Do prazer do beijo, ao prazer da dor

Uma vez ouvi dizer que o short muito curto que a Xuxa usava para apresentar seu programa infantil incentivava a sexualidade precoce nas crianças.  Se isso for mesmo verdade, minha hipótese é que passei muitas horas em frente à televisão. Na verdade, o que eu me lembro mesmo era de passar muito tempo no banheiro. Comecei a me masturbar no final da infância, quando eu deixava a água do chuveirinho correr pelo meu clitóris. Depois do meu primeiro orgasmo, não parei mais de me estimular, inocentemente, toda vez que ia para o banho. Minha ex-empregada disse que houve uma época em que eu odiava tomar banho. Até hoje fico me perguntando o que teria me feito mudar de ideia…

As perversões só foram germinar na minha mente quando aprendi a me tocar com os dedos. Se o chuveirinho não passava de um exercício corriqueiro, no caso da siririca era necessário também um trabalho de imaginação. Eu segurava na mão de um garoto, levava-o para uma parte escondida do colégio e beijava sua boca. Tive esta fantasia com vários colegas de sala; enquanto eles brincavam no recreio, eu ficava só na vontade de ter coragem de puxar um deles para longe de todo mundo. Anteriormente, já havia dado um Sonho de Valsa para um garoto em troca de um selinho, e o resultado havia me deixado um pouco desiludida. Como agora eu era mais velha, redescobri o beijo como algo muito, muito gostoso!

Nem é necessário discutir que a programação da TV aberta contém muita baixaria, mas definitivamente, as cenas de sexo não são tão explícitas quanto na internet. Numa época anterior às redes sociais, a garotinha levada fez vários “amigos virtuais” especializados em putarias que lhe serviram como referências. Eu adorava ver hentais! Salvei várias imagens no meu antigo computador para poder vê-las a qualquer hora, já que a internet era muito lenta e só podia me conectar depois da meia noite. Em geral, as imagens serviam mais como uma fonte de inspiração: ficava mais excitada lendo contos eróticos, ou fazendo sexo virtual.

Perdi minha virgindade com quatorze anos, mas na internet eu já me sentia bem vadiazinha. Enquanto na vida real, experimentava uma fase de boqueteira – afinal, chupar pinto não dá barriga -, sozinha em casa e diante do computador, eu tentava enfiar objetos – o primeiro que tentei foi uma cenoura – no meu bumbum. Quando se trata de sexo, minha mente logo se revelou bastante doentia. Por mais que eu não tivesse muitas experiências sexuais, quando estava fazendo sexo virtual, a narrativa quase sempre era encaminhada para um desfecho em que eu estaria no chão, machucada, inconsciente, coberta de esperma e com a xana e o cu muito arrombados e escorrendo sangue. Só conhecia fins trágicos: logo após último orgasmo, seguia-se a dor ou a morte.

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(Pessoal, se não estiverem muito atarefados, deem uma olhadinha na Entrevista com uma Ínfima Princesinha, que eu concedi a Josi, autora do blog Malagueta Boutique Erótica)

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É tempo de siririca, baby!

Eu não consigo evitar, a minha xana é muito sensível e muito carente! Por isso, preciso ter uma atenção redobrada com ela. Dar um pouco de carinho, trazer-lhe alguma companhia. É desgastante, mas recompensador! Só que ela se tornou muito mimadinha em razão do meu excesso de cuidados. A estratégia é sempre a mesma: fica quentinha, começa a formigar e logo já está um pouco úmida. Pronto, começou! Fecho as pernas, esfrego discretamente o bumbum sobre o assento e já vou procurar o banheiro mais próximo. Minha excitação não é exatamente um movimento espontâneo. Tenho uma grande dificuldade de me concentrar, e os meus palpitantes devaneios sempre seguem alinhamentos pornográficos.

É coisa de biscate, dizem, andar sem calcinha. Para mim, além de tudo, é um hábito; sinto-me bem confortável principalmente quando é possível sentir uma corrente de ar passar por entre as pernas. Este é um dos motivos para gostar tanto de usar saias minúsculas. Além de considerar a vulgaridade um tanto sexy, minha boceta já fica bem acessível se eu precisar afagá-la. Conhecendo a inquietude do meu corpo, antes de sair para qualquer lugar, procuro tomar algumas simples precauções, como sempre ter um vibrador disponível na minha bolsa – quando já não ando com ele dentro de mim. Engana-se quem pensa que seria um pequeno consolo discreto; geralmente, levo um pênis de borracha de uns 17cm. Também é um equívoco acreditar que passo mais de meia hora no banheiro fofocando. Só digo que com certeza estava fazendo algo bem mais interessante durante todo esse tempo.

Eu devo me masturbar pelo menos umas sete vezes por dia. Suspeito que isso seja uma compulsão, mas nada muito grave, já que esse cálculo inclui as vezes em que me toco durante o serviço. Por outro lado, não contabilizei as vezes em que me acaricio inconscientemente. Gosto de andar nua em casa, então tem vezes que estou lendo alguma coisa, ou assistindo televisão, aí olho para baixo e lá está ela: minha mão bolinando meu sexo. Ops… tire a mão daí, sua sem vergonha! É preciso estar sempre alerta. Imagine se num primeiro encontro, quando já me sinto bem à vontade, sem perceber, abro as pernas e deixo minha mão entre elas. De certo, o sujeito acharia que sou uma puta! Ainda assim, não deixa de ser bem excitante. Mas são instantes muito breves e, lamentavelmente, essa quantidade de estímulos não corresponde também ao meu número de orgasmos diários.

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Passeando com os passarinhos

Mesmo estando um pouco afastada das relações sadomasoquistas, ainda não perdi o costume de procurar, nem que seja apenas para fazer amizades, por mulheres dominadoras pela internet. A Raquel e eu temos algumas semelhanças, apesar de termos seguido orientações opostas nas práticas BDSM: ela, sádica, e eu, masoquista. Temos a mesma idade, uma boa experiência nesses tipos de relacionamento e não gostamos muito de assumir compromissos, ou seja, ela domina várias submissas e eu me entrego a vários dominadores. A justificativa é que ainda estamos procurando a companheira ideal… pelo menos no meu caso, a quem estou tentando enganar?

Gosto de alcançar os meus limites quando me submeto a alguma pessoa. Não tenho muito pudor, nem muito juízo, principalmente quando estou excitadinha. As palavras da Raquel deixaram a minha xana bem agitada e, naquele momento, eu só pensava em implorar para ser abusada. Anteriormente, havia me promovido como a última bolacha do pacote. Porque eu sou muito obediente, gosto de práticas hardcore, tive bastante experiência com outros dominadores… no final, sempre caio nas minhas próprias armadilhas. Minha dominadora quis comprovar se eu era realmente tudo aquilo e decidiu me humilhar em público. “Sim, senhora!”, não havia outra resposta possível.

Primeiro eu me vesti como a Ayana, quer dizer, como uma sem-vergonha: minissaia azul, top branco e calcinha string. A minha nobre missão seria conseguir uma xícara de açúcar com algum dos meus solidários vizinhos. Mas eu não iria sozinha; dois amigos me acompanhariam. O Piupiu é amarelo, tem uns 15 cm e dez velocidades de vibração. O outro passarinho, um pouco menor e mais calmo, é o Woodstock. Sem dúvidas são dois bichinhos muito animados, o único problema é que cantam muito alto mesmo quando estão na gaiola. Todos na rua iriam ouvi-los, já que minha senhora ordenou que eles estivessem na velocidade máxima, piando entre as minhas pernas – o Piupiu na frente e o Woodstock atrás. Calma, calma, calma! Andava com as pernas bem juntinhas para abafar o som e ainda tinha que me concentrar no meu objetivo.

Fui pedir em duas casas. Tocava a campainha, afastava-me do portão e de longe pedia – visivelmente ofegante e gaguejando algumas palavras – por uma xícara de açúcar. Não prestei muita atenção na reação dos meus vizinhos, porque estava muito apreensiva. Talvez não tivessem entendido o que se passava, mas certamente notaram que havia algo me importunando. Voltava bem rápido para casa, sentindo tanta vergonha que a minha vontade era ficar debaixo das cobertas escondida e me tocando. Eu precisava muito gozar! Porém, a Raquel não permitia, então comecei a ficar muitíssimo desesperada.

– O que eu preciso fazer para a senhora permitir que eu goze?

E mais uma vez, saí para pedir açúcar, dessa vez com a permissão de gozar sob determinadas condições. Duas mulheres estavam conversando em frente à casa de uma delas, e sem me importar mais com o ruído oscilante que partia da minha região íntima, fui fazer meu pedido a elas. Ficaram em silêncio, observando o meu corpo descoberto; inquieto e transpirando. Quando uma delas entrou para buscar o açúcar, tentei dissimular, expressando alguma naturalidade, enquanto repetia centenas de vezes na minha mente: “Vai logo! Vai logo! Vai logo!”. Mesmo depois de voltar com a minha xícara cheia, minha aflição ainda não terminara.

– Obrigada! Me desculpe incomodá-la com isso, mas estou fazendo um bolo agora e não tinha visto…

Fiquei estática; não sei por quantos segundos. Diante daquelas senhoras, meu orgasmo foi muito intenso. Só me lembro de ver uma delas virando o rosto para trás e, logo em seguida, para eu fugir dessa situação, inventei que havia deixado o forno ligado. Entrei correndo em casa e deitei na cama com o travesseiro cobrindo o meu rosto. Estava completamente atordoada, porque é só no período pós-orgástico que a minha racionalidade começa a se impor. Contudo, dessa vez, não por muito tempo. Para me livrar de qualquer arrependimento, me convenci de que só estava cumprindo meu papel de submissa. A partir daí, volto a ficar de joelhos e imploro por mais um orgasmo.

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