Alguém pobre de afeição

Demoro horas até ficar pronta para foder com você. Tomo banho, arrumo o cabelo, passo maquiagem, faço as unhas e escolho uma roupa sensual para chamar sua atenção e despertar seu interesse por mim.

Diga-me, por que me despreza tanto?

Fico sozinha com você no quarto. Coloco uma música agradável e danço bem pertinho de você. Tiro os sapatos, a blusa e a saia. Quero você excitado! Deixo que toque no meu corpo e ainda retribuo as carícias com um sorriso.

Diga-me, por que me despreza tanto?

Dou vários beijos de língua em sua boca. Faço carinho no seu rosto e nas suas costas. Sussurro próxima ao seu ouvido que gostei de você. Ajudo a tirar a sua e a minha roupa. Levanto os seios e abro as pernas para você poder sentir minhas partes íntimas.

Diga-me, por que me despreza tanto?

Enfio seu pênis inteiro na minha boca e só paro de sorver quando ele estiver bem rígido. Toco uma punheta para você e bato uma siririca para mim. Acompanho suas reações olhando em seus olhos e depois pergunto se quer me foder.

Diga-me, por que me despreza tanto?

Sento em seu colo com seu pênis encaixado na minha vagina. Impulsiono meu corpo para cima e para baixo. Acelero o ritmo das minhas cavalgadas. Agarro-me em seu tórax e lhe abraço ofegante, trocando meu calor com o seu.

Diga-me, por que me despreza tanto?

Coloco-me na posição de quatro e conduzo seu pênis à entrada do meu ânus. Rebolo enquanto você me penetra. Viro o rosto para trás e gemo de prazer a cada estocada. Troco as posições e continuo dando até você atingir o orgasmo.

Diga-me, por que me despreza tanto?

Ouço você me ofender, chamando-me de mentirosa e vagabunda. Presto atenção no seu entendimento de que só estou interessada no seu dinheiro. Recuso-me a responder quando me pergunta se vale a pena transar, por alguns trocados, com pessoas como você.

Diga-me, por que se despreza tanto?

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Um chute para quem estava no chão

A última notícia que eu tive da Viviane era que ela havia apanhado bastante. Primeiro me disseram que o agressor era um cliente e depois me informaram que era o namorado. Recentemente, descobri que os dois são a mesma pessoa. Segundo os boatos, ele estava bêbado e suspeitava que ela havia roubado dinheiro de sua carteira. Ainda que esse covarde merecesse passar uma longa temporada atrás das grades, este caso nunca foi registrado na delegacia. Pelo menos, em nossa pequena rede de informações, já sabemos a identidade deste imbecil, para quem eu nunca irei dar… aliás, uma precisa voadora ninja em seu saco, muito provavelmente, eu daria!

Indiscutivelmente, a Vivi é a vítima da história, por outro lado, ela é outra que mereceria um chute no saco, caso ela tivesse um. Embora eu escreva todas essas bobagens, dificilmente teria coragem de empregar qualquer forma de violência contra alguém. Existem, todavia, exceções: tenho uma raiva acumulada especificamente por aquela puta, porque desde que nos conhecemos, ela sempre foi muito escrota comigo. Quando a conheci, ela era apenas mais uma idiota acreditando que eu não aguentaria ficar muito tempo na prostituição. E à medida que os meses passavam, eu ainda estava lá, por vezes disputando os mesmos clientes com ela. Admito ter participado um pouco dessas rivalidades imbecis entre garotas de programa.

Bastava a gente se cruzar para ela, prontamente, tentar me desqualificar com seu pequeno repertório de provocações. Uma vez nós discutimos numa festa, porque ela veio com a conversa de que os homens buscavam uma mulher de verdade, completa como ela e não uma pirralha brincando de dar a bocetinha. Geralmente não dou confiança alguma para os sermões os quais ela insiste em me passar, entretanto, naquele dia, como já estava estressada por outros motivos, respondi algo mais ou menos nessas palavras:

– Esses idiotas que dizem que você é completa não procuravam outra coisa além de dois peitos enormes.

Ela me chamou de vagabunda, piranha, vadia e retardada, enquanto eu fui bem mais sucinta e apenas a mandei tomar no cu. Um sujeito acompanhou a discussão e em seguida foi conversar comigo sobre a Viviane. Simplesmente lhe disse que ela era muito tosca e estúpida… para que? No dia seguinte, a senhorita incivilidade veio aqui em casa para me cobrar explicações a respeito das críticas sobre ela que eu estaria espalhando para seus clientes. “Que mulher deselegante!” – pensei. “Vai começar a baixaria só porque eu a chamei de tosca e estúpida?”. E o vexame poderia ter sido maior se a minha cafetina não tivesse intercedido antes que eu começasse a apanhar.

Nesse mesmo dia, ela me enviou pelo menos umas seis mensagens no meu celular só para me ofender e me ameaçar. Se a intenção era me intimidar, com absoluta certeza ela fora muito bem-sucedida, tanto que deixei de trabalhar em certos lugares onde costumava encontrá-la. Passei uns três meses fugindo desta puta transtornada, mas aí comecei a achar que estava ficando meio neurótica com todo este caso. Queria dar uma chance para a bendita reconciliação: provavelmente ela superou nossas divergências infantis e, quem sabe, poderíamos até nos tornar coleguinhas!

Eu mereci mesmo apanhar por ter pensado dessa forma. Sua índole, destituída de muitos méritos, continuava ordinária como de costume. Isso me deixou muito irritada, a ponto de mandar um foda-se para a senhorita malcomida e assim me concentrar unicamente no meu jeito de trabalhar. Em uma dessas festas onde nós duas trabalhávamos, conversei não mais de dez minutos com um rapaz aleatório até minha agradável colega de profissão me afastar dele. Ainda assim, trocamos alguns olhares durante a festa que nos guiaram para um canto onde transamos.

Já no final da noite, eu estava do lado de fora fumando e conversando com uma amiga, quando a vaca da Vivi chegou por trás de mim, puxou o meu cabelo e me derrubou no chão. A única reação que tive foi tentar me proteger desta mulher que agora estava em cima de mim, dando socos na minha cabeça e arranhando meus braços. Ela não parava de gritar comigo, mas só pude entender que havia muito ódio em suas palavras. Minha amiga foi me ajudar e acabou apanhando também de uma delinquente que acompanhava a minha agressora.

Quando outras pessoas conseguiram tirá-la de cima de mim, eu não tinha coragem de me levantar. Meu nariz e minha boca estavam sangrando bastante e também havia vários arranhões no meu braço. Insultos e ameaças ainda eram dirigidos a mim, mas diante de tudo que ocorreu, o melhor a se fazer era ir embora. Sinto que me fez bem chorar tudo de uma vez, para dissipar o susto depressa e conseguir me acalmar. Passei horas tentando dormir, mas havia uma voz na minha cabeça que não se calava: “Ela fez exatamente o que eu queria. Será que devo me arriscar outras vezes?”.

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Cem homens em um mês

Só hoje eu já dei para quatro homens diferentes! Se eu mantiver essa média diária, o que não é tão difícil assim, em um ano terei feito sexo com quase mil e quinhentos parceiros. Oh, my god! Como você é vagabunda! É isso que os números poderiam indicar, mas não passaria de uma análise muito superficial. Obviamente, passei da marca dos milhares de contatos sexuais porque trabalho como uma profissional do sexo. Logo… vagabunda, talvez (ou muito provavelmente); puta, com certeza! Não é uma necessidade de ser rotulada, porém, uma vez que já me dirigiram todo tipo de insulto pela minha devassidão, o jeito é assumir a qualidade de vadia com orgulho. Bom, gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer a todos os companheiros que consumiram de alguma forma o meu corpo. Sem vocês, eu jamais seria – como dizem alguns eruditos filhos da mãe – uma verdadeira piranha!

A sociedade, sempre muito generosa com o sexo feminino, me deu carta branca para transar com quantos homens eu quiser. Tolerável, afinal como sou uma puta, a maior parte das minhas relações sexuais gera dividendos a mim e a outras pessoas envolvidas nessa rentável indústria – teoricamente ilegal, na minha situação. Existe o atributo comodidade na minha decisão de me prostituir: posso acumular alguma renda, valendo-se de uma atividade que me proporciona prazer, todavia com uma importante ressalva: nem sempre é bom! Ah, jura? E com um pouco mais de verossimilhança: muitas vezes é bem ruinzinho!

Então, por que não largar a profissão e se entregar ao sexo casual? Um dos motivos é porque a meretriz aqui está imune a certas hostilidades. Explico melhor: quero escrever todo tipo de libertinagem em um blog! Sim, eu posso, porque sou uma puta! Quero sair na rua usando uma saia da largura de um cinto! Sim, eu posso, porque sou uma puta! Quero dar para cem homens em um mês! Yes, I can, ‘cause I’m a freak bitch, baby! Os conservadores dizem que preciso namorar um homem de verdade. Os machistas acham que tenho mais é que ser abusada e apanhar. Os cristãos acreditam que devo pedir perdão e me entregar a deus. Quanto a mim, só gostaria que esses grupos deixassem de impor seus valores (ultrapassados) e fossem mais tolerantes com as escolhas individuais de cada um.

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