putaria, não tenho interesse em largá-la nesse instante. Mudemos, pois, o questionamento: quer namorar comigo? Então, em primeiro lugar, seja tão devassa quanto eu. Alguém? Olha lá, bem ali têm alguns clientes interessados. Vocês são uns amores, embora eu não tenha lhes dado muitas oportunidades. Fico completamente travada diante da possibilidade de assumir um compromisso sério com meus consumidores. Talvez porque eu tenha uma visão meio distorcida, ou então muito realista, a respeito do sexo masculino. Geralmente, tenho contato com o lado mais primitivo dos homens e pode ser que isso tenha acentuado a minha orientação homossexual.

Como disse anteriormente, procuro pessoas pervertidas, e homens são tarados por natureza. Muitos machos adorariam ter a sua disposição uma fêmea ninfomaníaca, contanto que ela não se envolvesse com os outros animais do bando. Mas mesmo num caso extraordinário em que o sujeito dissesse algo como: “vai lá, putinha, pode dar esse rabinho para quem você quiser”, não sentiria vontade de assumir um relacionamento. Ando meio desiludida com o sexo oposto. Exaustivamente, já repeti que sou uma vadiazinha. Então, alguns tantos me tratam como uma vagabunda e outros poucos como uma donzela. Até gosto dos dois tratamentos, mas, para mim, seria mesmo especial se me deixasse de quatro e dissesse que me ama.

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Breve resgate de um amor do passado

(Esse texto eu comecei a escrever em 2005 e nunca consegui terminá-lo. Era para falar das paixões da minha vida durante minha pré-adolescência. Na época, eu enviei esse texto para um amigo que, no começo de 2010, conseguiu recuperá-lo para mim. Fiz algumas modificações e tentei continuar a história para postar aqui no blog, só que mais uma vez o abandonei. Hoje decidi postá-lo, incompleto mesmo e sem umas partes que escrevi em 2010. Espero que vocês gostem!)

Depois de uma noite fantástica, dormi profundamente, como há muito tempo não fazia. Acordei bem de manhazinha e para minha satisfação nenhuma daquelas minhas lembranças recentes havia sido um sonho (pelo menos não daquele tipo que só temos contato quando estamos dormindo). Estava mesmo deitada ao lado da minha flor. Pelo que me lembrava, nós duas havíamos dormido abraçadas, mas acordei de costas para ela, quase caindo da cama de solteiro onde estávamos. Após me virar para admirar minha namorada adormecida, acabei cedendo ao desejo: molhei meus lábios e decidi despertá-la com um selinho. Sua reação assustada logo deu lugar a uma expressão de sono, partilhada por um doce sorriso e seguido de um “Bom dia, bebê!”.

– Bom dia, minha vaquinha!

Dei a ela esse apelido tão carinhoso, porque ela sempre usa um pijama com o desenho de uma vaquinha e uma calça com estampa malhada. Fiquei muito encantada a primeira vez que a vi vestida assim, tanto que, para completar o conjunto, presenteei-a com pantufas no formato de vacas e uma vaquinha de pelúcia que dei o nome de Larissa.

A Larissa (não o bichinho de pelúcia) e eu começamos a namorar faz uns cinco meses, sempre às escondidas. Foi preciso trancar a porta para garantir que os pais dela não nos vissem dormindo juntas. E realmente esse era o principal detalhe que queríamos esconder, afinal naquela noite não havíamos passado dos abraços e beijinhos, embora eu quisesse ir muito, muito além. O jeito seria enganar essa minha vontade, caindo na cama com outra pessoa, traindo minha namorada com qualquer um. Tudo porque meu desejo sexual parece ser maior do que meu amor. Mas eu realmente gosto muito dela. Ela me faz feliz mais do que qualquer pessoa no universo. Só conseguia escutar o meu coração quando estava ao seu lado, e de uma maneira acelerada, ele repetia várias vezes que estava apaixonado.

Naquele dia, acordamos cedo, porque teríamos aula de manhã. Nós duas sempre estudamos juntas e agora estamos no primeiro ano do ensino médio. Não é nada comum eu dormir em sua casa em dia de semana, mas dessa vez foi necessário, porque havia brigado outra vez com meu pai e por isso precisava passar um bom tempo longe de casa. Perdida, fui procurar abrigo na casa do meu amor, levando basicamente só as roupas do corpo. Por isso tive que pegar emprestado uma camiseta de uniforme e alguns materiais escolares para conseguir entrar na aula.

Como eu estava com o caderno da Larissa, depois de copiar a matéria, comecei a escrever para ela uma espécie de carta de amor. Em determinada parte do texto, eu escrevi algo mais ou menos assim:

“Hoje eu sonhei que você estava sentada a minha frente, de costas para mim, completamente despida. À minha disposição havia várias latas de tinta de diversas cores. Como não tinha nenhum pincel, molhava meus dedos na tinta e pintava suas costas. Fiz alguns desenhos e escrevi algumas mensagens ao longo do seu corpo. No seu seio, próximo ao seu coração, eu escrevi a palavra ‘eterno’. Era para se referir ao nosso amor”.

Depois de uns meses, ela encontrou esse texto e me respondeu com um e-mail apaixonado. Infelizmente, nesse tempo todo, muita coisa aconteceu comigo, de tal maneira que senti que nosso relacionamento estava destinado a um fim meio dramático. Ora, é natural que em certo momento da vida, a garota deixe de crer em amor eterno. De fato, há um bom tempo, já não acredito nisso. A paixão que a gente sente parece uma aventura de criança, quando eu já estou levando uma vida de mulher.

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A partir de uma confissão de amor

(Antes de ler esse texto, recomendo que leia o post anterior Indícios que atestam minha culpa)

30 de dezembro de 2006.

Ontem à noite, a Larissa e eu conversamos para tentar uma reconciliação. Sentia-me motivada a fazer qualquer coisa para voltarmos a namorar, a começar revelando minha total infidelidade durante o período que ficamos juntas. Não importava dizer com quantas pessoas eu havia me deitado na cama. Por mais que ela quisesse saber, eu não tinha essa resposta; mantive relações sexuais com diversas pessoas e nenhuma vez com minha namorada. O que ela precisava saber provavelmente já estava muito evidente: eu era uma completa vadia. Entretanto, preferi me diagnosticar como uma compulsiva sexual.

“Eu simplesmente não consigo me controlar. Eu quero ser desejada, que as pessoas encontrem o prazer abusando do meu corpo. Então eu saio à noite para me insinuar para qualquer pessoa que demonstre interesse em mim. Não sei dizer exatamente quantos foram e nem quem eram essas pessoas. Eu só me interessava pelo sexo. Isso me dava prazer, então foda-se o resto. Nesse período o meu prazer era completo, porque não me faltava parceiros sexuais, ao mesmo tempo em que me relacionava com a mulher da minha vida. Eu diria que construí dois contextos diferentes e conflitantes entre si. Acontece que eu preciso de um mundo desmoralizado onde eu consiga satisfazer os meus desejos sexuais e, agora, preciso ainda mais de um lugar onde eu possa dedicar o meu amor a alguém. E você era a única pessoa que realmente me amava, e além disso, a única por quem eu sinto amor verdadeiro. Por favor, eu não posso perdê-la porque você é o único sujeito que torna minha vida especial! Sem você, eu fico sozinha… sei que minha parte mais doce vai desaparecer, e eu vou me tornar apenas aquela pessoa que durante todo esse tempo tentei esconder de você. Eu preciso de ajuda… essa é a verdade. Não aguento mais enfrentar isso sozinha; sou muito fraca. Só consigo lutar para reconquistá-la e, mesmo assim, não consigo completar uma frase sem começar a chorar”.

Havia várias palavras que gostaria que fossem ditas, mas não conseguia interromper meu choro para pronunciá-las. Já havia me esforçado muito para declarar um pouco do meu amor naquela primeira mensagem. Infelizmente, não dava para saber se esta traria minha namorada de volta. Foi minha única chance, porque agora eu estava muito nervosa para conseguir desenvolver por completo qualquer argumento. Sentia raiva de mim mesma, das minhas limitações. A Larissa também estava chorando, mas manteve-se equilibrada durante todo nosso encontro. Não questionou nada de tudo que foi dito. Ajoelhou-se ao meu lado – eu estava sentada – acariciou o meu rosto, secando minhas lágrimas, e me deu um beijo na testa. Depois deitei no sofá com a cabeça em seu colo e, conforme me acalmava, ia confessando todas as minhas falhas como namorada.

“Nós vamos resolver isso juntas”, e me beijou.

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