Rabinho preso no puteiro

Enquanto diferentes setores da economia brasileira passam por um período de desaceleração ou recessão, o mercado de prestação de serviços sexuais está superaquecido. Talvez por conta da redução da taxa de juros, ou então por eu não ter reajustado no ano passado o valor do meu programa com base na inflação. Fato é que estou dando mais do que chuchu na cerca e aí, já viu, sem tempo para mais nada exceto sexo. Já tentei me controlar mais e dizer “hoje não”! Em seguida fico poucos instantes quietinha em casa antes de começar a formular novas ideias excitantes, que vão se desenvolvendo em compasso com os inspiradores toques no meu sexo. A propósito, a característica ausência de organização do meu “atelier” permite com que eu tenha sempre ao alcance das mãos alguma ferramenta de prazer. Em meio ao caos, destaca-se uma pluralidade de objetos fálicos multicoloridos, cada um rigorosamente batizado com o nome de passarinhos de desenhos animados que marcaram minha infância. Para citar alguns, tem o Piu-piu, o Pingu, o Pica-Pau, o Piyomon e o Pidgeotto.

Um vibra na frente, outro atrás. Enquanto isso, minha vida afastada do bordel segue sem nada mais interessante para fazer além de ficar na internet. Uma hora ou outra, acabo acessando sites pornôs ou alguém me atrai para conversas picantes. Sou eu, ou a web está sexualizada demais? Bom, se for para gastar tempo com sacanagem virtual, muito melhor ir ao bordel arrumar uma pica para eu chupar. Largo os vibradores em qualquer canto e me ajeito em tempo recorde – sempre fico com a sensação de que estou muito atrasada para ser fodida. Chego ao privê e me sinto em casa; tão contente e radiante que seria capaz de iniciar uma cena de musical à la Moulin Rouge. Tantos sujeitos estranhos e a espera de contracenar com algum deles. Quando apareço bem excitada para trabalhar, a primeira coisa que faço questão de mostrar ao cliente é como a minha xana está molhada e quentinha. Nada garante que ela permaneça assim durante o programa, então, pelo menos, uma boa primeira impressão eu já deixo registrada.

É raro o programa ser uma completa decepção. Sou uma putinha simples, fácil de agradar. Se você for homem, basta ter um pinto e me deixar chupá-lo sem camisinha. Tenho muita sensibilidade oral! Adoro sentir a textura da pele na minha língua, a saliva se acumulando e escorrendo pela minha boca, o gostinho particular da rola de cada um. Acredite ou não, mas sempre que vejo uma, minha boca começa a salivar. Evidentemente, não fico que nem uma cadela faminta, boquiaberta e com a língua para fora; é uma reação involuntária muito sutil. Talvez resultado da minha alienação ou condicionamento ao sexo. Geralmente, após o contato visual com um pênis, eu o sinto com todos os outros sentidos. Considerando as milhares de bengas que cruzaram com o meu olhar clínico… Portanto, nada mais natural eu avançar em qualquer um que coloque o sexo para fora na minha frente. Quer dizer… é brincadeirinha… também não é bem assim, né… ainda não sou tão descontrolada.

Minha alienação vai muito além da salivação condicionada descrita por Pavlov. Semana retrasada fui à farmácia com uma colega para comprar preservativos e lubrificante. Pela quantidade, logo o atendente percebeu que éramos prostitutas e me pareceu um pouco desconsertado. Eu ainda fiquei andando pela farmácia para ver se não estava me esquecendo de comprar alguma coisa. Quando fomos embora, minha colega me disse que tinha quase certeza de que eu pagaria com sexo ou, no mínimo, pediria um desconto de tanto que dei em cima do rapaz. Fiquei pensando um pouco e, realmente, assim que o vi, passou pela minha mente uma vontade suportável de transar, embora ele não tivesse nenhum charme especial. Depois disso, eu lhe dirigi alguns olhares e indiretas como se fosse o comportamento mais natural do mundo.

– Camisinhas, lubrificante… tem mais alguma coisa faltando para fazer sexo? – olhei para ele sorrindo.

Ele riu, ficou sem graça e disse que não sabia. Se ele tivesse dado corda na minha conversinha, que obscenidades eu teria dito? Estava um pouco alheia à realidade; como se no plano espiritual ainda estivesse vagando por um puteiro. Imagine se um(a) atendente de telemarketing, depois do fim do expediente, continua falando daquele jeito irritante numa roda de amigos. Então, no meu caso, estou me comportando como prostituta em qualquer contexto – e nem sempre tenho consciência disso! É a expansão do meu eu garota de programa para todas as minhas relações sociais! Quando preciso de algum favor, ou resolver algum problema, a primeira estratégia que desponta em minha mente é: “qualquer coisa eu dou para ele e está tudo resolvido”. Simples assim! Pior de tudo é achar que todos os homens do planeta aceitariam me comer se eu permitisse! Menos, Ayana, bem menos, vai! Só porque estou dando minha bocetinha mais assiduamente, não significa que esteja mais gostosa, mais simpática, mais importante. Revela apenas que estou mais fútil…

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Para não dar de olhos fechados

Uma das dificuldades inerentes da minha profissão é se sentir à vontade fazendo sexo com clientes muito feios, ou seja, homens sacaneados pela genética e descuidados com a estética. Uma vez que não desejo ter uma visão muito clara da realidade, a solução é recorrer às complacentes doses etílicas, cujo consumo abusivo é capaz de me incitar a trepar com qualquer criatura asquerosa. Ai, ai… até parece que me engano com aquela desculpinha: “Dei a xoxota porque estava muito bêbada”. Preciso de outros escapismos, porque o argumento de que essas situações fazem parte do meu serviço não é o bastante para acalmar minha consciência. Mas aí eu também começo a me preocupar com a possibilidade de entrar no alcoolismo. Ora, seria totalmente insustentável beber toda vez que atendesse um cliente desprovido de beleza! Veja bem, eu não sou muito criteriosa quanto à aparência do meu parceiro, mas alguns – nem tantos assim – são realmente muito, muito feios!

Existem aqueles que compensam a carência de atrativos físicos com outras qualidades pessoais incrivelmente sexys, tais como simpatia, educação, respeito. Então o cliente conquista o seu charme e ao mesmo tempo pulveriza o meu olhar muitas vezes estereotipado, carregado de preconceitos, que assumo durante uma primeira aproximação. Conheço superficialmente a personalidade de poucos – sei bem mais sobre o desempenho sexual de cada um –, porque os diálogos nos programas, em via de regra, são muito breves. Várias vezes, fiz sexo com sujeitinhos cujas características em nada me atraíram – totalmente desleixados com a aparência e com a educação. Procuro abstrair todos esses defeitos e dou atenção apenas ao seu falo. Pobre criança! Não tem culpa alguma de ser operada por um asno. É por isso que lhe ofereço um lugar quentinho para se proteger.

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Crueldade contra um pênis indefeso

Tenho vontade de dizer aos meus clientes que gosto de apanhar durante o sexo. Só alguns poucos, aqueles que conquistaram a minha confiança, sabem desses segredinhos que tanto me estimulam. Não bastam uns tapinhas no bumbum; é preciso bater com vontade, até com um pouco de violência. É uma informação muito, muito confidencial. Imagine se todo dia um cliente resolve me bater? Teria que me aposentar por invalidez, deixando muitos senhores desconsolados e talvez um pouco menos endividados. Quando estou apanhando, conheço bem os meus limites para que uma prática fetichista não acabe em caso de polícia. Eu gosto do caráter de ser vítima, porque me absolve dos meus frequentes julgamentos de culpa. Mesmo quando sou eu quem espanca um sujeito durante o meu serviço, não me sinto muito culpada. Eu não queria fazer isso, mas sou uma vítima da minha ingrata profissão e, consequentemente, das vontades masoquistas de alguns clientes.

Se eu estiver absorta num raro orgasmo intenso e constante, fico bastante inquieta e começo a apertar, arranhar e morder meu parceiro, como um canal por onde meu êxtase possa fluir. Gosto do sexo agressivo sobre o meu corpo, em contrapartida, geralmente trato o corpo alheio como se fosse de veludo. Por mais que eu compreenda o lado masoquista da relação, afinal é este a que pertenço, sou excessivamente cautelosa na hora de aplicar umas bofetadas em terceiros. Os masoquistas sempre me pedem para torturá-los com vontade, mas, atenção, não tenho vontade de torturar ninguém (além de mim mesma). Não estou mais falando de tapinhas e mordidinhas no bumbum, mas sim de chutes e pisadas no pênis e nos testículos.

O primeiro programa que fiz com o Arnaldo foi bem divertido. Ele deitou com a barriga no meu colo, e eu lhe apliquei várias palmadas nas nádegas e enfiei o meu dedo no seu ânus. Quando segurei seu bingulinho, ele me pediu para esmagá-lo. Enquanto o apertava, ficava bem atenta às reações do meu cliente e parava sempre que ouvia um pequeno gemido agonizante. Bom, eu não tenho um pipi, por isso não dá para dimensionar a dor do sujeito. Mas eu penso que deva doer muito, porque as bolas me parecem bem delicadas e tal… enfim, eu me lembro de que o seu bilau estava tão flácido que tive que me conter para não puxá-lo para fora. E ele implorava: “Aperta com mais força! Aperta com mais força!”. Esse pedido repetitivo já estava, não literalmente, me enchendo o saco. Já basta! Para calar sua boca, apertei, de uma vez só, bem forte os seus colhões durante uns cinco segundos. Depois ele precisou de um tempo para se recuperar e não quis mais que eu brincasse com a sua bisnaguinha.

No final do programa, Arnaldo me disse que havia gostado de tudo, mas não senti muita confiança em suas palavras. Será que fui tão violenta a ponto de esterilizá-lo? De verdade, fiquei um pouco preocupada, até que, umas semanas depois, ele voltou a me procurar. “Vou ter que ficar uns bons minutos esbofeteando essa bundinha”, foi o que pensei. Mas, não! Surpreendentemente, ele queria um programa muito mais “hardcore”. Deitou-se no chão com as pernas abertas; e foi quando comecei a chutar e pisar, usando uma sandália de salto fino, no seu cacetinho. Que aflição! Teve uma hora em que ele colocou seu pitinico sobre o criado e eu fui lá e… paft! Pisei com bastante força! Mas dessa vez eu estava descalça (ufa!). Já era mais do que suficiente; ainda bem que o convenci a dar um descanso ao seu amiguinho. Ele precisava de carinho, algumas lambidinhas seriam ótimas! Lambi, lambi, lambi, mas ele não se levantou. Já estava desmaiado. Talvez tenha entrado em coma! Mas, felizmente, sei que não morreu! Tive a oportunidade de bater nele outra vez.

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